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Saldão das Americanas: marcas e bens à venda para pagar dívida bilionária

JOSÉ MARCOS/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: JOSÉ MARCOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

23/03/2023 04h00

O plano de recuperação judicial das Americanas propõe a venda de bens e marcas do grupo para pagar parte das dívidas da varejista que chegam a mais de R$ 40 bilhões.

O que pode ser vendido

Em comunicado ao mercado, a varejista elenca a potencial venda dos seguintes itens:

  • Participação das Americanas no Grupo Uni.Co. O grupo Uni.Co é dono das franquias Imaginarium, Pucket, Mind e LoveBrands, marcas que vendem itens para casa, presentes, moda e acessórios. As Americanas compraram uma fatia de 70% do grupo em 2021. Na época a empresa tinha 440 lojas.
  • Rede Hortifruti Natural da Terra. O Hortifruti Natural da Terra foi adquirido pelas Americanas também em 2021, por R$ 2,1 bilhões. Na época a rede tinha 73 lojas em quatro estados.
  • Jato executivo. Aeronave modelo EMB-505, tipo E55P, fabricada pela Embraer, ano de 2014.
  • O plano prevê usar até R$ 2 bilhões vindos da venda de bens para recompra de dívida. O excedente, se houver, será investido na própria empresa.
  • A empresa não descarta a venda de outros bens. Além das empresas citadas no comunicado, a varejista também é dona dos sites Submarino e do Shoptime, da carteira digital AME, dentre outras empresas.

O que mais diz o plano?

  • Capitalização da empresa em R$ 10 bilhões, com suporte de seus acionistas de referência. Esses acionistas são os bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, donos da gestora 3G Capital.
  • Conversão de R$ 10 bilhões de dívidas em ações da empresa.
  • Recompra de R$ 2,5 bilhões em dívidas, em leilão reverso com desconto inicial de 70%.
  • Conversão de R$ 5,8 bilhões da dívida em debêntures. As debêntures são títulos de dívida, com pagamento do montante principal previsto para daqui cinco anos. Nessa modalidade, o credor tem direito a receber juros nesse período, mas haveria um desconto de quase 60% do valor inicial da dívida.
  • Conversão das dívidas remanescentes. As dívidas que restarem serão convertidas em uma espécie de dívida de longo prazo e debêntures conversíveis, ou seja, que podem ser convertidas em ações da empresa no futuro.
  • Compromisso de não litigar. O plano prevê que, para aderir às principais modalidades de pagamento das suas dívidas, os credores se comprometem a não ser parte de nenhuma demanda contra a empresa na Justiça. Os credores que aceitarem terão desconto de 80% em seus débitos e vão receber somente em 2043.
  • Credores fornecedores. Os fornecedores com dívida de até R$ 12 mil receberão o valor integralmente em até 30 dias após a homologação do plano. Quem tiver dívida acima disso e não aceitar receber R$ 12 mil, terá desconto de 50% no valor da dívida.
  • Após todas as medidas, o plano prevê que a empresa fique com uma dívida de R$ 4,9 bilhões.

O que acontece agora?

  • O plano foi apresentado sem que a empresa conseguisse chegar a um acordo com os bancos. Instituições como Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander são os principais credores da varejista.
  • O plano de recuperação judicial pode ser alterado. As mudanças no texto vão refletir os avanços nas conversas entre a empresa e seus credores. As negociações continuam.
  • Após ser apresentado à Justiça, o plano precisa ser aprovado por uma assembleia de credores. Como são os donos das maiores dívidas, os bancos têm grande poder de voto na assembleia.
  • O plano precisará ser aprovado por 50% dos credores. Havendo a aprovação, o credor que não concordar com as condições terá que se submeter a elas mesmo assim. Se os credores não aprovarem o plano, a empresa pode ter sua falência decretada.