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Copom avalia em ata que acelerar ritmo de cortes de juros é pouco provável

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central espera continuar reduzindo a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, conforme ata divulgada hoje.

O que aconteceu

Comitê divulgou hoje ata da última reunião. Na última quarta (20), o grupo decidiu reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, de 13,25% para 12,75% ao ano. Esse foi o segundo corte consecutivo, que levou a taxa ao menor patamar desde junho de 2022.

Expectativa é seguir reduzindo nas próximas reuniões. "Os membros do Comitê concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário", diz o documento.

Copom avalia como pouco provável uma intensificação no ritmo de cortes. "Isso exigiria surpresas positivas substanciais que elevassem ainda mais a confiança na dinâmica desinflacionária", disseram.

Grupo do Banco Central disse que inflação está caindo, mas segue acima da meta. Nos últimos 12 meses, a taxa está em 4,61%, acima do centro da meta, de 3,25%. A expectativa dos investidores é que a inflação oficial termine o ano em 4,86%.

"Cenário ainda inspira cautela", escreveram. Para os membros do conselho, a extensão desse ciclo de reduções vai depender de como ficará a inflação.

Prévia da inflação de setembro acelerou em relação ao mês passado. Segundo dados do IBGE divulgados hoje, o IPCA-15 acumula alta de 5% nos últimos 12 meses, acima da meta do Banco Central.

O que diz o mercado

Queda nos juros não será mais acentuada. Copom enviou mensagem de que os juros restritivos são necessários para garantir que as expectativas da inflação vão se reduzir ainda mais. Isso sogere uma visão mais cautelosa pelo Copom, especialmente pelos riscos do cenário fiscal, diz Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

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Cenário internacional também é preocupante. O Banco Central ressalta algumas preocupações com o mercado de trabalho forte no Brasil e nos EUA, além de uma postura bem firme de bancos centrais ao redor do mundo, especificamente dos EUA e da zona do Euro, para trazer a inflação para a meta, diz Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.

Por isso, queda deve continuar sendo de 0,5 ponto. O BC deve continuar com o processo de queda nos juros, mas sem acelerar para cortes de 0,75 ponto nesse ano de 2023, como o mercado esperava, afirma Jorge.

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