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Aéreas cobram flexibilidade e redução de custos para retomada do setor

Aeroporto de Congonhas - Vinícius Casagrande/UOL
Aeroporto de Congonhas Imagem: Vinícius Casagrande/UOL

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/05/2020 21h06

Os presidentes das três principais companhias aéreas brasileiras cobraram mais flexibilidade e redução de custos do setor para superar a crise gerada pelo novo coronavírus e permitir a retomada de voos no país. Com a crise, houve uma redução em mais de 90% dos voos no país.

Jerome Cadier (Latam), John Rodgerson (Azul) e Paulo Kakinoff (Gol) participaram de uma live do BTG Pctual para discutir o setor aéreo pós covid-19. Os executivos afirmaram que as empresas têm adotado medidas para garantir a segurança dos passageiros e tripulantes e que o momento deve acelerar algumas tendências que já vinham sendo implementadas.

Os executivos evitaram fazer, no entanto, previsões sobre velocidade da recuperação, tamanho do setor, medidas sanitárias de longo prazo e preços das tarifas. "A gente não sabe como vai ser daqui um mês, muito menos como vai ser voar daqui um ano", afirmou o presidente da Latam.

Redução de custos

Os presidentes das três companhias aéreas cobraram uma redução de custo para o setor, especialmente das tarifas de navegação aéreas, aeroportuárias, preço do combustível e impostos. "O Brasil tem um dos combustíveis mais caros do mundo, altos custos de navegação e tripulantes que voam menos horas", afirmou Cadier.

O presidente da Azul citou como exemplo para mudanças na regulamentação do setor o fato de o país não conseguir atrair mais concorrência mesmo em períodos de crescimento. "É uma vergonha a Colômbia ou o Chile ter mais passageiro por habitante que o Brasil. Esse é o momento para pensar no futuro para sair da crise", afirmou. "Não pode abrir o Brasil para 100% de capital estrangeiro e ter regras diferentes", disse, em referência à lei que permite investimento estrangeiro nas empresas aéreas.

O diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Juliano Noman, que também participou do encontrou, afirmou que a agência tem trabalhado para a redução de custos do setor com o objetivo de aumentar o número de passageiros. "São de 25 a 30 milhões de pessoas voando no Brasil. Isso dá 15% da população. Ou esperar a renda subir para voar no patamar de país rico, ou reduz custo para atrair mais pessoas", afirmou.

Prazo para retomada dos voos

Os três executivos evitaram determinar um prazo para a volta da normalidade dos voos, mas que a retomada pode durar até três anos. "Vamos testar, tentar voar um pouco mais e, se der certo, vamos aumentar os voos", afirmou o presidente da Azul.

O presidente da Latam disse acreditar, porém, que o mercado doméstico terá uma recuperação mais rápida, enquanto o internacional deverá enfrentar mais resistência por conta das restrições internacionais.

Apesar das mudanças no comportamento da população, o presidente da Gol disse acreditar que após o mundo encontrar uma solução de saúde para combater ou prevenir o coronavírus, o crescimento do setor deve ser acelerado. "No momento em que estiverem seguras, as pessoas vão voltar a voar. Haverá algumas mudanças, mas as conferências e reuniões para apresentar projetos não vão acabar", afirmou Kakinoff.

Medidas sanitárias

Nos poucos voos que permanecem em atividade, foram implementadas novas regras sanitárias para evitar a contaminação entre passageiros e tripulantes, como o uso de máscaras, fim do serviço de bordo e distanciamento no aeroporto. "Algumas dessas medidas vão perdurar e algumas talvez não. O fato é que vamos saber disso quando soubermos mais desse vírus", afirmou o presidente da Latam.

"Não acho que o corona terá transformado completamente o mundo quando o problema estiver solucionado", disse o presidente da Gol. Por outro lado, Kakinoff avalia que a crise deve acelerar a adoção de algumas tendências que já vinham sendo pensadas. "Cerca de 70% já embarcavam sem interação com funcionários e a tendência é que chegue a 90%. Isso deve eliminar custos", afirmou.

Tarifas aéreas

Os executivos também evitaram falar sobre como deve ser o comportamento das tarifas no pós-crise. "Previsão de preço é uma coisa que a gente tenta evitar ao máximo, porque vamos errar sempre", afirmou o presidente da Latam.

Os executivos disseram que as empresas enfrentam um aumento nos custos atualmente, mas a tendência das tarifas vai depender da velocidade da retomada da demanda, das exigências sanitárias e de medidas tomadas em conjunto com o governo.

"A aviação ficou mais cara, e ficará mais cara na proporção das medidas de segurança", afirmou o presidente da Gol. "Com que velocidade vamos colocar os aviões de volta no ar é que vai determinar o preço. No longo prazo, temos de trabalhar nas dimensões de custo, e o dólar vai pressionar para cima", afirmou o presidente da Latam. "Devem ser 18 meses a dois anos difíceis, mas vai passar", completou o presidente da Azul.

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