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Citar pessoas num discurso, como fizeram deputados, ajuda ou é ridículo?

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito
  • Arte/UOL

Citar pessoas que sejam autoridades reconhecidas em determinada matéria é um recurso excelente para dar ainda mais credibilidade ao orador. Fácil deduzir.

Se você faz palestra sobre gestão e cita, por exemplo, uma frase de Peter Drucker, que corresponde à sua forma de pensar, terá grande chance de fortalecer ainda mais a credibilidade da sua mensagem.

Por isso, as citações precisam ser de pessoas que tenham inquestionável autoridade sobre o tema apresentado. Se a autoridade de quem foi citado é contestada por uma parte do público, haverá risco de quem o citou também ser contaminado por essa resistência.

No exemplo acima, alguém poderia até não concordar com Peter Drucker, mas dificilmente contestaria a autoridade dele.

Além de avaliar bem a credibilidade do autor da frase ou do conceito por ele defendido, há outros aspectos importantes que precisam ser considerados. 

Excesso de citações

Ouvi críticas a palestrantes porque exageraram na quantidade de citações. Em tom de ironia, questionavam: afinal, qual será a opinião do orador sobre o assunto? Eu mesmo já presenciei discursos em que o expositor não passava dois minutos sem fazer alguma referência a uma autoridade no tema.

Esse excesso, ao invés de ajudar, pode prejudicar o resultado da apresentação.

Pessoas popularescas

Evite citar pessoas que se tornaram populares com livros de autoajuda de qualidade duvidosa, ou apresentaram programas de rádio ou televisão que resvalaram no grotesco. Por mais significativa, profunda e coerente que possa ser a frase citada, a imagem negativa do autor poderá comprometer o objetivo da mensagem.

Podemos acrescentar nesse pacote os políticos. Todos sabem que a imagem da maioria dos políticos é muito controvertida. Por mais que um deles tenha se especializado no assunto, pense bem se vale a pena citá-lo. Sempre haverá alguém na plateia que nutre antipatia por ele e, por isso, naturalmente passará a não gostar também do orador. 

Contexto inadequado

Mesmo que o autor da frase seja excepcional, acima de qualquer possibilidade de crítica, verifique com bastante critério se a citação é apropriada ao contexto da mensagem. Citar apenas por citar, sem levar em conta a adequação da frase, somente porque o autor angariou prestígio em determinada área de atuação, além de atrapalhar a compreensão dos ouvintes, talvez faça com que a imagem do orador se mostre inconsistente. 

Ainda dentro da inadequação, não se deve citar pessoas que nada tenham a ver com o objeto do assunto. Observo, às vezes, profissionais sendo entrevistados em programas de rádio ou televisão e fazendo enorme esforço para incluir no discurso alguém do seu relacionamento íntimo, como amigos, cônjuges, filhos. Todo mundo percebe, e não fica bem para a imagem do entrevistado.

Há pouco tempo vimos, envergonhados, o papel lamentável dos deputados no processo de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Quase todos falando de alguém da família. Foi tão ridículo que os líderes dos partidos no Senado estudam suprimir o microfone para a votação e constar a posição do senador apenas no painel de votação.

Desqualificação da fonte

O colunista de importante emissora de rádio me contou que deu uma notícia revelando que os dados haviam sido passados a ele por um amigo de longa data. Assim que terminou de falar, recebeu um telefonema da diretora da emissora dizendo que deveria evitar essa conduta, pois sempre que citava "um amigo", desqualificava a fonte. 

Se temos de ter rigor na escolha da pessoa citada quando se tratar de autoridade no assunto, maior ainda deverá ser o cuidado ao falarmos de amigos e familiares. Só devem ser citados se forem mesmo muito importantes para a compreensão da mensagem. Uma boa história de filhos, pais, avós, quando bem contextualizada, pode tornar até o orador mais simpático ao público.

Precisamos incluir nesse rol as pessoas que efetivamente contribuíram para que uma tarefa pudesse ser cumprida. Por exemplo, merece ser mencionado o marido que ficou cuidando da casa e dos filhos para que a mulher pudesse se dedicar à defesa de uma tese acadêmica. Um prêmio que tenha tido a participação de algum amigo ou familiar também, fato comum na entrega do Oscar.

Conclusão

Citações são um recurso extraordinário para dar ainda mais credibilidade à mensagem, mas precisam ser avaliadas com bastante cuidado para que participem do discurso como aliadas, não como adversárias.

Superdicas da semana

  • Use citações de autoridades reconhecidas no tema
  • Evite o excesso de citações
  • Evite citar autores ou apresentadores popularescos
  • Só cite amigos ou familiares se o contexto exigir e for muito favorável 

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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