Comunicação de Hillary e Trump em debate pode decidir a eleição americana

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Rick Wilking/Reuters

O debate deste domingo (9) entre Hillary Clinton e Donald Trump, na Washington University, poderá ser decisivo para as pretensões dos dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Ou seja, o destino político do país talvez dependa do resultado desse confronto.

Hillary levou vantagem sobre o adversário no primeiro debate que realizaram no dia 26, na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova York.

Ainda que tenha muita experiência em se apresentar diante das câmeras de televisão, Trump cometeu equívocos primários, chegando a declarar que sua melhor qualidade para ser presidente é o temperamento --quando todos sabem que esse é o seu calcanhar de Aquiles. A resposta foi tão inadequada que Hillary sorriu e ensaiou uma dancinha da vitória.

Foco em desempenho, não em planos de governo

O fato curioso é que as expectativas dos analistas sobre o desempenho dos candidatos pouco têm a ver com planos de governo. Falam principalmente do comportamento dos debatedores.

Hillary é criticada quase sempre por ser artificial. Parece que vive interpretando o papel de uma pessoa simpática e amável. Por isso mesmo, está ensaiando exaustivamente como ser mais natural. Ou seja, vai continuar interpretando, só que para tentar passar a imagem de que, quando fala, representa seu próprio papel.

Trump, por outro lado, é criticado por não segurar a língua e dizer, sem muita censura, o que passa em sua cabeça. Até suas atitudes quando está ouvindo a adversária o prejudicam. Não consegue disfarçar as reações raivosas e irônicas. Embora diga não estar preocupado com ensaios, pois afirma gostar de ser autêntico, na verdade essa declaração parece ser mais uma jogada de marketing para se mostrar mais verdadeiro. Impossível alguém não se preparar para um confronto tão importante e decisivo como este.

Lições sobre a arte de falar em público

Pois é, Hillary treina para ser mais natural e espontânea. Trump, ao contrário, para ser menos espontâneo. Na realidade, o que os candidatos precisam é falar de suas propostas a partir de um comportamento que, para os eleitores, pareça ser verdadeiro.

Não significa que Trump possa parecer verdadeiro atacando as mulheres ou dizendo que não paga impostos federais porque é "esperto", como tem feito. Da mesma forma que não adianta Hillary tentar ser mais natural dizendo que acha certo usar seu e-mail privado quando era secretária de Estado.

Independentemente das preferências políticas, vale a pena assistir a esse espetáculo da democracia, que tanto depende da eficiência da comunicação. E tentar aprender com os erros e acertos dos candidatos o que funciona ou não na arte de falar em público. Essa é uma lição que podemos levar para todas as nossas atividades, seja no relacionamento social, seja nas atribulações da vida corporativa. Se podemos aprender com os erros e acertos dessas experiências, por que não aproveitar?

Superdicas da semana

  • A técnica precisa ser ensaiada até não ser percebida pelos ouvintes
  • É mais importante ser natural do que usar técnicas e parecer artificial
  • Quanto mais preparado estiver alguém para debater, mais seguro se sentirá
  • Antes de discutir ideias e propostas, saiba quais são os possíveis argumentos da outra parte
  • Quem se prepara para objeções, reage com mais confiança aos ataques que recebe

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Assim é que se Fala", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

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Trump aparece falando de forma vulgar sobre mulher em gravação

Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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