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Não fale de improviso um discurso escrito sem ter ensaiado muito bem antes

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Getty Images/iStockphoto

Já vi inúmeros oradores se dando mal em apresentações sobre temas que dominavam até com certa profundidade. Eles tiveram "branco" no meio do discurso, precisaram jogar palavras para tentar descobrir o caminho que deveriam percorrer, recorreram à leitura quando já estavam falando de improviso. Esses fracassos ocorrem, normalmente, porque algumas pessoas não sabem como se preparar para falar diante das plateias.

Como você se prepara para falar em público? Que método utiliza para ensaiar seus discursos? Decora palavra por palavra tudo o que pretende transmitir aos ouvintes? Ou, como alguns, afirma que é mais fácil chegar diante da plateia e começar a dizer o que vem à cabeça? Ou não tem a mínima ideia de como se preparar para enfrentar esse desafio?

E falar em público aqui se refere ao sentido mais amplo da expressão. Desde situações nas quais o orador se apresenta em auditórios, diante de plateias, até circunstâncias mais corriqueiras, como reuniões do dia a dia, no mundo corporativo. Enfim, todos os momentos em que alguém tenha uma mensagem determinada para transmitir às pessoas.

Escrever frases relevantes dá direção lógica à apresentação

Qualquer método que deixe o orador mais confortável e contribua para a eficiência de suas apresentações está aprovado. Embora não seja recomendável, por exemplo, decorar palavra por palavra o que será transmitido aos ouvintes, há oradores que conseguem memorizar com facilidade todo o discurso e interpretam tão bem o que dizem, que dão a impressão de que toda a mensagem surge ali no momento em que se apresentam.

Portanto, fique à vontade para se valer do recurso que julgar mais conveniente. Funciona muito bem escrever as frases mais relevantes, que possam dar uma direção lógica à apresentação, desde o início até a conclusão. Você poderá memorizar essa sequência ou levar uma folha para consultar diante do público. Tanto levando ou não o papel, é importante que ensaie bastante antes de se apresentar.

Palavras e pausas do texto são diferentes na fala

Aqui entra um ingrediente fundamental para o sucesso de uma apresentação: verbalizar durante os ensaios as ideias cuidadosamente planejadas e que serão apresentadas. É um equívoco de muitos oradores: escrever o que vão dizer e, sem nenhum ensaio, falar exatamente o que escreveram. Temos de ter em mente que pensar é uma coisa, escrever é outra e falar é outra.

Se você tentar dizer diante da plateia exatamente o que escreveu, sem ter verbalizado antes o que pretende transmitir, correrá enorme risco de se dar mal. Quando escrevemos, utilizamos termos, pontuações e ritmo determinados. Para falar, entretanto, as palavras, quase sempre, são outras, as pontuações são distintas, o ritmo é modificado.

Alguns motivos interferem para que o discurso planejado não seja exatamente o mesmo ao ser proferido: a adrenalina do momento, a exposição diante dos ouvintes, as ocorrências inesperadas no instante da fala, as circunstâncias físicas e emocionais do encontro. Enfim, é preciso estar preparado para fazer frente a esses fatos que quase sempre pressionam o orador.

Se pronunciar uma palavra diferente da que havia idealizado, poderá ser suficiente para que modifique todo o rumo da apresentação. E o fator agravante nesses casos é que a pessoa, normalmente, não se prepara para esses desvios e acaba se desestabilizando. Por isso, é preciso treinar a atividade que irá desenvolver na frente do público: a verbalização.

Converse antes sobre o tema, abordando ângulos distintos

Esse treinamento não exige necessariamente ensaios formais, como se estivesse diante do público. Para o treinamento da verbalização, basta conversar com alguma pessoa sobre o assunto que irá expor. Pode ser alguém da família, um amigo ou um colega de trabalho. Converse exaustivamente a respeito do tema. Assim, irá organizar as ideias para falar, um processo que, como vimos, quase sempre é diferente daquele usado para escrever.

De preferência, durante essa conversa, aborde o assunto por ângulos distintos, pois assim terá várias opções. Se, diante do público, a sequência tomar algum caminho não previsto, terá tranquilidade para fazer adaptações por outra linha treinada durante os ensaios. Portanto, quanto mais falar sobre o tema, quanto mais conversar sobre o conteúdo da apresentação, mais preparado estará para ser bem-sucedido diante da plateia.

Sem contar que, se conseguir falar diante dos ouvintes da mesma maneira como se expressa quando está conversando, irá se apresentar com maior naturalidade. Só precisará pôr um pouco mais de energia e disposição para envolver o público. Essa conjugação de naturalidade com emoção contribui bastante para a conquista da credibilidade.

Você pode até escrever o que pretende apresentar. É até recomendável que escreva. Mas nunca deixe de verbalizar antes o que pretende expor diante dos ouvintes.

Superdicas da semana:

  • Procure conversar bastante antes sobre o assunto que irá expor
  • Você poderá levar um roteiro com algumas frases escritas
  • Também poderá decorar a sequência que pretende seguir na apresentação
  • Diante do público, siga as etapas escritas ou memorizadas a partir das conversas que manteve na preparação

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", "Oratória para advogados", "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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