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Jovem deve seguir ou quebrar as regras da empresa para vencer na carreira?

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Getty Images

Há alguns anos o comportamento do subordinado diante de seus superiores hierárquicos era, aos olhos de hoje, inacreditável. Conta-se mesmo que alguns poderosos donos de empresa exigiam que os subalternos saíssem de sua sala andando para trás, pois não admitiam que lhes dessem as costas. Coisa do passado.

O tempo passou, o respeito hierárquico sofreu transformações, mas a rigidez ainda continua imperando em inúmeras empresas. Embora alguns chefes mantenham a porta aberta e livre para o acesso de quem precise falar com eles, muitos ainda se fecham em seus bunkers e exigem obediência total.

Diante de um quadro tão diverso, como deve se comportar o jovem que chega ao mercado de trabalho? Será que precisará se comportar de maneira formal e seguir rigorosamente todas as regras estabelecidas ou poderá se posicionar com certa irreverência, liberando sua criatividade, sem tanta submissão à hierarquia?

Tenho comentado aqui sobre a minha atuação como presidente da ONG Via de Acesso. Um trabalho voluntário que faço com enorme prazer para ajudar na empregabilidade dos jovens que tanto têm sofrido para iniciar sua carreira. Nos últimos 15 anos, já auxiliamos mais de 500 mil jovens nessa tarefa.

A exemplo do que ocorrerá no próximo dia 12 de junho, promovemos todos os anos o maior fórum de carreira para jovens do país. Tudo gratuito. Em uma das edições, conseguimos colocar como palestrantes dois profissionais renomados com opiniões distintas sobre o comportamento do jovem no mundo corporativo.

O primeiro a se apresentar, pela manhã, para uma plateia de mais de 2.500 jovens foi Max Gehringer. Com sua vasta experiência na presidência de grandes empresas e como consultor de carreiras, ele teve o cuidado de orientar os ouvintes, quase todos com menos de 21 anos de idade, como deveriam se comportar.

Para que garantissem a posição na empresa e investissem no crescimento da carreira, sugeriu que eles trabalhassem duro, seguissem as regras e não batessem de frente com os superiores hierárquicos. Alertou que ambiente corporativo é diferente da convivência familiar e do relacionamento com os colegas de escola. Sábios conselhos!

À tarde falou o CEO do Grupo Abril, Walter Longo, também com invejável currículo e larga experiência na gestão de importantes empresas. Sua orientação seguiu rumos diferentes daqueles pregados pelo Max. Disse que o futuro das empresas está nas mãos dos jovens irreverentes, os que não seguem regras e não se subordinam apenas para obedecer à hierarquia.

Complementou sua teoria ponderando que nas situações difíceis, nas épocas de crise, quando as empresas necessitam encontrar saídas para os momentos mais delicados, são esses garotos irreverentes, que não se submetem aos padrões estabelecidos, que encontrarão as soluções e vislumbrarão caminhos que normalmente não são previstos. Sábios conselhos – mais para as empresas do que propriamente para aqueles que se iniciam na carreira.

Dá para imaginar como ficou a cabeça dessa garotada que foi ao evento para encontrar respostas às suas indagações, e não para aumentar ainda mais suas dúvidas. Nesse momento, para esclarecer todas essas questões, entrou Ruy Leal, superintendente da ONG, o maior especialista na empregabilidade de jovens do país.

Ruy ponderou que todos os comportamentos podem contribuir para o desenvolvimento de uma carreira brilhante, tudo dependendo das características da empresa onde estejam atuando. Se a organização tiver feições conservadoras, mantendo em seus quadros profissionais que gostam e exigem o cumprimento das regras, essa deverá ser a conduta daquele que ingressa na empresa. Se agir de maneira diferente, poderá comprometer o desenvolvimento da carreira.

Se, por outro lado, a empresa tiver um perfil leve, descontraído, como normalmente ocorre, por exemplo, com aquelas dedicadas à publicidade ou à informática, deixar um pouco as regras de lado e não se preocupar muito com o rigor hierárquico, desde que as tarefas sejam cumpridas e as metas alcançadas, poderá ser visto como conduta adequada para a conquista de seus objetivos.

A maneira de se comunicar com os pares e superiores hierárquicos mostrará muito de seu perfil profissional. Assim sendo, observe bem como está se comunicando e analise se a forma como se expressa identifica a imagem profissional que deseja e precisa transmitir.

Portanto, essa é a análise que deverá ser feita por aqueles que estão ingressando no mercado de trabalho – ninguém precisa se despersonalizar. Se seu comportamento for mais irreverente e gostar de liberdade, essa deverá ser sua busca – encontrar uma empresa que aceite esse perfil profissional.

Se, ao contrário, sentir que não terá dificuldade para seguir as regras e se submeter a uma hierarquia mais rígida, deverá dar preferência às empresas que apresentam essa característica. Em algumas situações, um pouco de jogo de cintura para se adaptar a uma ou outra circunstância pode também ser importante.

No caso de dúvida, talvez seja mais prudente seguir um comportamento mais conservador. Pelo menos no início, até se certificar bem de como deverá agir. Sem contar ainda que nem todas as empresas são apenas de uma maneira ou de outra. É possível encontrar dentro da mesma organização pessoas mais conservadoras ao lado de outras mais liberais.

Há ainda empresas, especialmente no mercado financeiro, historicamente conservadoras, que, de uns tempos para cá, criaram núcleos que abrigam profissionais irreverentes, que não gostam de regras e detestam se submeter à hierarquia. Perceberam que com as mudanças rápidas e constantes no mercado já começam a precisar de pessoas com essas características para garantir a sobrevivência e crescimento dos seus negócios.

Esse é um cuidado que tomamos na nossa ONG ao encaminhar os jovens para as empresas – analisar com o maior rigor possível suas características e encontrar uma organização que combine com seu perfil profissional. Agindo assim, ajudamos as duas partes – o jovem que se adapta com mais facilidade ao mundo corporativo, e as empresas que recebem em seus quadros os colaboradores mais adequados.

A conclusão é a de que o jovem não precisa violentar sua maneira de ser apenas para agradar aos que estão acima hierarquicamente. Um pouco de cuidado na escolha do perfil da empresa onde pretende ingressar poderá garantir que suas características sejam mais bem exploradas e que o seu potencial seja utilizado em sua plenitude.

Superdicas da semana:

  • Procure uma empresa que esteja de acordo com seu perfil
  • Em certas situações, precisará analisar a empresa para saber como agir
  • Ainda que tenha perfil irreverente, haverá empresa para o seu estilo
  • Tendo um ou outro estilo, sem que se violente, será possível se adaptar

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", "Oratória para advogados", "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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