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Reinaldo Polito

Como dizer "não" sem se envergonhar nem magoar os outros

Dinheiro - Pexels
Dinheiro Imagem: Pexels
Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

15/02/2021 14h59

Agradar a muitos é ruim.
Schiller

A editora Benvirá desenvolveu um projeto para atender às necessidades dos dias atuais. Está lançando uma série de livros digitais, pequenos, no máximo com 60 páginas; práticos e diretos, sem enrolação; com linguagem que conversa diretamente com o leitor. Ah, e baratos, menos de 15 reais. São obras que ajudam a resolver rapidamente questões importantes do dia a dia.

Estou participando com dois livros nessa série, um em coautoria com a minha filha Rachel Polito: "Comunicação a distância", para ensinar como as pessoas devem se comportar nas reuniões, palestras, lives e em todas as apresentações on-line. O livro já está pronto, revisado e diagramado. Vai ser liberado para o mercado nos próximos dias.

Outro só meu. É um livro que já estava rascunhado há algum tempo: "Saiba dizer não sem se envergonhar nem magoar os outros". Minha intenção inicial era publicá-lo na série Superdicas, que coordeno para a editora. O isolamento provocado pela pandemia e esse novo projeto me ajudaram a concluir o livro. Também está pronto e passando por revisão final. Já, já será liberado ao público.

É quase unanimidade. Todas as pessoas com as quais converso e falo sobre o livro reagem praticamente da mesma maneira: não sei dizer "não". E a maioria complementa se lamentando: e o pior é que sofro muito por ser assim. Ah, como gostaria de ser diferente. Já tentei, mas não consigo.

Aprenda a dizer "não"

E você, sabe dizer "não"? E quando diz "não" fica envergonhado? Ou, pela falta de habilidade, diz "não", mas deixa as pessoas magoadas? Se você também tem dificuldade para dizer "não", está muito bem acompanhado, pois a maioria passa pelo mesmo problema. E o pior da história é que se diz "sim" quando gostaria de dizer "não", sofre por agir assim.

Vou resumir algumas sugestões bastante simples que dei no livro para que você comece a mudar de atitude, e passe a se sentir bem com essa nova maneira de se relacionar com as pessoas. Você vai concluir que ao aprender a dizer "não", se torna uma pessoa mais assertiva, confiante e admirada. Quem diz "sim" para tudo demonstra personalidade frágil e insegura.

Agindo assim, dificilmente será convidado para funções de liderança, ou para exercer atividades que exijam pulso firme. Com esse comportamento inseguro, vai perdendo oportunidades profissionais e pode se prejudicar até no relacionamento social. Observe o que aconteceu ao longo de sua vida, talvez tenha deixado escapar chances que não poderiam ser perdidas.

Descubra qual é o seu "sim"

Essa é a primeira resposta que você precisa dar: dizer "não" para um determinado pedido é muito importante para você? Se a resposta for "tanto faz", significa que talvez você não esteja convicto do que deseja efetivamente na vida. Para dizer "não" aos outros é preciso que antes queira muito dizer "sim" a você - ao que você quer, ao que considera tão importante que não dê para abrir mão, ou ao que referenda valores essenciais em sua vida.

Para não emprestar dinheiro, o carro, o apartamento, o livro, ou recusar tarefas indesejáveis, é preciso que você chegue à conclusão de que ao dizer "não" aos outros, estará dizendo um "sim" muito importante a você mesmo. Portanto, este é o primeiro passo, que "sim" você deseja dizer para você mesmo.

Encontre a justificativa

Para dizer "não" aos outros você precisa ter uma boa justificativa. Lógico que você pode dizer simplesmente que não se sente bem atendendo determinado pedido, mas aos olhos de quem pediu, essa poderia parecer uma justificativa inconsistente. E como, provavelmente, você não deseja magoar as pessoas, o motivo precisa ser relevante. Se refletir um pouco, vai encontrar boas causas para o seu "não". O importante é que a justificativa pareça ser relevante para quem vai ouvir a negativa.

Os mais comuns e fáceis de serem identificados são, por exemplo, compromissos familiares ou profissionais, para não aceitar determinadas tarefas. Para recusar o pedido de empréstimo você poderia alegar que fez investimento com prazo determinado, ou que está com falta de recursos, ou que terá necessidade das suas reservas para fazer frente a compromissos assumidos. Para dizer que não poderá emprestar o carro, pode dizer que existe a possibilidade de precisar do veículo naquele período. Sempre poderá encontrar algo verdadeiro para as suas alegações.

O que não pode é dar desculpas vazias, que demonstrem apenas que não deseja atender ao pedido por falta de vontade. Provavelmente a pessoa ficaria magoada se você dissesse que não pode emprestar o carro porque pretende levar o veículo para lavar, ou que não vai emprestar o dinheiro porque está juntando recursos para comprar um imóvel dentro de três ou quatro anos. Ainda que essas alegações sejam verídicas.

Outra justificativa plausível é afirmar que existem compromissos profissionais ou familiares que o impedem de aceitar esse tipo de pedido. Se dissesse "sim", estaria quebrando a palavra empenhada, ou até um acordo assinado. O importante é pensar bem e escolher o motivo que julgar mais adequado para o momento. Atenção - é preferível dar uma justificativa que não seja tão relevante, mas verdadeira, a não ser sincero no que diz.

Seja delicado

Alguns termos ou expressões como, por exemplo, "desculpe", "sinto muito", "como gostaria de atendê-lo nesse momento", "puxa, eu me sinto mal em não poder ajudá-lo agora". São pequenos cuidados que atenuam o "não", e podem evitar que a pessoa que fez o pedido se sinta muito chateada.

Tenha em mente sempre também a seguinte premissa: entre a pessoa ficar chateada por ouvir "não", e você se sentir mal porque disse "sim", quando gostaria de ter dito "não", prefira o seu bem-estar.

Com um pouco de prática você vai adquirindo traquejo e passará a fazer apenas o que tiver vontade. Se, entretanto, para não ferir relacionamentos, preservar amizades, depois de pesar bem os prós e contras, julgar que vale a pena dizer "sim" quando a vontade seria dizer "não", faça o que julgar mais apropriado, tome a decisão que o faça mais feliz.

Superdicas da semana

  • Entre a outra pessoa ficar chateada por ouvir "não", e você se sentir mal porque disse "sim", prefira o seu bem-estar
  • Descubra uma boa justificativa para dizer "não"
  • Seja o mais delicado que puder ao dizer "não"
  • Quem aprende a dizer "não", se torna mais confiante, assertivo e admirado

Esta semana estou comemorando mais uma conquista. Já está nas livrarias o meu 34º livro sobre a arte de falar em público. Escrevi esta obra em coautoria com a minha filha Rachel Polito: "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", publicado pela Benvirá. Espero que gostem. Foi feito no capricho.

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Assim é que se Fala", e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Benvirá. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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