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Reinaldo Polito

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Torcer contra o país é antipatriótico

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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

07/06/2022 04h00

Os poderosos devem saber que em sua sombra cresce, inevitavelmente, mais perigoso que a inveja, o ressentimento daqueles mesmos que vivem de seu favor.
Gregorio Marañón

Quando treino políticos para fazerem discursos, não me preocupo com a ideologia que defendem. Ensino a todos com a mesma dedicação e profissionalismo. Por isso, já fui procurado pelos presidentes dos partidos mais importantes do país: MDB, PL, Podemos, PTB, entre outros. Posso incluir nesse pacote alguns candidatos mais representativos do PT, Psol etc.

Assim que inicio o curso, viro a chave para a característica do candidato. Quem é da situação vai defender todas as iniciativas do governo, o que é natural. Se o aluno for de oposição, vai criticar, o que também é normal. Sempre foi e sempre será assim na política.

Se todo mundo batesse palmas para as ações governamentais, jamais iríamos restabelecer os rumos quando a situação do país envereda por caminhos equivocados. Faz parte da democracia.

Criticar tudo não é a solução

Imagino que quase todos possam concordar com essas premissas. Além de assumir o poder e pôr em prática os programas de cada partido, uns mais estatizantes, outros mais liberais, o objetivo final deve ser sempre o bem-estar dos brasileiros e o crescimento da nação.

Fico na defensiva, entretanto, se o político fizer oposição apenas pela oposição, visando a conquista do poder, ainda que o país não seja beneficiado. Chamo a atenção para o fato de que assim estão sendo antipatriotas.

Há exemplos em abundância

Os petistas foram contra a implantação do Plano Real. Lula chegou a dizer que o plano era uma fantasia. Bolsonaro, que hoje se diz convertido ao liberalismo, quando atuou como parlamentar também criticou o plano de estabilização de Fernando Henrique Cardoso.

E, se não bastasse, o atual pré-candidato pelo PL também se opôs à eliminação de monopólios que travavam o crescimento do país, como, por exemplo, do petróleo e das comunicações. Sem contar sua ferrenha luta para impedir as reformas administrativa e da Previdência. Quem te viu, quem te vê!

Como podem ser contra?

Da mesma forma, os partidos oposicionistas erram quando tentam boicotar todos os projetos que buscam resolver velhos problemas do Brasil. Não dá para entender, por exemplo, o comportamento do PT e de outras legendas de oposição ao votar contra o marco regulatório do saneamento. Treze senadores se opuseram à aprovação.

O saneamento é uma das questões mais graves do país. Os números são perturbadores. Mais de 100 milhões de pessoas não contam com coleta de esgoto. E, por mais inacreditável que possa parecer, mais de 35 milhões de brasileiros não possuem água tratada. Dá para imaginar quantas vidas são perdidas por esse motivo. Também não é difícil supor quantas doenças poderiam ser evitadas.

Cada um com a sua causa

Ora, como políticos, apenas para contrariar um projeto do governo de turno, podem cerrar fileira contra tantos benefícios? Será que estavam pensando no bem do país, ou tentaram fazer política apenas pela política? Se o objetivo foi este, agiram contra a população.

Quer fazer oposição ao teto de gastos, porque julga que assim o país irá se desenvolver mais? Tudo bem. Quer limitar as regalias da classe média, impondo uma cota de apenas um televisor em cada casa? Tudo bem. Quer regular os meios de comunicação, porque pensa que assim haverá mais controle sobre as notícias e informações veiculadas? Tudo bem.

De acordo com a ideologia de cada partido, todos têm o direito de lutar pela causa em que acreditam. É a beleza da democracia. Se, todavia, a defesa de uma ideia for apenas para minar um governo, mesmo que a população seja prejudicada, aí já não estarão defendendo aqueles que os elegeram.

As promessas

Antes mesmo do início das campanhas eleitorais deste ano, que mostrarão o que cada candidato pretende fazer se for eleito, já estamos ouvindo muitas promessas e, infelizmente, muitas mentiras.

Por mais que os eleitores tenham se interessado por política, e já consigam separar as verdades das mentiras, ainda há aqueles que votam por votar, sem ter a mínima noção de quem é o candidato.

Aos poucos, porém, principalmente com a proliferação das redes sociais, cada vez mais pessoas têm acesso às informações. Ainda que haja o risco de receberem notícias falsas, já existe uma crescente consciência de que não se pode acreditar em tudo o que é veiculado.

Vamos ficar de olho

A frase é batida, mas vale como alerta: não podemos ter político de estimação. Se o candidato tem uma mensagem hoje que contraria sem motivos ou fundamentos o que disse em passado recente, não pode ser considerado confiável. Essa atitude demonstra apenas oportunismo político. É essa gente que precisa ser expurgada.

Independentemente de nossas preferências ideológicas, não podemos compactuar com aqueles que desejam o voto apenas para ocupar o poder. Talvez pareça uma luta quixotesca contra moinhos de vento, mas jamais podemos desistir de nossa democracia tão dificilmente conquistada.

Superdicas da semana

  • As críticas fazem parte da democracia
  • Cada um tem o direito de defender a sua causa
  • Ações que beneficiam a população devem ser abraçadas
  • Políticos oportunistas e mentirosos devem ser expurgados

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: Como falar corretamente e sem inibições", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 minutos para falar bem em público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.