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Cinco lições que aprendi indo à falência com dois negócios

Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

22/09/2020 04h00

Antes de me tornar educadora financeira, minha habilidade com o dinheiro era péssima. Criei uma dívida de R$ 80 mil e fali dois negócios em um ano. Graças a esses erros, aprendi na marra como organizar e cuidar das finanças de um empreendimento. Neste artigo, vou detalhar algumas dessas falhas e quais foram as maiores lições que aprendi com elas.

1. Não estudar o negócio

Eu e meu marido compramos uma clínica de radiografia. Essa clínica já estava aberta e funcionando há algum tempo e tinha vários convênios com empresas que estavam fazendo uma obra grande na região. O ex-proprietário da clínica mudou-se de cidade e necessitava desfazer-se do negócio, mesmo com tudo indo muito bem e vários clientes fidelizados.

Acreditamos na história, compramos a clínica e poucos meses passaram-se para a frequência dos clientes diminuir muito e as empresas conveniadas à clínica começarem a fechar. A obra que trazia o grande movimento para a cidade tinha acabado, e o ex-proprietário vendeu a empresa sabendo dessas informações privilegiadas.

Por total ingenuidade, não pesquisamos a fundo o negócio. Se não fôssemos tão novos e sem experiência, teríamos ido atrás de informações mais detalhadas sobre a obra e a região, que era péssima em relação a clientes. Resultado: fechamos em quatro meses.

Antes de pensar em ter um negócio, pesquise a localização, quem são os possíveis clientes e quem são os concorrentes. Pode ser o melhor negócio do mundo, mas, se você abrir seu empreendimento no lugar errado e para os clientes errados, com certeza vai à falência.

2. Quanto é preciso para manter o negócio aberto?

Como tudo na minha vida, nessa época eu não me planejei de nenhuma forma para manter minhas empresas abertas. Não sabia quais eram os custos mensais, quanto gastava com funcionário, equipamentos, pró-labore, eletricidade, água etc. No final do mês, não sabia se estava tendo lucro ou prejuízo.

Se deseja empreender, coloque no papel quanto vai gastar mensalmente para manter suas portas abertas. Só assim conseguirá formar seus preços e ter uma noção da viabilidade do negócio.

3. Não definir corretamente seus produtos e serviços

O primeiro negócio que abri foi um site que vendia produtos usados. Isso na teoria, porque, na prática, a gente vendia de tudo. Produto usado, novo, importado, pela internet, a domicílio, tanto fazia! Não existia foco nenhum. Vendíamos pouco, e entravam poucos produtos usados.

É importante ter foco e especializar seu negócio em um público específico. Descubra como fazê-lo funcionar melhor e aí tudo vai fluir mais fácil, desde o marketing até a reposição de estoque e estratégias de crescimento.

4. Arrume sua vida financeira

Decidi começar a empreender porque acreditava que ganharia muito dinheiro, de forma fácil e sem precisar investir muito. Pura ilusão! Nessa época, eu estava no cheque especial, devendo no cartão de crédito e com vários empréstimos pendentes.

Tinha pouco dinheiro para comprar produtos e todo o dinheiro que entrava na empresa eu usava para pagar minhas contas pessoais e, assim, não conseguia fazer meu negócio crescer.

Isso vira uma bola de neve, porque você enfraquece seu empreendimento, ganha cada vez menos com ele e, aí, precisa de mais dinheiro para sustentar sua vida pessoal, até que chega a hora em que você quebra.

Antes de começar a empreender, esteja com suas finanças em dia, sem dívidas, com uma boa reserva de emergência. Desse jeito, o dinheiro que entrar vai para o lugar certo: fazer seu negócio crescer.

5. Não misture suas finanças pessoais com as finanças do negócio

A conta da empresa deve ser usada somente para pagar contas da empresa, e a sua conta pessoal deve ser usada somente para suas despesas pessoais. Misturar as duas só gera confusão e problemas.

Você consegue dizer quanto teve de lucro no último mês? Com quanto fechou o caixa? Se você está com dificuldade para responder a essas perguntas, então, deixe as contas bem separadas. A chance de você se perder aí no meio e acordar em meio a um mar de dívidas e prejuízo é grande.

Seguindo esses passos antes de iniciar o seu negócio, a chance de ele dar certo é muito maior. Não tenha pressa e estude bem. O tempo que você leva fazendo isso vai retornar em ganhos no futuro.

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UOL Notícias

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL