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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Batalha de investimentos: Tesouro IPCA x Tesouro Prefixado. O que é melhor?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

21/05/2021 04h00

Sempre me perguntam: "César, eu já tenho reserva de emergência! O que é melhor: investir em Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA?".

Se você já tem sua reserva de emergência "montadinha" e está a fim de diversificar com outros investimentos de renda fixa com maior retorno, com certeza deu uma olhada no Tesouro IPCA e no Tesouro Prefixado. Eles têm rentabilidades muito interessantes!

Agora, vou mostrar as diferenças entre esses investimentos e mostrar onde seria melhor investir.

No vídeo abaixo, gravei minha tela para mostrar na prática como eu faria essa escolha e que contas faço para decidir.

Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado tem esse nome porque é informada a taxa de lucro (retorno) na hora em que se investe.

É só aguardar a data de vencimento e pegar seu dinheiro de volta com a rentabilidade combinada.

No site do Tesouro Direto há títulos do Tesouro Prefixado com rentabilidades excelentes, que passam dos 9% ao ano.

Se você investisse R$ 100 mil em um desses títulos, como mostrei no vídeo acima, e resgatasse em 2026, teria quase R$ 140 mil já descontados todos os impostos e taxas.

É sempre bom lembrar que não é necessário investir tudo isso. O investimento mínimo no Tesouro Direto é de a partir de R$ 30.

Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA não conta com toda essa previsibilidade na hora de investir, mas ele traz uma segurança extra que o Prefixado não tem: garante uma rentabilidade real acima da inflação, independentemente se a inflação for zero ou 150 mil por cento ao ano!

Hoje, a inflação está ao redor de 6% ao ano e já incomoda muito, não é? Proteger seu dinheiro do efeito corrosivo da alta de preços é uma ótima ideia!

No app do Tesouro Direto dá para ver que há títulos que chegam a ter rentabilidade de IPCA mais um prêmio que passa dos 4% ao ano.

Isso quer dizer que se você investisse os mesmos R$ 100 mil do meu exemplo anterior em um desses títulos com vencimento em 2045, e nunca mais fizesse nada, considerando que a inflação média seja de 5% todo ano, no dia do vencimento você teria mais de R$ 700 mil já descontados todos os impostos e as taxas.

Esses investimentos podem ser feitos pela plataforma da corretora de sua preferência ou diretamente pelo app do Tesouro Direto. Já fiz um vídeo mostrando o passo a passo para investir no Tesouro Direto, seja qual for a corretora que você usa, e ainda gravei a tela. Veja aqui.

Qual vale mais a pena?

Esse é o "X" da questão!

Para decidir isso, uso um truque que é olhar as projeções de IPCA lá no Boletim Focus do Banco Central, como mostrei no vídeo disponível no início deste artigo.

Hoje, as projeções de IPCA mostram que a expectativa de inflação de longo prazo é de 3,25% ao ano.

Ao comparar dois títulos de vencimentos parecidos (2026), o prefixado tem taxa de retorno garantida de 8,25% ao ano, enquanto o IPCA tem expectativa de retorno de 6,76% (somatória de IPCA esperado mais componente prefixado desse título).

Se as projeções estiverem certas, o título prefixado teria um retorno maior. Mas e se a inflação não for 3,25% em média, mas sim mais próxima do que está hoje em dia ou até de uns 10%? O Tesouro IPCA teria valido bem mais a pena, não é?

Vale lembrar que economistas erram bastante essas projeções, principalmente as de longo prazo. Eu mesmo acho que a inflação "normal" do Brasil está muito mais para 5% do que para 3% (e isso torna ambos os títulos com rentabilidades equivalentes, mostrando que o mercado tende a se equilibrar).

Como nunca temos 100% de certeza de o que vem pela frente, o mais recomendável é diversificar. Invista nos dois tipos de títulos e fique com sua rentabilidade mais protegida, aconteça o que acontecer.

Investir não é suficiente

Saber sobre tudo isso pouco importa se não sobra dinheiro para ser investido! Por isso, siga o Econoweek nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube) para acompanhar muito mais dicas de investimentos e finanças.

No vídeo abaixo a economista Yolanda Fordelone contou como conseguiu que "sobrassem" R$ 1.000 para investir todos os meses.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL