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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Quem ganha e quem perde com a inflação? Proteja-se do preço alto

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César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

18/06/2021 04h00

A inflação está deixando todo mundo revoltado! É o aluguel subindo 30% e o preço da comida que anda absurdo. Tudo isso com muita gente com o salário menor ou até desempregado.

Neste artigo, vamos te contar:

  • Por que a inflação subiu tanto (com gráficos e exemplos no vídeo acima).
  • Quem ganha e quem perde com isso.
  • Como se proteger da inflação com investimentos e outras técnicas do Econoweek.

Por que a inflação subiu tanto?

Com escândalos de corrupção acumulados na última década e erros de política econômica, a inflação não era um grande problema. Afinal, em crise há aumento do desemprego e perda de renda, o que é um fator de desaquecimento da demanda e diminuição da pressão nos preços diante do consumo enfraquecido.

No vídeo acima, mostramos em gráficos a trajetória dessa atividade e da inflação.

Hoje, o nível da economia medido pelo PIB ainda é o mesmo de 2014 e estamos vivendo a crise da pandemia. Então, por que a inflação voltou a ser um problema?

Escassez de oferta

No auge da pandemia de 2020, a dificuldade de logística e restrição de circulação de pessoas (mão de obra) ocasionou dificuldade para entregar os produtos vendidos, o que levou à alta de preços.

Em um exemplo bem caricato, houve situações em que empresas não encontravam embalagens de papelão para os produtos vendidos e precisaram recorrer ao papel branco, que é mais caro. Essa alta de custos foi repassada para os preços finais.

Apesar da demanda mais fraca, a dificuldade de se encontrar os produtos desejados fez os preços aumentarem.

Quem não se lembra da alta do álcool em gel ou da dificuldade de encontrar papel higiênico em 2020?

Dólar caro

Em crises, ativos considerados seguros são os preferidos dos investidores, e o dólar é um desses ativos. Com o aumento dessa migração de outros investimentos para o dólar e títulos americanos, a moeda dos Estados Unidos ficou mais cara.

Com isso, as commodities, como soja e petróleo, cotadas em dólar, ficaram mais caras para o brasileiro.
Isso encareceu principalmente os alimentos e qualquer outra coisa que precisasse ser transportada, afinal, a gasolina, derivada do petróleo, ficou mais cara.

Países ricos se recuperam

Algumas economias fortes, como Estados Unidos e China, fizeram a lição de casa e vacinaram a população, favorecendo o retorno à normalidade e o reaquecimento da economia local.

Soma-se a isso que os bancos centrais e governos desses países fizeram forte injeção de liquidez durante a pandemia que, traduzindo do economês, significa que deram bastante dinheiro aos mais pobres, ajudaram os empresários que passavam por dificuldade, baixaram os juros e recompraram títulos públicos para injetar mais dinheiro na economia.

Tudo isso reaqueceu a economia mais rápido que o esperado e produtos brasileiros (principalmente commodities) passaram a ser mais exportados para esses lugares.

Mais um fator de alta de preços, não só no Brasil como no mundo todo.

Quem perde com isso?

Você! A alta de preços das coisas faz com que você consiga comprar muito menos com o mesmo dinheiro, ou tenha que gastar mais para continuar comprando as mesmas coisas.
E aposto que seu salário não subiu, não é mesmo?

Quem ganha com isso?

No curto prazo, o governo tem se favorecido da alta de preços e se promovido dizendo que as coisas estão melhorando. Mas não é bem por aí...

PIB subiu

O PIB do primeiro trimestre subiu mais que o esperado, mas a inflação inchou o PIB do agronegócio (justamente o setor que se beneficia com a alta de preços das commodities) enquanto o PIB de serviços (setor que mais emprega no Brasil) continuou encolhendo e o consumo das famílias reduziu.

Endividamento público caiu

Com a alta do PIB, a relação "dívida/PIB" ficou menor. Mas como o crescimento do PIB irá voltar para a normalidade em 2022, com crescimento não muito maior que 2%, a dívida (que é o que importa) volta para a trajetória preocupante de sempre.

Arrecadação de impostos aumentou

Esse foi outro motivo que o governo comemorou. Afinal, se a arrecadação de impostos subiu, seria sinal de que a economia está se recuperando?

Não necessariamente: a alta de preço das coisas também infla esses números!

Afinal, se os impostos e tributos "mordem" uma fatia de tudo que é comercializado, com o preço mais alto das coisas a arrecadação também sobe.

Tudo passa

Mas não se engane! Tudo isso é passageiro!

Com a alta de juros (Selic) para controlar a inflação, a demanda novamente será pressionada para baixo, o endividamento público subirá com as taxas de títulos públicos mais altas e a atividade econômica sofrerá com sustentação do desemprego nos níveis mais altos que observamos atualmente.

A inflação não é solução para nada! Ela é um mau que deve ser combatido.

Como se proteger da inflação?

Há um tipo de investimento do Tesouro Direto, chamado Tesouro IPCA, que garante rentabilidade igual à inflação mais um bônus, de modo que seu investimento sempre terá um retorno realmente positivo, ou seja, acima da inflação.

No vídeo do topo desse artigo, mostramos outros exemplos. Vale a pena assistir!

Além disso, é momento de apertar ainda mais os cintos e fazer compras mais racionais, pesquisando preços e eventualmente fazendo um pequeno estoque de itens em promoção, como também explicamos no vídeo.

Outro investimento que pode proteger da alta de preços o investidor pouco mais experiente é o FII. Conhece?

São os fundos de investimentos imobiliários, que oferecem normalmente rendimentos mensais como o aluguel, e os contratos dos ativos desses fundos costumam ser reajustados por índices de preços. Exatamente como comentamos no vídeo abaixo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL