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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cashback em cartões: vale ou não a pena aderir?

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

03/08/2021 04h00

Em um ano em que as compras online avançaram consideravelmente, diversas empresas lançaram cartões com cashback. Há alguns meses, a corretora XP anunciou seu cartão de crédito e, mais recentemente, foi a vez do Nubank se lançar nesse mercado.

O valor recebido em cashback em ambos os cartões é investido nas plataformas. Assim, tais cartões têm um insight interessante: mexem com as finanças comportamentais. Associam algo que as pessoas costumam gostar (comprar produtos) com algo associado a esforço (investir).

Mas será que do ponto de vista financeiro o retorno vale a pena? A resposta é: depende. A coluna, assim como o vídeo abaixo, fez algumas simulações.

Quanto rende o cashback?

Vamos considerar o rendimento de 200% do CDI, uma taxa de juros que atualmente está em 4,15% ao ano. No caso do Nubank há cobrança de tarifa de R$ 49 caso a pessoa gaste menos que R$ 5 mil ou não tenha investido na instituição no mínimo R$ 150 mil. Por isso, vamos considerar dois perfis.

O primeiro é o da Fernanda, uma pessoa que tem gasto mensal no cartão de R$ 5 mil e, portanto, é isenta da anuidade. Como o cashback é de 1%, todos os meses ela tem um retorno de R$ 50 para o investimento. Ao fim de dez anos, teria acumulado R$ 9.208, já considerando os rendimentos.

Já o Carlos gasta um pouco menos, R$ 4 mil por mês. Tem assim um cashback de R$ 40 por mês e tarifa de R$ 49. Ao fim de 10 anos, teria juntado R$ 1.486.

E se eles investissem no mercado?

Há pelo menos dois cenários: o da pessoa que já tem a reserva de emergência e aqueles que ainda estão formando o colchão de segurança.

Se a pessoa já tem a reserva, pode ir para uma renda fixa que não tenha liquidez diária. Isso porque, se tiver algum imprevisto já possui reservas para cobrir.

Nesse caso, o melhor CDB de baixas quantias na data da publicação da coluna era de 10,38% ao ano. Se Fernanda investisse R$ 50 por mês, acumularia R$ 10.277 em dez anos. Já Carlos, investindo R$ 40, teria um ganho maior em relação ao valor acumulado em cashback (R$ 1.486), então, juntaria R$ 8.222 em uma década. A diferença maior para Carlos se dá porque no CDB não há tarifa.

Ou seja, do ponto de vista de rentabilidade, dá para achar opções melhores no mercado. A não ser que a pessoa queira se manter mega-conservadora e investir no Tesouro Direto.

O segundo cenário seria o da pessoa que ainda está formando a reserva. Nesse caso, especialistas costumam apontar o Tesouro Selic e contas remuneradas como sendo boas opções.

No caso de uma conta remunerada que pague os mesmos 200% do CDI, para Fernanda não haveria diferença entre ficar no cartão do Nubank ou ir para o mercado. No caso de Carlos, ele teria acumulado R$ 7.366 em dez anos.

Cashback não vale a pena?

Ainda que haja maior acúmulo de dinheiro caso a pessoa aplique no mercado, nem todos têm a disciplina de investir todos os meses, ainda mais quando estamos falando de um cenário tão longo como dez anos.

Além disso, vale lembrar que no caso do cashback é um dinheiro que foi economizado na compra e não um esforço extra de economia que a pessoa deve fazer para conseguir investir.

No melhor dos mundos, o ideal é ter um bom cashback, mas não apostar todas as fichas ali, ou seja, ter a disciplina de investir outras economias do dia a dia em opções do mercado.

No vídeo acima fizemos a simulação comparando com o Tesouro Direto. Abaixo, mais um conteúdo no qual explicamos como funciona o cashback.

Você acha interessante aliar cashback e investimentos? Comente abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL