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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Medo de investir? Veja como perder o receio

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

31/08/2021 04h00

Ouvimos falar sobre tantos golpes e pirâmides financeiras que ficamos com a impressão de que é bem arriscado investir. Também nos lembramos de profissionais - gerentes ou agentes autônomos - que no fim das contas ganham dinheiro quando nos vendem produtos e imaginamos que, mesmo investindo em algo que seja regularizado, podemos pegar maus investimentos.

Pois é, existem muitas ciladas por aí, mas também muitas boas opções. A coluna de hoje explica como investir é seguro e dá dicas para perder o medo.

Risco de crédito

Antes de falar como perder o medo, cabe apontarmos os principais tipos de risco dos investimentos.

Em geral, as pessoas começam a aplicar pela renda fixa, ou seja, em um título público do Tesouro Direto, um CDB ou na caderneta de poupança. Nessa aplicação, o risco mais falado é o de crédito.

Esse risco representa a possibilidade de você não receber seu dinheiro de volta. Toda renda fixa é uma espécie de empréstimo. No Tesouro Direto, você empresta dinheiro para o governo. Nos CDBs, para os bancos. Nas debêntures, para empresas privadas.

Em todos eles, quem pegou o dinheiro se compromete a devolvê-lo com juros em uma data futura.

O risco de crédito é justamente a instituição ter um problema financeiro mais à frente e acabar dando um calote em seus investidores.

Cabe destacarmos duas informações:

  1. No Tesouro Direto, o risco de crédito é bem baixo, afinal você está emprestando dinheiro para o governo. Não é indicado, mas em último caso, ele até poderia imprimir dinheiro para pagar a dívida.
  2. Em outras aplicações - como CDBs e LCIs - há um colchão de garantia: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se você tem até R$ 250 mil em um CDB, por exemplo, está protegido caso o banco decrete falência.

Fizemos um outro conteúdo explicando o funcionamento do FGC.

Para minimizar esse risco é só pensar em seu grupo de amigos e parentes. Você emprestaria dinheiro para qualquer um? Emprestaria para aquele amigo enrolado que vive inventando negócio que dá errado? Provavelmente não.

Mas talvez emprestasse para um tio que já empreende, está ganhando dinheiro e precisa de uma ajuda para abrir uma segunda loja.

Outros tipos de risco

Outro risco que tira o sono de muita gente é o de mercado ou de oscilação, o famoso sobe e desce do mercado. Ouvimos falar muito nele quando pesquisamos sobre ações e fundos imobiliários.

Essas aplicações são negociadas na bolsa de valores e mudam de valor todo dia, às vezes, a todo minuto. Nesse caso, o risco é você comprar algo e depois de um tempo o investimento cair e passar a valer menos.

Nesse caso, para tentar minimizar o perigo, é importante investir em empresas em que realmente acredita, aquelas que estejam crescendo, que tenham planos claros, uma boa gestão, entre outros fatores positivos.

Outro fator a ser observado é o risco de liquidez, ou seja, o perigo de você precisar do dinheiro por algum motivo ou quiser vender seus investimentos, mas: não conseguir, demorar para conseguir ou ter de baixar o preço para conseguir vendê-los.

É bem simples: basta imaginar o mercado de carros. Há veículos mais procurados por estarem na moda. Com certeza, não haverá tanta dificuldade para vender esses veículos. Há também aqueles antigos, cujas peças saíram de circulação. Torna-se uma verdadeira dor de cabeça achar comprador para eles.

Assim como no mercado de carros, o melhor caminho é pesquisar previamente o investimento. Você pode procurar saber, por exemplo, se tem muito negócio com o fundo imobiliário que está pensando em comprar.

Se for pegar algo que não tenha liquidez diária, pode casar a data do saque do investimento com o seu objetivo. Um exemplo: se vai sair da casa dos pais daqui dois anos, um investimento com essa data seria o mais indicado.

Por fim, há ainda o risco regulatório, ou seja, da regra do jogo mudar. Um caso recente foi o de dividendos e fundos imobiliários. Na proposta inicial da reforma tributária estava sendo debatido um imposto de renda nos ganhos de ambos que hoje em dia são isentos.

Como se livrar do medo de investir?

O primeiro passo é se perguntar por que você tem medo de investir: é o sentimento de ser passado para trás, o receio de cair numa pirâmide ou medo de perder dinheiro?

Quando entender o porquê, vá atrás de informações que tirem a pulga atrás da orelha. Contra pirâmides, verifique se a instituição está cadastrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por exemplo. Esse é o segundo passo: procurar informações para responder às dúvidas que assustam você.

O terceiro passo é se lembrar de algo que lhe causava medo quando era criança. Quando tinha medo de escuro, por exemplo, perdeu esse receio deixando uma luz acessa durante a noite.

Você pode testar aos poucos esse seu receio. Faça o cadastro em uma corretora ou banco digital e veja quais investimentos disponíveis. É de graça!

Além disso, o passo é importante por dois motivos:

  1. Você entende as possibilidades de investimentos;
  2. Quando vê as aplicações acabam surgindo dúvidas e é a partir delas que o seu conhecimento evolui.

Pode parecer mais fácil ficar ali na zona de conforto. Tudo bem, pois você ganha tempo livre se não fizer nada agora, mas o ônus disso é seu futuro: se não quiser o trabalho de investir bem seu dinheiro agora, vai ter de viver o resto da vida trabalhando para conquistar o que quiser.

Já teve receio de investir? Comente aí embaixo ou nas redes sociais do Econoweek (Instagram ou YouTube).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL