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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Conheça oportunidades e ciladas para quem está começando a investir

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

16/09/2021 04h00

A gente ouve falar sobre Bolsa em alta, a chegada de novas empresas via IPO, e logo pensa: "está todo mundo ganhando dinheiro menos eu". Se você chegou a esta coluna é porque quer multiplicar suas economias, mas antes precisa do primeiro passo: formar a reserva de emergência, uma espécie de colchão com o qual você vai poder contar se precisar.

Mas o que será adequado (ou não) para esses primeiros investimentos? A coluna explica abaixo.

O vídeo acima, inclusive, faz parte de uma nova série chamada "Meu Primeiro Investimento", voltada a quem está começando no mercado.

A reserva de emergência também leva o nome de reserva de segurança ou de paz, justamente porque tem o objetivo de ser uma boia salva-vidas na hora do aperto. É aquele dinheiro que você guarda e investe para lidar bem com imprevistos, que no fundo são previstos porque todo mundo tem um problema uma hora ou outra.

Vamos supor que você fique desempregado. A quantia guardada serviria para você pagar as contas enquanto procura outro emprego, sem desespero nem se endividar.

Também serve para situações boas: se conseguir uma bolsa de estudos em outro país e precisar comprar passagem, é a reserva que ajuda a fechar a conta.

Em geral, ela equivale de 6 a 12 meses do custo de vida. Ou seja, se em média você gasta R$ 4 mil por mês, ela deveria ser de no mínimo R$ 24 mil (seis vezes quatro), podendo chegar a R$ 48 mil (doze vezes quatro).

Cada caso é um caso. Se você é autônomo e tem muita mudança mensal na renda, talvez queira ter uma reserva maior. Se é funcionário público e tem estabilidade de emprego, pode se sentir confortável com um colchão menor.

Importância da reserva de emergência

A reserva ajuda em ao menos três questões:

  1. Evita que, ao precisar de dinheiro, a pessoa recorra a créditos, ainda mais os mais fáceis e caros, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito.
  2. Também evita o saque de investimentos que eventualmente não estejam em um bom momento. Um exemplo são as ações que vivem um constante sobe e desce. Se tiver de sacar os recursos em um momento de baixa, o investidor assumirá prejuízo.
  3. Dá tempo para que a pessoa resolva o problema com calma. Se ficar desempregado, por exemplo, não precisará aceitar a primeira oferta de emprego.

Características e ciladas da reserva

Nem todo investimento vale a pena quando estamos falando dos primeiros passos. É preciso observar três características.

A primeira é a liquidez, ou seja, o dinheiro precisa estar disponível quando você precisar. No mercado, aplicações com liquidez no vencimento costumam ter maiores retornos, mas para quem está começando isso pode ser uma pegadinha. Afinal, se o dinheiro da emergência serve para imprevistos, você não poderá esperar para recebê-lo. Por isso, procure aplicações líquidas.

A segunda característica é a baixa volatilidade (ou previsibilidade da rentabilidade). As ações estão disponíveis para saque todos os dias, mas não são indicadas nesse caso justamente pelo sobe e desce. Você precisa saber o quanto pode contar para a sua emergência quando ela acontecer.

Por fim, a reserva precisa ter segurança, o que significa que você precisa confiar na instituição que está por trás do investimento. É um dinheiro importante que servirá para você resolver problemas.

Mapa do mercado

Unindo útil ao agradável, muitas aplicações de renda fixa atendem aos três critérios para formar a reserva de emergência. Na renda fixa, você já sabe no momento de contratação o quanto vai ganhar: se é um juro fixo ou se ele segue algum indicador como o CDI ou Selic, as duas taxas mais usadas como referência.

Geralmente, também há liquidez. Perceba que escrevi "geralmente", pois pode haver ciladas. Sempre verifique se a liquidez é diária.

A renda fixa também reúne segurança porque muitos papéis são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em até R$ 250 mil.

O Tesouro Selic, título público do Tesouro Direto, é um bom exemplo. Nesta aplicação, é para o governo que o investidor empresta dinheiro. Em outras palavras, é considerado seguro, pois o risco de calote é baixo.

Também é líquido porque o saque pode ser feito a qualquer momento. Além disso, é previsível (segue a taxa Selic) e pouco volátil.

CDBs com liquidez diária são outra opção, mas, neste caso, o empréstimo está sendo feito a um banco. Há cobertura do FGC se o banco emissor tiver problemas como uma falência. Também pode haver liquidez diária.

Um ponto de atenção diz respeito às contas remuneradas. Tais contas digitais aplicam o dinheiro do investidor em CDBs ou no Tesouro Direto e oferecem ótimas taxas de retorno.

O cuidado é não misturar o dinheiro do dia a dia, aquele usado para fechar o mês, com a reserva. Nas contas digitais, o investimento fica muito facilmente acessível e, assim, pode ser gasto sem que a pessoa perceba. A dica é fazer duas contas caso vá fazer a reserva de emergência por ali.

Você já formou sua reserva de emergência? Comente aqui se já juntou a grana ou se ainda está começando. O Econoweek também está no Instagram ou YouTube.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL