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Tudo mais caro no mundo? Onde investir com os impactos da inflação mundial?

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César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

19/10/2021 04h00

A pandemia desorganizou a cadeia produtiva global com pessoas não podendo trabalhar e, em efeito cascata, todas as entregas se atrasaram, causando escassez de produtos. E isso ainda não se normalizou!

Apesar de causar desemprego e perda de renda, a oferta está prejudicada e a demanda está voltando à normalidade, gerando essa pressão de alta de preços.

Segundo o último relatório do FMI, em todo o mundo os preços dos alimentos aumentaram cerca de 40% durante a pandemia, um desafio particularmente difícil para os países de baixa renda, onde esses itens representam uma parcela considerável dos gastos de consumo.

Um dos motivos mais fundamentais da alta de preços é a inflação dos combustíveis devido à desorganização produtiva em descompasso com a demanda: tudo que é transportado fica mais caro e repassado para o consumidor final.

Isso só deve se normalizar depois que todo mundo estiver totalmente vacinado, mas isso está longe de acontecer.

A meta do FMI e do Banco Mundial para as coisas começarem a voltar ao normal é que tenhamos pelo menos 40% da população mundial totalmente vacinada no máximo até o fim de 2021 e de 70% até o fim de 2022.

No Brasil, apesar de muita confusão, a vacinação avança, mas alguns países mais pobres penam. Atualmente, o mundo está pouco mais de 30% vacinado, mas a África ainda não chega aos 5%.

Por que a inflação é maior no Brasil?

Por aqui há alguns agravantes:

A crise hídrica faz a energia elétrica subir mais do que no resto do mundo. Não é só a conta de luz da sua casa que ficou mais cara.

As fábricas estão pagando mais caro e até o agronegócio, que usa muita energia, está pagando mais caro na conta de luz.

E tudo isso é repassado para você!

A confusão política e perspectivas de aumento de gastos com vistas às eleições de 2022, quando deveríamos reduzir despesas, fazem do Brasil um país mais arriscado, afugentando investidores.

Com isso, o dólar sobe e tudo o que já está caro no resto do mundo e é cotado em dólar (carne, commodities alimentícias, petróleo, etc.) fica ainda mais caro no Brasil.

Imagine esse exemplo bem real: a fábrica de celulares aqui no Brasil recebe componentes importados que já estão mais caros por causa da desorganização produtiva, paga ainda mais caro por causa do dólar em alta, gasta mais com a conta de luz, paga mais para transportar isso até você.

É inflação bombando na veia!

E tudo é repassado para o consumidor final: você, de novo!

A inflação vai subir ainda mais?

O FMI não espera que a inflação suba muito mais, mas aponta que estamos por um fio de perder o controle disso.

Lembre-se de que há bem pouco tempo, nós, os economistas, falávamos que a inflação ia passar logo, mas ela já está durando muito mais do que o previsto.

Outro problemão é que a gente não tem muito o que fazer para combater essa inflação.

Resumidamente, as ferramentas de alta de juros (como a Selic) servem para combater a inflação de demanda, encarecendo o custo do crédito e gerando menor consumo.

Mas a inflação de agora é de outra natureza: desorganização da cadeia produtiva (ou seja, inflação de oferta).

A solução para isso é vacinar muita gente o mais rápido possível, mas já está bem claro que isso é um enorme desafio.

Onde investir diante da inflação mundial?

Com a inflação global, que é ainda maior no Brasil devido às nossas particularidades e aos problemas comentados acima, as taxas de retorno dos investimentos de renda fixa subiram muito devido ao aumento dos prêmios de risco e podem representar ótimas oportunidades de investimentos para os que conseguiram poupar nesses tempos difíceis.

Afinal, a esperança é que as coisas se resolvam no Brasil e no mundo, de modo que investir agora pode garantir taxas de retorno "bem gordinhas" que ficarão mais escassas quando houver menor aversão ao risco.

A título de exemplo, alguns títulos de renda fixa com vencimentos mais longos tiveram suas taxas médias elevadas de 7,2% em dezembro de 2020 para mais de 11% ao ano na consulta mais recente que mostrei no vídeo acima.

Por isso, a começar pelo Tesouro Direto e passando pela renda fixa privada, podem haver ótimas oportunidades de aplicações prefixadas e atreladas ao IPCA, cujos bônus de rentabilidades pagas acima da inflação também cresceram bastante. Mostrei todas essas oportunidades no vídeo do topo deste artigo. Vale a pena conferir!

Quanto rende R$ 200, R$ 500 e R$ 1 mil no Tesouro Direto?

Falando do aumento da rentabilidade dos investimentos de renda fixa, gravei minha tela e compartilhei simulações de diferentes aplicações do Tesouro Direto, cujas rentabilidades dobraram recentemente! Veja abaixo.

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