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Tesouro Selic: conheça o Tesouro Direto que pode ser bom para toda carteira

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

11/11/2021 04h00

De cada R$ 10 investidos no Tesouro Direto, quase R$ 4 vão para títulos do Tesouro Selic. Isso porque as vendas do Tesouro Selic representam quase 40% do total do Tesouro Direto, segundo dados do último balanço divulgado.

Se esse investimento é tão popular no Tesouro Direto, é sobre ele que vamos falar no segundo conteúdo da série Mapa do Tesouro Direto. A coluna também traz o vídeo abaixo, que conta quanto iria render uma aplicação de R$ 100 por mês nesse investimento.

Ao investir no Tesouro Selic, assim como em outros títulos do Tesouro Direto, você empresta dinheiro ao governo e este se compromete a devolver o valor na data de vencimento, claro, acrescido de juros.

A característica do Tesouro Selic é que esse juro é variável. Ele muda conforme a Selic, a taxa básica de juros do país. Quem define a meta dessa taxa é o Banco Central, na chamada reunião do Copom. São oito reuniões ao longo do ano.

Se a Selic subir, significa que o título vai acompanhá-la e render mais. Pelo contrário, se ela cair, o rendimento ficará um pouco menor. Sempre vale lembrar: você não perde dinheiro, ele só passa a render um pouco menos.

Para ficar ainda mais claro, quando comecei a investir a Selic estava em 15% ao ano. Por isso o Tesouro Selic rendia próximo a isso. Com o tempo, o juro passou a cair até chegar em 2% ao ano em 2020. Nessa fase minha aplicação não ficou negativa, apenas passou a render bem menos. Hoje em dia, a Selic voltou a ter uma tendência de alta.

Ninguém sabe muito bem em qual patamar estará a Selic daqui alguns anos, mas isso não significa que o Tesouro Selic não deva estar na sua carteira.

O Tesouro Selic é indicado para quase todo investidor por alguns motivos. O primeiro é que esse título rende mais do que a poupança. Lembre-se de que na data de publicação desta coluna a poupança rendia 70% da Selic. Ou seja, o rendimento bruto (sem contar Imposto de Renda) fica um terço abaixo do que o Tesouro Selic, que rende 100% da taxa.

Outro motivo é a maneira como esse título público rende. Sempre vale lembrar que a poupança não rende todo dia, só no aniversário de 30 dias. O Tesouro Selic é corrigido diariamente. Em outras palavras, você vai ver todo dia seu dinheiro render um pouquinho.

Justamente por essa característica é ideal para pessoas que têm planos de curto prazo ou que estão formando a reserva de emergência ou oportunidade. Ou seja, perfeito para quem quer deixar um dinheiro guardado, que pode ser usado caso surja algo não previsto ou uma oportunidade de investimento. O dinheiro dessa reserva precisa ficar facilmente disponível, algo que o Tesouro Selic proporciona.

Prazos e rendimento

Na data de gravação deste vídeo há dois prazos: 2024 e 2027. Historicamente, o Tesouro Selic era oferecido só para um prazo. Até fevereiro de 2021, por exemplo, existia só um Tesouro Selic para 2025. Você deve estar se perguntando por que agora há dois vencimentos.

Basicamente isso ocorre pela volatilidade e pelo efeito de marcação a mercado, que será tema de outra coluna.

Por ora, o que você precisa saber é que todo dia o preço do título pode mudar um pouco, principalmente se ele for um prefixado ou de inflação.

Os pós-fixados todo dia são corrigidos pelo juro Selic e, por isso, sofrem menos marcação a mercado, mas ainda assim, em momentos de muita volatilidade e incerteza, podem ter uma pequena alteração de preços.

Isso é bem raro. Em 20 anos, foram duas vezes mais expressivas em que os títulos caíram em alguns meses: em 2002, na eleição do Lula, e em 2020, na pandemia.

O fato é que o Tesouro lançou dois títulos de Tesouro Selic com prazos diferentes para diferentes estratégias. O título com vencimento mais rápido não tem tanta oscilação, mas paga um bônus acima da Selic um pouco menor. O mais longo pode oscilar mais, mas também tem rendimento ligeiramente maior.

Para investir em qualquer um dos dois, é preciso ter cerca de R$ 100.

Dúvidas sobre o Tesouro Selic? Comente aqui embaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL