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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Saiba quanto investir para viver de renda

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

05/04/2022 04h00

Imagine ganhar todos os meses R$ 1 mil, R$ 2 mil, R$ 5 mil ou até um valor maior. O sonhado "viver de renda" é o que se consegue quando o investidor coloca o dinheiro para trabalhar. Mas quanto é preciso ter para atingir isso? O vídeo abaixo faz a conta passando por três investimentos: Tesouro Direto, ações e fundos imobiliários.

Como nossa conversa hoje é sobre viver de renda, a primeira pergunta que tenho é: de quanto você precisa por mês para viver?

Essa pergunta é fundamental para saber qual será o seu objetivo de renda mensal. Para o cálculo, vamos considerar a renda de R$ 5 mil por mês. Sempre vale lembrar que os preços sobem ano após ano, de maneira que para viver por 20, 30 ou até mais anos sem trabalhar é preciso colocar isso no cálculo.

O resultado do cálculo é apenas uma estimativa para que o investidor comece o plano, mas com o tempo e elevação de custos seria necessário aumentar também o patrimônio aplicado.

Tesouro Direto

No caso do Tesouro Direto, se estamos falando de ter uma renda vitalícia, o ideal é pegar um investimento com juros semestrais, ou seja, uma aplicação que a cada seis meses paga o rendimento ao investidor. Em outras palavras, esse dinheiro será pago duas vezes por ano.

Essa é uma boa opção porque, por enquanto, o Tesouro Direto não possui alternativas com juros mensais.

Como o rendimento irá cair na conta a cada seis meses, o recomendável é deixar o dinheiro investido em algo líquido. A ideia e ir usando o dinheiro aos poucos para viver por seis meses até receber o novo pagamento.

Exemplos de investimentos que possuem liquidez diária são Tesouro Selic e contas digitais.

No Tesouro Direto, há quatro títulos com juros semestrais: um prefixado que vence em 2033 e três Tesouro IPCA, para 2032, 2040 e 2055. Fizemos o cálculo com o Prefixado 2033.

Se estamos falando de ter R$ 5 mil por mês, você precisaria receber seis vezes isso a cada seis meses, ou seja, R$ 30 mil. Para isso, seria preciso investir R$ 700 mil conforme mostrado no vídeo acima.

O valor já é líquido de Imposto de Renda.

Ações e dividendos

O segundo investimento selecionado são as ações. Ao investir no mercado acionário, você se torna sócio de uma empresa como Magalu, Petrobras, Nubank, entre outras.

Por isso mesmo, você como sócio de uma empresa recebe um pedaço do lucro, chamado de dividendo. Geralmente a distribuição é trimestral, justamente quando a empresa divulga o balanço do período. Mas também há empresas que pagam mensalmente.

Para o cálculo, foi utilizado o site Análise de Ações. A ferramenta "Simulador de dividendos" faz duas perguntas simples: o valor médio mensal que você gostaria de ganhar e em qual empresa irá investir. Você pode, inclusive, colocar mais de uma empresa para a simulação.

Ao investir em ações da Taesa, do setor de energia, seria preciso cerca de R$ 500 mil para obter a renda de R$ 5 mil todo mês. Já na Copel, precisaria de menos (R$ 332 mil no dia da simulação). Na Vale, que pagou bons dividendos nos últimos anúncios, precisaria de R$ 351 mil, metade do Tesouro Prefixado.

Ao simular, porém, é preciso prestar atenção a alguns pontos. O primeiro é que dividendo passado não é garantia de dividendo futuro. A ferramenta considera a média de dividendos pagos nos últimos meses e anos, mas como estamos falando de renda variável sempre há risco de a empresa não ir tão bem e pagar um baixo dividendos (ou nem pagar se tiver prejuízo).

O segundo cuidado é que este é um investimento de risco. O recomendável é sempre diversificar para tentar ter ovos em cestas diferentes em vez de sair aplicando tudo em uma só ação.

Fundos imobiliários

O terceiro investimento que separei são os fundos imobiliários. Para aplicar, é preciso se cadastrar em uma corretora e comprar o FII como se fosse uma ação. A pessoa se torna cotista e passa a receber quando, por exemplo, os inquilinos dos imóveis do fundo pagam aluguel.

Por lei, os fundos imobiliários são obrigados a distribuir o lucro a cada seis meses, mas quase todos pagam dividendos mensalmente. Se o fluxo for mensal, fica até mais fácil se controlar porque o investidor não irá receber uma bolada a cada trimestre ou semestre e ter que ficar administrando para o dinheiro não acabar.

Outra vantagem é que os dividendos dos FIIs são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física.

Para a conta, vamos utilizar a fórmula: juros = capital x taxa x tempo.

Para a taxa, usaremos 0,92%, que é o porcentual médio de dividendos distribuídos nos últimos 12 meses pelos maiores fundos imobiliários do mercado. O indicador é conhecido como dividend yield.

Em juros, vamos utilizar R$ 5 mil, já que é esse o valor mensal que queremos receber.

Para o tempo, vamos considerar um já que estamos falando de um período de um mês.

Ao substituir os valores na fórmula, você vai descobrir que precisaria investir quase R$ 550 mil para chegar à renda mensal de R$ 5 mil.

Qual investimento você teria? Responda abaixo para continuarmos a conversa. Vale lembrar que não precisa escolher um ou outro. Na verdade, é até melhor investir de maneira diversificada para diminuir o risco da carteira.

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