PUBLICIDADE
IPCA
0,47 Mai.2022
Topo

Econoweek

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Dólar em queda: Como investir e aproveitar este momento?

Conteúdo exclusivo para assinantes
César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

08/04/2022 04h00

O dólar "derreteu". Será que é uma boa hora para investir nisso? Neste artigo, vou falar quais são as maneiras de investir em dólar e dar minha opinião se é o momento certo para fazer cada um dos investimentos, exatamente como gravei a tela e mostrei no vídeo a seguir.

Por que o dólar está caindo?

O dólar já esteve em quase R$ 6,00 e agora está muito mais baixo, o que surpreendeu a todos.

Antes de mostrar quais são as maneiras de investir em dólar vou traduzir resumidamente os principais motivos dessa queda.

Com a Bolsa brasileira tendo sofrido bastante nos últimos anos, várias ações literalmente estão uma "pechincha" para investidores estrangeiros. Principalmente quando cotadas em dólar.

Diante do rebalanceamento de carteiras de grandes investidores, que perceberam o ciclo de aperto monetário americano e as ações que deixariam de "surfar" com os juros baixos, como Amazon, Apple e outras big techs, houve busca de oportunidades de ativos de países emergentes. E adivinha só: algumas ações brasileiras estão bem atraentes!

Adicionando a forte alta da Selic, aumentando o diferencial de juros entre nós e o resto do mundo, a renda fixa e os títulos públicos também ficaram muito tentadores.

Com tanta entrada de dólares no Brasil para investir nestas duas frentes, pela lei da oferta e da procura, o real se valorizou bastante nos últimos meses.

É claro que há outros fatores, como o encarecimento de commodities exportadas por nós, que também somam mais dólares ingressando em terreno doméstico, mas vou parar por aqui.

Chegou a hora de comprar dólar?

A primeira maneira mais óbvia de investir é comprar dólar. Mas vale a pena?

Primeiro, você tem que saber que a cotação do dólar que sai em toda notícia é a do dólar comercial. Se for comprar, terá que ir até a uma casa de câmbio e pagar o dólar turismo, que costuma ser entre 20 e 30 centavos mais caro, por incluir impostos, taxas e o serviço de entrega do dinheiro.

Pelos mesmos motivos, na hora de vender também vai receber entre 20 e 30 centavos a menos que a cotação do dólar comercial.

Pensando nisso como investimento, você precisaria comprar dólar por um determinado valor e vender por pelo menos 40 a 60 centavos a mais só para sair no "zero a zero", exatamente como mostrei na conta do vídeo do topo deste artigo.

Considerando o nível de dólar atual, para ganhar uns 13 ou 14% em um ano, que seria pouco acima da Selic, o dólar teria que subir pelo menos uns 80 centavos.

Qual é a chance de isso acontecer? Ninguém sabe.

Não recomendo investir em dólares dessa maneira, que não rendem nada e ficam guardados sem nenhuma camada de segurança.

Como investir no Tesouro americano?

Investir no "Tesouro Direto americano" já começa a ficar mais interessante que comprar dólar e guardar em casa.

Você não vai mais pagar a cotação do dólar turismo, que é muito mais caro, e ainda vai deixar a grana rendendo.

Para investir direto nas Treasury Bonds americanas, como são chamados os títulos do Tesouro Direto dos Estados Unidos, você vai precisar converter e mandar a grana para lá, usando serviços de empresas como Remessa Online ou Avenue, que cobram suas taxas e é necessário pagar o IOF.

O segundo ponto é que o juro lá dos Estados Unidos está começando a subir, mas ainda está abaixo de 1%, enquanto aqui no Brasil já chegou à casa dos 12%.

Mesmo que o juro americano ainda suba bastante, ninguém aposta que ele chegará aos 2% ao ano.

Considerando que sua fonte de renda e seus custos de vida são em reais, bem como o diferencial de juros, essa aplicação não vai chegar nem perto do que a renda fixa anda pagando por aqui.

Adicione-se a isso o fato de contar com a volatilidade cambial, um risco adicional para sua operação.

Então, eu também não acho que esse é um bom negócio, principalmente porque há muita imprevisibilidade.

Como investir em ações estrangeiras?

Outra maneira de indiretamente investir em dólar é aplicando a grana em ações americanas, tipo Apple, Amazon, Tesla e várias outras.

Para investir diretamente nisso, ou seja, colocar a grana na Bolsa americana, dá para usar corretoras como a Avenue e a Nomad, ou ainda investir em BDRs e ETFs por aqui.

A BDR é uma representação de uma ação gringa aqui na Bolsa brasileira.

ETF é um fundo negociado aqui na nossa Bolsa e funciona assim: você compra um ETF e de uma vez só acaba aplicando em várias ações gringas ao mesmo tempo. Tudo sem sair do Brasil e direto pela corretora que já está usando.

Há ETFs de títulos públicos americanos e de várias empresas estrangeiras.

Agora, a pergunta é: vale a pena investir nisso?

Depende. As ETFs costumam ser mais seguras e práticas do que as ações estrangeiras, que também são ótimos investimentos, mas não dá para investir indiscrimidamente, sem entender o que está fazendo e, principalmente, contando com lucro rápido. Desta maneira, os riscos ficam muito maiores.

Se ainda está começando a investir no Tesouro, em CDB e conta remunerada, talvez não seja a hora de partir para as ações. Se mesmo assim você quer investir, pelo menos comece colocando uma grana que não vai fazer falta.

Como investir em ETFs?

Caso você já tenha a reserva de emergência em dia, entenda de CDB, LCI e outras aplicações de renda fixa, bem como já está investindo em fundos imobiliários e ações, daí sim pode ter chegado a hora de internacionalizar parte da sua carteira e aproveitar a queda do dólar para investir fora do Brasil.

Há centenas de ETFs, como WRLD11, ALUG11 e USTK11, que investem em empresas internacionais, no mercado imobiliário americano e em empresas de tecnologia de liderança global, exatamente como mostrei no vídeo logo abaixo.

É de graça! Faça parte da comunidade Econoweek nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube) para acompanhar mais dicas de inteligência financeira como essa.