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José Paulo Kupfer

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Economia dá suspiro em novembro, mas segue sem força para crescer em 2022

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José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito ?Jornalista Econômico de 2015? pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

17/01/2022 17h33

O setor de serviços, principalmente as atividades relacionadas com tecnologia da informação, deram um suspiro para a economia em novembro, na medição do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), calculado mês a mês pelo Banco Central. Mas a tendência de crescimento não registra qualquer impulso mais duradouro ou consistente.

Com alta de 0,7%, o IBC-Br interrompeu em novembro uma tendência negativa já longa. Foram quatro meses seguidos de queda, de julho a outubro. Com o dado de novembro, o IBC-Br acumulou alta de 4,3%, em 12 meses.

O suspiro do IBC-Br de novembro reflete atividade desequilibrada. Um exemplo é o setor de veículos. A produção, que enfrenta problemas na oferta, por interrupção no suprimento de peças, subiu vigorosos 23% em novembro, mas permanece 30% abaixo do nível pré-pandemia, ou seja, no bimestre janeiro-fevereiro de 2020.

Quanto aos serviços, que puxaram a atividade - e o IBC-Br - de novembro, com alta de 2,5% no mês, concentraram o resultado positivo no segmento de serviços de informação, com ênfase em serviços de internet. O segmento respondeu por cerca de 60% da alta observado em todo o setor de serviços.

Todas as projeções para dezembro, o fechamento dos números de 2021 como um todo e para o conjunto de 2022 apontam expansão modesta e, no caso do ano que está começando, até mesmo recessão. Projeta-se alta em torno de apenas 0,2% no IBC-Br de dezembro, permitindo prever que o PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado fechará em torno de 4,5%-4,7%.

Isso significa que a economia, em 2021, refletiu apenas uma recuperação cíclica, depois do mergulho de 3,9% de 2020, consumindo o impulso positivo de 4,9% deixado pela atividade, que acelerou, temporariamente, no fim do ano passado. Se confirmada a expansão prevista para o ano, significará que a economia desperdiçou, com recessão, parte do impulso herdado de 2020. Já o impulso para 2022 ("carry over", na expressão em inglês e no jargão de economistas), segundo cálculos praticamente consensuais, será negativo, ao redor de 0,5%.

No Boletim Focus mais recente, divulgado nesta segunda-feira (17), a previsão para o crescimento da economia neste ano subiu ligeiramente, de 0,28%, na semana passada, para 0,29% nesta agora, depois da melhora indicada pelo IBC-Br em novembro. Os mais influentes analistas do mercado, contudo, mantêm projeções de recuo da economia em 2022 em relação a 2021, nas vizinhanças de 0,5%.

Convalescente dos freios impostos pela pandemia, a economia voltou a enfrentar dúvidas em relação ao seu comportamento futuro, com a disseminação acelerada da variante ômicron do coronavírus. Não só há riscos de novas interrupções, tanto na produção quanto no consumo, com o aumento de internações e lotação das unidades de saúde, ainda que a vacinação tenha reduzido a gravidade dos sintomas e de mortes. Também o ambiente econômico permanece carregado, dificultando retomada de negócios e as decisões de investimento.

Essas dificuldades são reforçadas pelas instabilidades políticas promovidas por atitudes do próprio presidente Jair Bolsonaro, às quais se somam incertezas reinantes na política econômica. Além disso, o lado externo tem aparecido gradativamente menos favorável.

Está em curso um movimento de alta nas taxas de juros externas, comandado pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano), que resulta em valorização do dólar ante outros moedas. Esse quadro torna ainda mais complicada para o Banco Central a tarefa de conduzir a política de juros no sentido de conter a alta de preços e manter as cotações do dólar menos voláteis sem bloquear em excesso os canais de crescimento da atividade econômica.