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Bolsa tem queda de mais de 14% após 2ª parada temporária no dia; dólar sobe

Do UOL, em São Paulo

12/03/2020 09h10Atualizada em 12/03/2020 17h23

A Bolsa de Valores operava em queda de mais de 14%, após duas interrupções temporárias no mesmo dia. É a primeira vez na história que a Bolsa é suspensa em três dias da mesma semana. Os mercados do mundo todo operam em forte queda, após os EUA restringirem viagens por causa do novo coronavírus.

Por volta das 16h15, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 14,21%, aos 73.071,48 pontos, mesmo após ter acionado duas vezes o "circuit breaker", mecanismo automático que interrompe os negócios temporariamente em casos de grande instabilidade no mercado.

O dólar comercial operava em alta de 2,06%, a R$ 4,818 na venda, após subir mais de 6% e superar a marca de R$ 5 pela primeira vez na história, pouco depois das 9h. Houve atuação reforçada do Banco Central no mercado de câmbio.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Bolsa suspensa 2 vezes hoje

A Bolsa abriu as negociações às 10h e, por volta de 10h25, o Ibovespa despencava 11,65%. As negociações foram suspensas por 30 minutos. Ao voltar a operar, as quedas aceleraram, e a Bolsa foi suspensa novamente, por volta das 11h15, ao atingir queda de 15,43%. A segunda suspensão durou uma hora. Por volta de 12h18, a Bolsa voltou a operar de novo.

É a terceira vez nesta semana que a Bolsa interrompe temporariamente as negociações. O "circuit breaker" também foi acionado na Bolsa brasileira na segunda-feira e na quarta-feira.

Trump restringe viagens

O mercado tinha hoje um novo dia de tensões, após o presidente norte-americano, Donald Trump, restringir viagens da Europa para os Estados Unidos, agravando as preocupações sobre o impacto econômico do novo coronavírus.

Ele afirmou que os EUA vão suspender viagens de estrangeiros da Europa para os EUA pelos próximos 30 dias. As restrições começam amanhã (13), a partir da meia-noite, e não se aplicarão ao Reino Unido.

Com a medida de Trump, passageiros com viagem agendada terão de remarcar voos e o comércio internacional fica comprometido, elevando os riscos de uma recessão econômica.

"Hoje, os mercados financeiros dão sequência ao caos instalado em função da expansão do coronavírus pelo mundo", disse em nota a Correparti Corretora. "Ontem, a OMS reconheceu a enfermidade como uma pandemia, o que serviu para aprofundar o sentimento de fuga do risco pelos investidores. Além disso, a proibição dada pelo presidente norte-americano (...) serve para aprofundar ainda mais o desmonte dos mercados."

BC reforça intervenção no mercado

A disparada do dólar logo no início da manhã aconteceu apesar do anúncio do Banco Central de leilão à vista de até US$ 2,5 bilhões para hoje, cancelando o anúncio de venda de até US$ 1,5 bilhão feito no dia anterior.

Diante da alta de mais de 6%, o BC reforçou a venda de reservas à vista, anunciando leilão de mais US$ 1,25 bilhão.

No Brasil, gastos públicos preocupam

O governo brasileiro estuda editar uma medida provisória para buscar a liberação de R$ 5 bilhões para reforçar a estrutura do Ministério da Saúde no combate à covid-19 coronavírus, de acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Nesta quinta pode ocorrer uma reunião entre Alcolumbre, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para definir a melhor maneira de liberar os recursos.

As discussões sobre o combate ao coronavírus ocorrem após o Congresso Nacional derrubar na tarde de ontem (11) o veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada). A derrota imposta pelos parlamentares deve impor um gasto extra de R$ 20 bilhões.

(Com Reuters)

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