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Bolsa despenca 12% mesmo com parada, em dia tenso; é maior queda desde 1998

Do UOL, em São Paulo

09/03/2020 17h02Atualizada em 09/03/2020 17h56

A segunda-feira (9) foi um dia de caos nos mercados globais e aqui no Brasil, com uma guerra no preço do petróleo somando-se aos efeitos do surto de coronavírus. Apesar de uma suspensão temporária pela manhã, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou com forte queda de 12,17%, aos 86.067,20 pontos —mesmo nível de dezembro de 2018, antes de Jair Bolsonaro assumir a Presidência. É a maior queda percentual diária desde setembro de 1998, ano marcado pela crise financeira russa. As ações da Petrobras lideraram as perdas, com um tombo de quase 30%.

A Bolsa brasileira teve as negociações suspensas durante 30 minutos por volta das 10h30 após despencar na manhã desta segunda-feira (9). A interrupção é um mecanismo automático, chamado de "circuit breaker", acionado quando há uma queda de mais de 10%. Isso não acontecia desde maio de 2017, quando Michel Temer foi acusado pelo empresário Joesley Batista de integrar um esquema de corrupção. Após a interrupção, a Bolsa voltou a operar em forte queda, mas não chegou a passar de 15%, limite necessário para uma nova parada.

O dólar comercial fechou em alta de 1,97%, a R$ 4,726 na venda. Este é o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real. O dólar subiu forte mesmo após o Banco Central ter feito uma intervenção reforçada no mercado de câmbio (leia mais abaixo).

O dia foi de caos nos mercados mundiais, com o derretimento das Bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, após uma disputa de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita derrubar a cotação do petróleo em mais de 20%.

Tombo do petróleo soma-se a coronavírus

A cotação do petróleo no mercado internacional já vinha em queda há duas semanas, o que levou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a propor uma redução na produção para tentar conter essa desvalorização. Mas as negociações não terminaram bem.

A Rússia se recusou a apoiar os cortes, e a Arábia Saudita retaliou sinalizando que aumentará a produção para ganhar participação no mercado. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda. A disputa comercial fez a cotação do petróleo ter a maior queda desde a Guerra do Golfo.

O tombo nos preços do petróleo se soma ao pânico que já acometia os investidores com os efeitos do coronavírus na economia mundial.

Bolsas despencam no mundo todo

As Bolsas do mundo todo derreteram nesta segunda. Na Europa, as Bolsas de Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal despencaram. Na Ásia, houve queda generalizada, e as Bolsas chegaram a fechar em queda de mais de 7%.

Atuação reforçada do BC no câmbio

Diante da disparada do dólar, o BC triplicou a intervenção no mercado de câmbio anunciada na sexta-feira, de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões no mercado à vista. À tarde, fez outra venda, de US$ 465 milhões, para tentar conter a alta da moeda. É o maior volume a ser liquidado em um mesmo dia desde pelo menos 11 de maio de 2009.

O diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, indicou hoje que as intervenções cambiais do BC podem durar o tempo que for necessário e disse que o banco não tem preconceito ou preferência por uso de nenhum dos instrumentos à sua disposição.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Recorde do dólar não considera inflação

O recorde do dólar alcançado hoje considera o valor nominal, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Levando em conta a inflação nos EUA e no Brasil, o pico do dólar pós-Plano Real aconteceu no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 22 de outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,952, mas o valor atualizado ultrapassaria os R$ 7.

Fazer esta correção é importante porque, ao longo do tempo, a inflação altera o poder de compra das moedas. O que se podia comprar com US$ 1 ou R$ 1 em 2002 não é o mesmo que se pode comprar hoje com os mesmos valores.

* Com Reuters

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