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Bolsa despenca 10,35% e volta ao nível de agosto de 2017, mesmo após parada

Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

18/03/2020 17h27Atualizada em 18/03/2020 17h29

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 10,35%, aos 66.894,95 pontos. É o menor nível de fechamento desde 3 de agosto de 2017 (66.777,13 pontos). O tombo aconteceu após um respiro na véspera e em mais um dia de "circuit breaker". A Bolsa teve as operações suspensas por volta das 13h18 —foi a sexta vez em dez dias— e quase parou de novo durante a tarde.

O dólar e a Bolsa brasileira tiveram mais um dia de tensão nesta quarta-feira (18), com pânico nos mercados globais diante de um mundo praticamente paralisado por causa da guerra contra o coronavírus. O dólar comercial fechou em alta de 3,94%, cotado a R$ 5,199 na venda, mesmo com a atuação do Banco Central. É novamente o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real.

Coronavírus, juros, calamidade pública

As preocupações de investidores com os impactos econômico do coronavírus persistiam no mercado. Também era aguardada hoje a decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros (Selic).

"Investidores seguem avaliando a efetividade dos estímulos fiscais e monetários no amortecimento dos impactos econômicos derivados do surto da Covid-19", disse a equipe da Guide Investimentos. "Na falta de uma melhora no horizonte, alertas de recessão iminente continuam falando mais alto".

No Brasil, o governo enviou ao Congresso o pedido de reconhecimento de estado de calamidade pública devido à pandemia e seus impactos na saúde dos brasileiros e na economia do país. A medida, se aprovada, abre espaço para o governo elevar seus gastos sem precisar cumprir a meta fiscal.

"O mercado está preocupado e acreditamos que as coisas devem piorar antes de melhorar nos próximos dois meses, o que vai mexer muito com o emocional dos investidores", afirmou o analista de ações Thiago Salomão, da Rico Investimentos.

Estimativas pessimistas

A pandemia de Covid-19 tem levado a projeções cada dia mais pessimistas para a economia mundial e a do Brasil.

O banco Credit Suisse cortou a estimativa de crescimento do Brasil de 1,4% para zero em 2020 e passou a considerar em seu cenário-base uma recessão técnica na primeira metade deste ano, com queda de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre. A recessão técnica ocorre quando há dois trimestres seguidos de queda do PIB.

O banco também passou a projetar encolhimento de 1,5% no PIB da América Latina neste ano, devido aos esforços de distanciamento social para contenção do coronavírus e à "rápida queda" de preços de commodities, como petróleo e soja.

* Com Reuters

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