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Empresa que só dá o que o cliente quer não inova, diz dona das Havaianas

Divulgação
Márcio Utsch (de paletó) entre os adolescentes participantes do Prêmio Miniempresa Imagem: Divulgação

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/11/2015 06h00

Há 13 anos à frente das Alpargatas, o administrador e mestre em finanças Márcio Utsch, 56, gerencia grandes marcas que pertencem à empresa como Havaianas, Osklen, Topper, Rainha, Mizuno e Timberland. Com sua experiência no cargo, ele aprendeu que a empresa que se submete ao que dizem as pesquisas de público corre o risco de não inovar. Essa foi uma das lições que expôs a uma plateia de adolescentes.

Na última semana, após o anúncio da venda das Alpargatas para o Grupo JBS, ele participou do Prêmio Miniempresa, realizado pela ONG Junior Achievement SP, em São Paulo. Na competição, alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares do Estado de São Paulo criam e administram uma empresa fictícia, da concepção do negócio à venda do produto.

Os estudantes são avaliados e premiados em categorias como gestão de pessoas, faturamento e rentabilidade, comunicação e marketing, inovação e criatividade, responsabilidade social. Entre os produtos criados pelas 25 miniempresas estão massageador portátil para ser acoplado à mochila, amplificador de sinal de wi-fi, estojo de bambu, entre outros.

Abaixo, veja três dicas do presidente das Alpargatas para os futuros empreendedores:

1. Tenha uma estratégia de longo prazo

Para Utsch, em alguns momentos é necessário sacrificar chances imediatas de ganhar dinheiro em favor de uma estratégia de longo prazo, que faça a empresa durar. Ele diz que, após analisar uma pesquisa sobre as Havaianas, chegou à conclusão de que a marca faz sucesso por proporcionar combinações improváveis, e esse é o guia para tomar decisões na empresa.

“Eu poderia fazer uma camiseta ou boné escrito Havaianas e ia vender que nem água, mas isso é o óbvio. E Havaianas não faz o óbvio, faz o improvável. É a visão de longo prazo que constrói um negócio”, afirma.

2. Não se submeta às pesquisas de público

Utsch diz que é importante pesquisar o que as pessoas pensam e desejam e atender a isso. Mas, se seguir o que indicam as pesquisas cegamente, a empresa apenas vai entregar o que o público pediu, sem surpreender.

“Melhor do que isso é entregar algo que a pesquisa não diz, mas que é verdadeiro. Se você perguntar qual carro elas querem comprar, racionalmente elas dirão que é o mais barato e gaste menos gasolina. Se fosse assim, só venderia carro popular. As pessoas falam uma coisa e fazem outra. Você tem que compreender essa diferenciação entre o mundo ideal e o real”, afirma.

3. Invista em pessoas qualificadas

Segundo o empresário, as pessoas são a parte mais importante de uma empresa, pois são elas que constroem o negócio. “Gente brilhante é o que faz uma empresa brilhante. Se você tiver gente medíocre, terá uma empresa medíocre”, diz.

Contratar boas pessoas, no entanto, é uma dificuldade. “No currículo e no cemitério, todo mundo é muito bom. Para encontrar gente boa de verdade é necessário mais do que analisar currículo, tem que pedir indicações, testá-las e dar condições para que se desenvolvam”, afirma.

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