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Crédito consignado: simulador ajuda a ver quanto você pode pedir emprestado

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

Você está precisando de dinheiro? O empréstimo consignado, que é descontado diretamente da folha de pagamento de trabalhadores e aposentados, é a opção de empréstimo com juros mais baixos do mercado (a partir de 1,5% ao mês). Mas sempre há dúvidas sobre quanto pode ser tomado emprestado exatamente. Simuladores de crédito consignado ajudam nessa tarefa.

Vários bancos têm esses simuladores, mas são oferecidos só para seus clientes. O Banco Central (BC) oferece uma calculadora, mas ela não é tão precisa porque não inclui alguns gastos.

Leia as instruções a seguir para entender o que fazer.

É preciso ter carteira assinada ou ser aposentado

Primeiro, para conseguir um empréstimo consignado, é preciso ter emprego com carteira assinada e a empresa oferecer esse benefício em convênio com algum banco, ser funcionário público ou aposentado e pensionista do INSS.

O limite de endividamento é de 35% do seu salário líquido (já descontado imposto e outras contribuições). Se ganha R$ 1.000 líquido, o desconto mensal não pode ser maior que R$ 350, por exemplo. Desse total, 30 pontos percentuais são usados para qualquer dívida e 5 pontos percentuais para pagar só dívidas com cartão de crédito.

Banco central tem calculadora aberta a todos

O simulador aberto a qualquer um está na calculadora do cidadão, no site do Banco Central. Clique aqui para consultar.

Você pode, por exemplo, descobrir quanto pagaria de prestação por mês se tomasse R$ 5.000 emprestados.

Deixe em branco o campo "valor da prestação". Preencha o número de meses em que deseja pagar o empréstimo (por exemplo 24 meses), o valor financiado (R$ 5.000) e a taxa de juros mensal (por exemplo, 2,2% ao mês). Ao clicar em "calcular", o simulador informa o resultado das prestações mensais. Neste caso, o valor foi de R$ 270,38.

Para saber a taxa de juros mensal, é possível encontrar uma tabela com os juros médios cobrados pelos bancos a cada mês, disponível neste link do Banco Central:

Escolha a categoria que lhe interessa:

Crédito pessoal consignado INSS (para aposentados e pensionistas do INSS)
Crédito pessoal consignado privado (para trabalhadores com carteira assinada)
Crédito pessoal consignado público (para servidores públicos)

O valor obtido na simulação, no entanto, não é o que será efetivamente desembolsado, pois para o cálculo da prestação é preciso levar em conta o CET (Custo Efetivo Total), que inclui cobrança de IOF e outras taxas, como a taxa de abertura de crédito. 

As taxas informadas no site do BC são as médias. Os juros podem mudar dependendo da relação do cliente com o banco e o risco de ele dar calote.

Simuladores dos bancos

O UOL consultou os cinco maiores bancos de varejo do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander) para saber quais são suas condições do empréstimo consignado. Apenas a Caixa não respondeu. Veja as condições de cada banco:

Banco do Brasil

Oferece simulação pela internet para correntistas do banco disponível neste link. Demais interessados devem comparecer às agências.

Taxa de juros e prazo de pagamento

  • Variam de acordo com o convênio

Bradesco

Oferece simulação pela internet para correntistas do banco disponível neste link. Demais interessados devem comparecer às agências.

Taxa de juros e prazo de pagamento

  • Variam de acordo com o convênio

Itaú

Oferece simulação pela internet para correntistas disponível neste link. Demais interessados devem comparecer às agências.

Taxa de juros (média)

  • Para funcionários públicos: 2,57% ao mês
  • Para aposentados e pensionistas do INSS: 2,12% ao mês
  • Para funcionários de empresas privadas: 3,31% ao mês

Prazo de pagamento

  • Para funcionários públicos: até 72 meses
  • Para aposentados e pensionistas do INSS: até 72 meses
  • Para funcionários de empresas privadas: até 58 meses

Santander

Não oferece simulação pela internet, é preciso comparecer a uma agência.

Taxa de juros

  • Entre 1,5% e 4% ao mês. As condições variam conforme as regras de cada convênio.

Prazo de pagamento

  • Para funcionários públicos: até 120 meses
  • Para aposentados e pensionistas do INSS: até 72 meses
  • Para funcionários de empresas privadas: até 48 meses

Juros são muito menores que cheque especial e cartão

Levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostra que em junho a taxa média dos juros cobrados no cheque especial estava em 12,28% ao mês, o rotativo do cartão de crédito em 13,25% ao mês e o do empréstimo consignado ficava bem abaixo: 2,30% ao mês. O empréstimo pessoal tem juros um pouco maiores: 5,5% ao mês, segundo informa o diretor-executivo da Anefac Miguel Ribeiro de Oliveira.

Essa diferença ocorre porque no empréstimo consignado o banco tem a garantia do pagamento, já que o desconto é feito diretamente da folha de pagamento de quem faz o empréstimo.

A Lei nº 13.172, de 21.10.2015 estabeleceu que o limite máximo do empréstimo é de 35% dos salários, proventos ou benefícios dos servidores públicos federais, dos trabalhadores regidos pela CLT e dos aposentados do INSS, sendo 5% exclusivamente para despesas e saques com cartão de crédito. Estados e municípios podem fixar limites de descontos e retenções diferentes para seus servidores.

Vantagens e desvantagens

A vantagem de quem pede esse empréstimo, segundo Ribeiro de Oliveira, é que, por ser uma operação segura, além da taxa de juros mais baixa, a pessoa pode ter um empréstimo maior. E até gente com o nome sujo conseguem realizar esse empréstimo por conta da garantia.

A desvantagem, porém, é que uma vez tomado o crédito consignado, o salário ou benefício ficarão até 35% menores todo mês, até que se pague o empréstimo. Ou seja: se o benefício é de R$ 1.000, a pessoa terá de viver com R$ 650 por mês até que quite a dívida.

"Por isso é preciso pensar muito bem se vale a pena pegar o empréstimo, pois, numa dívida normal, o tomador tem o direito de não pagar, assumindo as consequências desse não pagamento. Mas isso não acontece no empréstimo consignado, o desconto é feito em folha, e a única saída é tentar renegociar", diz Oliveira.

Uma dica importante do economista é financiar pelo menor tempo possível, pois quanto menor o prazo, menor será o desembolso com juros.

Para quem é recomendado

Segundo Oliveira, o crédito consignado é indicado:

  • Para quitar dívidas com juros caros como cheque especial e cartão de crédito
  • Para quitar dívidas cujo não pagamento acarretem problemas sérios para o devedor, como prestação da casa própria, condomínio, contas de água, luz, plano de saúde, escola dos filhos etc.

Não é indicado:

  • Para fazer dívidas de consumo, como trocar a geladeira da casa, gastar em viagens etc.
  • Também não vale a pena fazer o consignado para aplicar dinheiro no mercado financeiro, pois nenhuma aplicação rende o mesmo que os juros cobrados pelos bancos, mesmo os menores deles.

E se perder o emprego?

Caso a pessoa fique desempregada, o banco pode utilizar até 35% das verbas rescisórias para quitar o empréstimo. Se ainda restar uma dívida, esse saldo poderá ser cobrado por débito em conta-corrente ou boleto bancário.

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