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Finanças pessoais

Pagar dívida, poupar ou gastar? O que aposentado deveria fazer com o 13º?

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

27/08/2018 12h54

Pagar dívidas atrasadas, guardar dinheiro ou gastar em compras? O UOL pediu a especialistas sugestões de como os aposentados e pensionistas podem fazer bom uso do dinheiro da primeira parcela do 13º salário, que o INSS começou a pagar nesta segunda-feira (27).

O valor equivale a 50% do benefício, sem desconto de Imposto de Renda. Ao todo, 37,4 milhões de pessoas terão direito ao pagamento, totalizando R$ 63,3 bilhões, segundo o INSS. Veja as recomendações do que fazer com essa grana extra.

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1) Pague as dívidas e limpe seu nome

Se você está com nome sujo, devendo no cartão de crédito ou no cheque especial, não pense duas vezes. Aproveite a grana extra do 13º para liquidar o maior volume de dívidas possível.

“Pague primeiro as dívidas mais caras, como cartão e cheque. Coloque as contas de consumo [água, luz, telefone] em dia. Em seguida, tente quitar as parcelas de outros empréstimos. E evite contrair novas dívidas”, afirmou César Caselani, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV/Eaesp).

“Manter o nome limpo é importante para facilitar e baratear o acesso a empréstimo no caso de imprevistos”, declarou Marcio Reis, diretor de dados e pesquisas econômicas do GuiaBolso.

2) Monte uma reserva de emergência

Caselani lembrou que os idosos estão mais sujeitos a despesas imprevistas, principalmente por causa da saúde mais frágil. Por essa razão, ter uma reserva de emergência é essencial para evitar passar aperto e ter que recorrer a empréstimos.

“Eles já gastam muito com medicamentos e com o plano de saúde, cujos reajustes têm ficado bem acima da inflação. Qualquer evento inesperado acaba se tornando um sério problema financeiro porque as pessoas não têm reserva e acabam recorrendo ao cheque especial ou entrando no rotativo do cartão”, disse o professor da FGV.

Segundo Reis, do GuiaBolso, a falta de uma reserva de emergência é o principal motivo que leva as pessoas a recorrerem a empréstimos. “Apenas 20% dos nossos usuários possuem algum dinheiro guardado, que pode ser insuficiente para cobrir uma emergência.”

Reis recomenda que a reserva de emergência seja equivalente a, no mínimo, três meses de renda. “O ideal são seis meses, mas poucas pessoas conseguem guardar essa quantia.” O dinheiro deve ser colocado em um investimento que ofereça alta liquidez, ou seja, que possa ser sacado de um dia para o outro.

3) Não gaste o dinheiro em compras

Caselani afirmou que o atual momento político e econômico do país exige cautela. “Não é hora de gastar com compras supérfluas. Ainda estamos em um ambiente recessivo. As famílias continuam com dificuldade para manter o equilíbrio financeiro. E ainda não sabemos quem será o presidente do país no ano que vem.”

O professor da FGV disse ainda que, por causa da crise financeira sofrida pelo país nos últimos anos, muitos aposentados se viram obrigados a sustentar filhos adultos que perderam o emprego. “Pessoas de 40 ou 50 anos estão voltando para a casa dos pais. O aposentado se tornou arrimo da família.”

4) Guarde para os gastos de começo de ano

Quem não está devendo para o banco, nem precisa ajudar a sustentar a família, pode guardar o dinheiro extra do 13º para bancar as despesas da virada do ano.

“Dezembro e janeiro são meses com despesas grandes. Você tem os presentes de Natal para a família toda. Depois vêm as cobranças de IPVA e IPTU”, disse Marcio Reis, do GuiaBolso.

Ele sugere guardar o dinheiro em uma aplicação de renda fixa de baixo risco e com liquidez, como fundos de investimentos que cobrem taxa de administração de até 1% ao ano ou em um CDB de banco médio que ofereça rentabilidade em torno de 100% do CDI e tenha liquidez diária.

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