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Onde investir após 1º turno? CDB, LCI e multimercado são dicas de analistas

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

09/10/2018 12h00Atualizada em 09/10/2018 16h39

O investidor não deve se deixar levar pela euforia que tomou conta do mercado financeiro nesta segunda-feira (8), após o resultado do primeiro turno das eleições.

As próximas três semanas, que antecedem o segundo turno, e o período de transição até a posse do novo governo, em 1º de janeiro, prometem muita instabilidade, o que pode provocar perdas financeiras para quem se arriscar demais.

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Jair Bolsonaro (PSL) obteve uma larga vantagem no primeiro turno em relação a Fernando Haddad (PT). Mas, em tese, o segundo turno é uma nova eleição. "O cronômetro foi zerado. Até 28 de outubro, os dois terão as mesmas chances, o mesmo tempo de televisão, participarão de debates e apresentarão propostas", disse Sandra Blanco, especialista em investimentos da Órama.

"É improvável que Haddad consiga vencer. Matematicamente, Bolsonaro é franco favorito. Mas pode acontecer um tropeço, surgir um fato novo que prejudique o candidato do PSL", afirmou Ribamar Rambourg, analista político da Genial Investimentos.

Os especialistas afirmam que as ações na Bolsa de Valores e os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação no Tesouro Direto poderão sofrer fortes oscilações nos próximos dias caso as pesquisas de intenção de voto mostrem reação de Haddad.

“Há um forte sentimento antipetista no mercado. Haddad seria mais do mesmo que fez Dilma [Rousseff]. Haveria pouco ou nenhum avanço nas reformas, como a da Previdência”, disse Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

Em modo espera pela formação do novo governo

Além do período até o segundo turno, o investidor também deve estar atento à fase de transição do novo governo, com anúncio de alianças políticas, formação do ministério e definição de planos. "A eleição não acaba no dia 28. Você ainda terá todo esse período de composição da equipe. Depois disso, vamos ver quais serão as primeiras medidas do novo governo", disse Sandra.

"Se for confirmada a vitória de Bolsonaro no segundo turno, vamos ver como ele vai construir sua base de apoio. Embora seu partido [PSL] tenha conseguido eleger a segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados, o novo Congresso estará muito mais fragmentado, inclusive com muitas pessoas que nunca ocuparam cargo político", afirmou Rambourg.

Cautela e investimentos diversificados

Glauco Legat, analista-chefe da corretora Spinelli, considera que, independentemente do cenário esperado para as eleições, é importante que o investidor tenha em mente a necessidade de diversificar suas aplicações. "Não pode colocar todos os ovos na mesma cesta. O risco de um evento inesperado é pequeno, mas existe", afirmou.

Diante de um cenário político ainda incerto, os especialistas em investimentos recomendam cautela em um primeiro momento, com aumento gradual de aplicações de risco, como ações, conforme o novo governo for definido.

Analista recomenda CDBs de bancos médios

Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb, sugere a aplicação em CDBs de bancos médios que oferecem liquidez diária. "É uma forma de se proteger da volatilidade até que o cenário fique mais claro."

Segundo ele, ainda é possível encontrar CDBs com liquidez diária que pagam rendimento equivalente a 100% do CDI (que projeta uma taxa de 7,89% para os próximos 12 meses) ao ano e com aplicação mínima de R$ 1.000. "Esse tipo de CDB rende 22,5% a mais do que a poupança, já descontado o Imposto de Renda pela alíquota mais alta, no caso de saques antes de seis meses."

LCIs e LCAs também são opções para se proteger

Outra sugestão de Pascowitch para quem quiser esperar o início do próximo governo são LCIs e LCAs com vencimento em três meses.

Esses papéis pagam 93% do CDI e são isentos de Imposto de Renda. O rendimento equivale a um CDB de 120% do CDI ou um ganho 29% superior ao da poupança. "A única desvantagem é que você só pode sacar no vencimento."

Exposição gradual ao risco

Caso Bolsonaro seja eleito, Legat, da Spinelli, orienta o investidor a aumentar gradualmente sua exposição ao risco. Essa exposição pode ocorrer por meio da compra de ações ou investimento em fundos multimercados com gestão mais agressiva.

"O ideal é aumentar [a exposição ao risco] aos poucos, conforme o cenário ficar mais claro, com a formação da equipe de governo e o anúncio dos planos para o país."

“Deixe o dinheiro na mão de profissionais”

Indech, da Rico Investimentos, aconselha o investidor menos experiente a não se aventurar por conta própria no mercado financeiro, deixando o dinheiro aos cuidados de gestores de fundos.

"É o momento de deixar o dinheiro na mão de profissionais. Gestores estão preparados para lidar com a volatilidade eleitoral e aproveitar as boas oportunidades que poderão surgir com o novo governo, especialmente no mercado de ações", disse Indech.

Ele recomenda aplicar em fundos multimercados, que tenham um perfil diversificado em sua carteira de investimentos, incluindo ações. Ele acredita que uma eventual vitória de Bolsonaro no segundo turno deverá sustentar a valorização da Bolsa de Valores no longo prazo.

Conheça as opções de investimento do Tesouro Direto

TV Folha
Errata: o texto foi atualizado
09/10/2018 às 16h32
O texto inicialmente informava que a taxa atual do CDI é de 6,40% ao ano. Porém, para o cálculo de rentabilidade dos investimentos deve ser considerada a projeção futura da taxa para 12 meses, que é de 7,89%. O texto foi corrigido.

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