IPCA
0.01 Jun.2019
Topo

Finanças pessoais


Quer começar 2019 no azul? Dicas para quitar dívidas e organizar as contas

Fernanda Santos

Colaboração para o UOL, em Florianópolis (SC)

2018-10-16T04:00:00

16/10/2018 04h00

O final do ano está próximo, e quem quer começar 2019 com as contas no azul já deve ir se planejando. Muita gente espera o 13º salário para dar um alívio ao orçamento e pagar algumas dívidas antigas.

Mas é bom lembrar que outros gastos estão por vir. “Por ser uma época festiva, há muitas tentações. As pessoas querem presentear entes queridos, viajar”, disse Clécio Dias, que é diretor de crédito do Guiabolso.

Leia também:

Além disso, o início do ano é período de despesas obrigatórias, como o pagamento de impostos anuais (IPTU e IPVA), matrículas e material escolar. “É preciso reservar um pedaço da renda para o que vai acontecer”, afirmou Dias.

Veja dicas de como negociar e quitar dívidas para começar o ano no azul -e ainda ter dinheiro para as despesas que chegam com a virada. Confira:

1) Coloque as contas no papel

É o primeiro passo para deixar a vida financeira em ordem. “A pessoa tem que saber exatamente quanto deve, quanto recebe por mês e quanto gasta”, afirmou o educador financeiro da Dsop Ricardo Natali.

Uma sugestão é anotar por 30 dias todos os gastos, desde uma balinha até as despesas mais altas com moradia, planos de saúde e alimentação. Não deixe nada de fora (mesmo cafezinhos).

Veja como montar uma planilha de gastos aqui.

2) Corte gastos não essenciais

Analise todos os gastos anotados, disse Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “A pessoa vai, provavelmente, concluir que gasta mais do que ganha. A anotação é importante porque mostra quanto está entrando no negativo e onde estão os gastos.”

Separe as despesas em dois grupos: “gosto” e “preciso”. O grupo “preciso” é só para o essencial, como moradia e alimentação. Algumas coisas do ‘gosto’ vão ter que ser cortadas ou reduzidas.

3) Alerta quando dívida é de mais de 20% da renda

Ter dívidas não necessariamente é algo ruim, mas precisam caber no orçamento e haver controle de despesas e receitas afirmou Natali, da Dsop.

“Por exemplo, a pessoa está hoje no cheque especial. Basta chegar um 13º para quitar o cheque especial ou é uma questão mais permanente?”, disse Dias, do Guiabolso.

Uma maneira de saber a gravidade é avaliar quanto do orçamento é usado. Quando um valor entre 20% e 30% da renda vai para pagar dívidas, é sinal de alerta.

4) Troque dívida cara por mais barata

Quem ainda não atrasou pagamentos pode trocar dívidas caras por outras mais baratas. Se a pessoa tiver dívidas no cartão de crédito ou crédito especial pode consolidar tudo num empréstimo com juros menores, disse Dias.

Com essa troca, o consumidor deixa de pagar os juros altos do cheque especial (cerca de 12% ao mês) e do rotativo do cartão (cerca de 11% ao mês) e passa a quitar parcelas com juros que variam entre 1,9% e 6,9%, de acordo com o aplicativo Guiabolso.

Pesquise e compare juros e parcelas em bancos e fintechs (empresas de tecnologia do setor financeiro). O crédito consignado também é uma opção interessante por causa dos juros baixos.

5) Antecipe parcelas

Com o dinheiro do 13º salário ou das férias, é possível pagar adiantado parcelas de financiamentos sem os juros que seriam pagos no cronograma normal. Esse desconto dos juros já está previsto nos contratos fechados com os bancos, mas não custa nada buscar a instituição para tentar abatimentos melhores ainda.

6) Atrasou a dívida? Renegocie

Quem já atrasou prestações terá poucas chances de conseguir empréstimos no mercado para substituir a dívida cara por outra mais barata. Por isso o melhor é negociar com os credores.

A economista Marcela disse que as empresas gostam que o devedor tente negociar, porque mostra que está querendo pagar. O devedor não precisa aceitar de cara as condições do credor e pode apresentar outras propostas. O importante é ter condições de arcar com o que for acordado.

- Fale diretamente com o credor, pois há mais margem para negociação que em canais online e automáticos.

- Feirões Limpa Nome são uma alternativa, mas não têm data certa para acontecer, e a dívida cresce enquanto isso.

- Não há milagre: algumas empresas prometem limpar o nome de devedores, mas não é aconselhável contratar esse serviço. “O consumidor pode fazer a negociação sozinho. Se já está com a situação difícil, não vai gastar dinheiro com isso”, declarou Marcela. Também precisa pesquisar bastante para saber se a empresa é idônea e não acreditar quando oferece soluções milagrosas, como limpar o nome sem pagar a dívida, pois isso é impossível.

7) Analise onde errou

Após pagar ou reestruturar suas dívidas, reflita e veja onde errou e onde pode melhorar para evitar a repetição, indica a economista do SPC.

Se gastava por impulso, é preciso se controlar mais. Se o problema foi o cartão de crédito, pode eliminar esse meio de pagamento. Se a questão foi uma emergência, pode fazer uma poupança para possíveis casos parecidos.

8) Cuidado com os gastos de fim do ano

Dicas para não se enrolar mais com esses gastos:

  • Evite compras por impulso. Faça uma lista das compras de Natal antes de sair de casa
  • Estabeleça um limite de quanto pode gastar
  • Pesquise preços e lojas
  • Compre à vista e peça desconto
  • Aproveite promoções. Se puder, antecipe as compras para a Black Friday, em novembro, ou espere os saldões em janeiro
  • Se receber o 13º, guarde uma parte para despesas obrigatórias (IPVA, IPTU e matrícula escolar)
  • Evite compras parceladas. Um imprevisto pode estourar seu orçamento à frente

Se não sabe responder a estas 5 questões, será muito difícil ficar rico

UOL Notícias

Mais Finanças pessoais