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Vai para a Argentina? O que é melhor levar: dólares, reais ou pesos?

Marcos Brindicci/Reuters
Mulher olha para placa de câmbio em Buenos Aires, na Argentina Imagem: Marcos Brindicci/Reuters

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

12/01/2019 04h00

Está planejando viajar para a Argentina? Será que é melhor comprar pesos argentinos já no Brasil ou levar dólares e deixar para fazer o câmbio lá? Vale a pena levar reais também? Viajar para países cuja moeda original é fraca em comparação ao dólar requer alguns cuidados na hora de escolher o câmbio. 

Além da Argentina, se você pretende ir para outros países da América Latina, como Chile, Peru e México, para a Rússia, China, ou para países do sudeste asiático, como a Tailândia, deve prestar atenção a essas dicas de Mathias Fischer, fundador da plataforma de compra de moedas Meu Câmbio.

"De forma geral, é mais vantajoso levar uma moeda forte em espécie [cédulas], como dólar ou euro, e realizar duas operações de câmbio, uma no Brasil, para compra da moeda forte e outra no país de destino, para comprar a moeda local."

Dólares, reais ou pesos? O que levar para a Argentina?

A Meu Câmbio fez simulações, a pedido do UOL, para comparar quatro possibilidades de câmbio para quem vai para a Argentina. Veja quantos pesos argentinos você receberia em cada caso:

  • Comprar pesos argentinos no Brasil em valor equivalente a US$ 1.000 = 24.749 pesos
  • Fazer uma carga de pesos argentinos em um cartão pré-pago equivalente a US$ 1.000 = 32.144 pesos
  • Comprar US$ 1.000 em espécie no Brasil e trocá-los por pesos na Argentina = 37.300 pesos
  • Levar reais em valor equivalente a US$ 1.000 e trocá-los por pesos na Argentina = 39.300 pesos

Portanto, a melhor opção hoje seria levar reais para a Argentina e fazer o câmbio lá. Você conseguiria comprar 2.000 pesos a mais do que se levasse US$ 1.000 em espécie. Em comparação à compra da moeda argentina no Brasil, a diferença chega a 14.551 pesos, ou seja, dá para comprar 58% mais pesos.

Importante: os cálculos foram feitos com base nas taxas de terça-feira (8). As comparações podem sofrer mudanças em função das flutuações do real e do peso argentino frente ao dólar.

Foram usadas as taxas de R$ 3,93 para compra de dólar em espécie, R$ 0,159 para compra de pesos em espécie no Brasil, R$ 0,122 para carregar pesos no cartão pré-pago e R$ 0,10 por peso para venda de reais na Argentina, já incluídos impostos e despesas.

Nem sempre levar reais é uma opção

"Essa situação da Argentina é pontual por causa da situação do câmbio hoje. Nem sempre é vantajoso assim. Além disso, são poucos os países que aceitam reais, em geral só aqueles próximos do Brasil", disse Fischer.

A recomendação básica é sempre levar uma moeda forte, como dólar ou euro porque as taxas de câmbio de moedas fracas no Brasil sempre são desvantajosas em comparação ao câmbio no país de destino.

Por que é mais caro comprar moeda fraca no Brasil?

Segundo Fischer, a compra de uma moeda fraca no Brasil, como o peso argentino, fica mais cara devido aos custos operacionais da casa de câmbio para trazer e manter esse dinheiro guardado no país.

"O principal problema é a demanda por essas moedas, que costuma ser pequena perto da procura por dólar e euro. Mas, a casa de câmbio não consegue trazer valores pequenos para vender aqui. Há custos de transporte, de armazenamento. E há ainda o fato de esse dinheiro ficar aplicado em uma moeda fraca, sujeita à desvalorização, deixando de ganhar os juros brasileiros, até que apareça um comprador."

Então, devo levar dólares ou euros?

Depende do destino. Nos países da América Latina, o dólar é mais aceito. Em alguns países, como Equador, ele funciona legalmente como segunda moeda corrente. Ou seja, é possível fazer compras em qualquer estabelecimento usando dólares, sem necessidade de câmbio.

Na Argentina e no Paraguai, o dólar também é muito aceito no comércio, inclusive com taxas mais convidativas do que nas casas de câmbio. "Trata-se de câmbio negro, uma prática irregular, mas que já está enraizada na cultura desses países por causa das constantes desvalorizações das moedas locais." Se optar por trocar moeda nesses locais, tome cuidado para não receber notas falsas de troco.

Entretanto, se for viajar para Cuba, leve euros. "O euro é bem melhor do que o dólar em Cuba porque o país aplica um imposto adicional sobre a moeda americana para inibir a circulação por questões geopolíticas."

O mesmo raciocínio vale para a Rússia: prefira o euro. "Além de estar mais próxima da Europa, a Rússia e os Estados Unidos não se bicam." Na Tailândia, tanto o dólar como o euro são amplamente aceitos nos locais turísticos. Na China, o dólar normalmente tem uma taxa mais vantajosa frente ao yuan.

Prefira moeda em espécie para fugir do IOF alto

As compras de moeda estrangeira em espécie estão sujeitas à alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 1,1%, enquanto a carga de cartão pré-pago ou as compras de cartão de crédito pagam 6,38% de imposto.

Em uma compra de US$ 1.000, ao câmbio de R$ 4 por dólar, você pagará R$ 44 de IOF se levar dinheiro em espécie. Se optar pelo cartão pré-pago, o imposto sobe para R$ 255,20. Com a diferença de R$ 211,20, seria possível comprar mais US$ 52 em espécie.

Além disso, no caso de uso do cartão pré-pago em um país cuja moeda é diferente da que foi carregada no cartão, há cobrança de uma taxa extra de 5,5% sobre os valores gastos.

Se a opção for usar o cartão de crédito, as compras estarão sujeitas a duas operações de câmbio, da moeda local para o dólar e depois para o real, o que também implica cobrança de taxas extras. "Normalmente usar o cartão de crédito sai mais caro do que levar o pré-pago."

Não deixe de levar o cartão por segurança

Leve boa parte do dinheiro em espécie, mas não deixe de carregar também o cartão pré-pago ou o cartão de crédito. "Trata-se de uma segurança. Em caso de perda ou roubo, o cartão pode ser reposto em até 72 horas se o cliente estiver em uma grande cidade como Miami ou Nova York. Também é possível fazer saques emergenciais em bancos conveniados enquanto o cartão não chega."

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