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1ª parcela do 13º cai amanhã: dá para pagar dívidas e comprar presentes?

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

28/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Cansado de ouvir que tem de usar seu 13º para pagar dívidas?
  • É possível separar uma parte do dinheiro extra, trazer o espírito natalino à família e evitar a tristeza
  • Mas qual será a porcentagem ideal para comprar presentes e como se manter fiel ao combinado?

Amanhã cai na conta dos trabalhadores com carteira assinada a primeira parcela do 13º salário. A segunda parcela tem de ser paga até o dia 20 de dezembro. O que fazer com o dinheiro? Você lê o tempo todo que precisa usar seu 13º para pagar dívidas. Em um país com 63 milhões de devedores, essa prioridade é natural. O problema é a sensação de vazio ao usar todo o dinheiro extra de fim de ano só para pagar boletos.

Para aliviar essa sensação, consultores dizem que é importante entrar no espírito natalino e separar uma parte, por menor que seja, para celebrar o fim de ano e ter um pouco de alegria (e até gastar na Black Friday, que também é nesta sexta-feira). Mas qual seria essa porcentagem ideal?

Sacrifícios são necessários

O 13º salário vai representar a entrada de R$ 215 bilhões na economia, ajudado neste ano pela liberação de parte do FGTS, que vai injetar mais R$ 40 bilhões no mercado. Segundo pesquisa da Associação Nacional de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), 87% dos entrevistados disseram que vão usar esse dinheiro extra para sair do vermelho.

Segundo dados de uma das maiores empresas de renegociação de dívidas no país, a Acordo Certo, o volume de acordos na plataforma cresce 25% nesta época do ano, justamente por causa do 13º salário. Apenas em outubro, por exemplo, a plataforma fechou 140 mil acordos e e a expectativa é chegar é chegar perto dos 175 mil acordos em novembro.

"Colocar as contas em dia é um desafio que precisa ser enfrentado. Todos devem entender a necessidade de fazer sacrifícios, ter mais planejamento e reorganizar gastos", afirma o presidente da Acordo Certo, Dilson Sá.

Nem tão ao Céu nem tão ao Inferno

"Normalmente, pagar as dívidas é a decisão mais correta porque muitos brasileiros estão endividados no cartão e no cheque, que têm os custos mais elevados e que vão levar ele cada vez mais para o buraco. De nada adianta viver o espírito de Natal se logo depois vem o pesadelo das dívidas", afirma o consultor financeiro da Par Mais, Jailon Giacomelli.

Por outro lado, afirma o consultor, passar a virada de ano totalmente em branco - sem nenhuma celebração ou o ritual de trocar presentes - pode frustrar a família e arruinar o Natal. "É preciso encontrar um meio-termo que não seja tão ao Céu nem tão ao Inferno", disse. Afinal, como em uma dieta alimentar, uma decisão radical na vida financeira pode não ser sustentável e tornar mais difícil manter o regime.

Pesquisa da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil mostrou que neste ano aumentou de 23% para 32% o percentual de trabalhadores que vão gastar ao menos uma parte do 13º salário com presentes. Para o economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o cenário econômico um pouco melhor do que em anos anteriores pode estimular os brasileiros em ir às compras com o 13º salário.

Quanto gastar do 13º com presentes

O consultor da Par Mais disse que uma dica para quem tem dívidas é separar uma parte do dinheiro extra que recebeu, até 10%, para fazer uma celebração, ainda que mais contida. Assim, na hora de renegociar as dívidas com os credores, o devedor considera 90% do que recebeu. "Então ele pode usar os 10% restantes para fazer uma pequena comemoração ou presentear alguém mais próximo", disse.

É bem provável que o dinheiro não dê para comprar presentes para todos que o devedor gostaria de atender, mas é possível fazer uma seleção. Por exemplo, priorizando as crianças.

Não pode torrar todo o 13º

Para quem quer ter alguma confraternização ou viagem curta, o importante é respeitar o orçamento. Pesquisar, buscar ofertas nos supermercados e evitar gastar mais do que os 10% que foram separados para o festejo.

A recomendação de prudência vale também para quem está com as finanças em dia. Torrar todo o dinheiro do 13º em festança sem separar nada para investir também é uma opção arriscada. "Quem está com as finanças em dia, pode separar uns 30% para consumir e usar o restante para investir ou começar uma reserva de emergências", disse Giacomelli, da Par Mais.

Para quem conseguiu pagar as dívidas e ainda salvou uma fatia do dinheiro para presentear quem ama, a dica final dos consultores: fazer as contas, respeitar o orçamento ao longo do ano e, assim, garantir que no próximo Natal possa usar uma fatia maior do 13º para as celebrações.

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