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Finanças pessoais

Perdeu os feirões de dívidas? Ainda dá para negociar e sair do vermelho

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

16/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Final de ano é boa época para renegociar dívidas
  • Bancos e empresas participaram de feirões de renegociação
  • Especialista diz que não precisa esperar eventos para renegociar
  • Ela recomenda analisar orçamento e entrar em contato com credor para conseguir melhores condições

Final de ano é um bom momento para tentar limpar o próprio nome. É nessa época que muitas pessoas recebem o 13º salário ou conseguem uma vaga de emprego, mesmo que temporária.

Além disso, as empresas têm mostrado disposição em renegociar as dívidas. Na semana passada, sete bancos participaram de um mutirão organizado pelo Banco Central e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos). SPC Brasil e Serasa também realizaram feirões de renegociação.

Mesmo quem não conseguiu participar de algum dos feirões, porém, não precisa se preocupar. Sempre há tempo de entrar em contato com o credor e tentar negociar condições melhores, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Ela listou sete atitudes que devem ser tomadas para renegociar suas dívidas e evitar entrar no vermelho novamente.

1) Faça as contas antes

Antes de ir a uma agência ou entrar em contato com a empresa a quem está devendo, é preciso fazer uma boa análise da própria situação financeira, com o objetivo de saber quanto do seu orçamento pode ser separado para o pagamento das parcelas da dívida.

Caso contrário, pode acabar aceitando uma proposta que, apesar de ter condições melhores do que as originais, ainda não conseguirá honrar.

"Saiba direitinho o quanto recebe, o quanto gasta, quanto pode ser redirecionado para pagamento de dívida", afirma Kawauti. "Se não, pode chegar lá e aceitar proposta que não cabe no orçamento."

Se isso acontecer, o risco é grande de voltar a ficar inadimplente e acabar queimando o próprio filme, ficando mais difícil conseguir uma nova renegociação da dívida.

2) Veja o que pode cortar

Nessa análise anterior à negociação, descubra se há gastos que podem ser cortados ou reduzidos, sobrando uma margem maior para pagar a parcela da dívida.

Veja também se possui algum bem que pode vender para abater ao menos parte da dívida. É possível conseguir condições melhores usando esse valor para pagamento à vista.

3) Pense a longo prazo

Na hora de avaliar o próprio orçamento, muitas pessoas acabam analisando o quanto ganham e gastam em apenas um mês, esquecendo que isso costuma ser variável. Há meses com gastos extraordinários, como o IPVA ou a matrícula da escola, por exemplo.

Ela recomenda fazer uma planilha com os próximos 12 meses, ou com o número de parcelas restantes, para ter um retrato mais fiel de quanto da dívida conseguirá pagar por mês, antes de partir para a renegociação.

Lembre-se, também, de deixar uma margem para pagamentos imprevistos no mês, para não ficar sempre no limite.

4) Não espere feirões

Mesmo que no momento não esteja sendo realizado nenhum mutirão de negociação, ou se a empresa para quem está devendo não está no feirão, não fique esperando isso acontecer.

A economista-chefe do SPC Brasil recomenda entrar em contato o quanto antes para tentar a negociação e evitar que a dívida cresça ainda mais.

"Toda empresa tem área de cobrança que pode fazer essa negociação", afirma. "Não precisa esperar um feirão ou a empresa entrar em contato."

5) Entre em contato logo

Geralmente as empresas ficam mais abertas a negociar a dívida depois de um tempo que a pessoa está inadimplente, sem conseguir pagar as parcelas, segundo Kawauti. "O que é muito ruim, porque o devedor já está com uma dívida muito maior."

Mas ela afirma que isso não impede que a pessoa entre em contato com a empresa para tentar a renegociação logo que perceber que não vai dar conta do pagamento, ou com pouco tempo de inadimplência.

"Não é garantia [de que vai ter sucesso], mas já mostra boa-fé com a tentativa."

6) Proponha as condições

Na hora de negociar, Marcela Kawauti afirma que contar o porquê de não estar conseguindo pagar a dívida não costuma ser efetivo. "Muitas vezes as pessoas querem contar o motivo. Até pode falar, mas a empresa costuma ter postura mais racional nessa hora."

Exponha quanto consegue pagar de fato, incluindo valor, número de parcelas e a possibilidade de pagar uma quantia à vista com a venda de algum bem. Comece propondo um valor menor do que pode pagar, para ter alguma margem de negociação.

7) Veja o que causou a dívida

Antes ou depois de renegociar, também é importante diagnosticar qual foi a causa da dívida, para evitar que aconteça novamente. Foi um gasto inesperado, a conta alta do cartão de crédito, muitas compras por impulso?

"Se voltar a velhos hábitos, provavelmente ficará inadimplente novamente", diz a economista-chefe do SPC Brasil.

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