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Finanças pessoais

Fundos de previdência privada ganham mais, mas maior parte rende pouco

Lucky336/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Lucky336/Getty Images/iStockphoto

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

12/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Bolsa e títulos do Tesouro de longo prazo ajudam fundos de previdência privada, diz estudo
  • 82% dos fundos analisados tiveram retorno acima do CDI em 2019, mais que os 57% em 2018
  • Fundos com rentabilidade mais fraca ainda são os que têm mais dinheiro investido

Os fundos de previdência privada tiveram em 2019 um ganho médio de 11,1%. Esse desempenho superou o ganho registrado em 2018, que foi de 7,5%. O desempenho positivo foi influenciado pela alta das ações, na Bolsa, e pela rentabilidade de títulos públicos de longo prazo que são indexados à inflação. É o que mostra estudo realizado pela empresa especializada em informações de previdência Prevue.

Apesar da melhora, a maior parte do dinheiro desses fundos ainda estava colocada em produtos com rendimento ruim no fim de 2019. R$ 92,4 bilhões estavam aplicados nos dez piores fundos, enquanto R$ 38,1 bilhões estavam nos dez melhores fundos.

Em 2019, o retorno médio dos fundos representou um ganho 186,1% superior ao do CDI, indicador usado como referência de rendimento mínimo para o mercado. Segundo o levantamento, cerca de 82% dos fundos analisados conseguiram um retorno acima do CDI no ano.

Para comparar, em 2018, a média de rentabilidade dos fundos analisados foi menor, de 117% do CDI. Naquele ano, apenas 57% dos fundos haviam rendido acima do CDI.

"O mercado pegou carona na queda de juros, comprando papéis de longo prazo prefixados. E a Bolsa também foi bem", afirmou o sócio diretor da Prevue Consultoria, Geraldo Magela, responsável pelo estudo que analisou 1.485 fundos de investimentos vinculados a mais de 10.500 planos de previdência, entre produtos PGBL e VGBL.

Os fundos de renda fixa com melhores desempenhos foram aqueles que têm em carteira títulos do governo de longo prazo, com taxas prefixadas. Já os produtos de renda variável que tinham pelo menos 30% do patrimônio em ações aproveitou a alta do Ibovespa em 2019, que foi de 32%.

Veja o retorno médio dos fundos de previdência privada, que foram separados por classes, para a análise.

Piores fundos têm mais dinheiro

No recorte que a Prevue fez para comparar os dez melhores fundos com os dez piores produtos em termos de rentabilidade, o estudo mostrou que a maior parte dos recursos desse mercado estão nos produtos com ganho menor.

Os dez melhores fundos por rentabilidade fecharam o ano com R$ 38,1 bilhões, enquanto os piores apresentaram R$ 92,4 bilhões sob gestão.
A rentabilidade média dos melhores fundos PGBL/VGBL em 2019 foi de 24,4%, representando 409,6% do CDI. Já entre os fundos de pior rendimento, a rentabilidade média no ano passado foi de 4,4%, ou 73,6% do CDI. Ou seja, renderam menos que a taxa básica de juros.

"Ainda tem muito fundo precisando melhorar o desempenho", disse Magela.

Já a captação líquida mostrou que os investidores estão aos poucos migrando os recursos para as carteiras de melhor desempenho. Os melhores tiveram em 2019 uma captação líquida de R$ 21,6 bilhões, enquanto os piores tiveram perderam R$ 26,9 bilhões em saques.

No total, os fundos de investimentos terminaram o ano de 2019 com um patrimônio de R$ 901,6 bilhões, distribuídos em diversas modalidades, inseridas basicamente em fundos de renda fixa, multimercados, balanceados e data-alvo. A captação líquida dos fundos analisados foi de R$ 45,4 bilhões.

Segundo o estudo da Prevue, no período dos últimos três anos de 2017 a 2019, esses fundos tiveram um rendimento médio de 32,6%, o que representou 136% do CDI acumulado no mesmo período.

Observando um período mais longo, os fundos que ainda estão ativos renderam 54,5% nos últimos 48 meses e 66,6% nos últimos 60 meses, o que representou 131,8% e 110,9% do CDI, respectivamente.

Taxas comem ganhos

Segundo o diretor da Prevue, além do rendimento dos fundos, o investidor que usa fundos de previdência privada para fazer a aposentadoria precisa prestar atenção em outros dois indicadores: volatilidade (oscilação entre ganhos e perdas) e taxas.

"Apesar da grande diferença de retorno entre os fundos de investimentos, a taxa de administração média não é tão gritante entre eles", diz o diretor da Prevue.

Muito risco e muito perde-ganha

"É necessário cautela antes de investir nos fundos que registraram os melhores resultados em 2019, pois eles também são os que estiveram expostos aos maiores riscos", afirma Magela.

Os fundos Previdência Ações, por exemplo, tiveram uma volatilidade média de 13,3% em 2019, enquanto a média geral da indústria foi de 2,8%. Quanto mais elevado esse índice, maior a oscilação que o fundo tem no ano, entre variações positivas e negativas.

Segundo o banco de dados da Prevue, atualmente existem 1.131 produtos de previdência privada distribuídos em 317 fundos de investimentos que podem ser contratados por pessoas físicas no mercado. Os demais produtos e fundos estão fechados a novas inscrições ou se destinam a planos empresariais.

"Os fundos PGBL e VGBL são excelentes instrumentos para a aposentadoria e para se investir, mas é necessário que cada pessoa esteja sempre atenta ao mercado, analisando sistematicamente as opções disponíveis e comparando-as com o seu plano atual. Se encontrar algo melhor e mais adequado aos seus objetivos, ela deveria realizar a portabilidade dos seus recursos", afirma Magela.

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