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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Economia resiste à 2ª onda da covid e setor imobiliário deve se beneficiar

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Juliana Mello

Juliana Mello

Sócia-diretora de Novos Negócios e Distribuição na Fortesec, empresa financeira especializada em investimentos imobiliários

05/07/2021 04h00

O mercado imobiliário, que conseguiu resistir à segunda onda da pandemia e apresentar resultados positivos ao longo do primeiro semestre, deve seguir em alta no restante do ano, apesar da expectativa de elevação da taxa de juros, indicada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), em suas comunicações ao mercado.

Em São Paulo, principal centro urbano do Brasil e onde o mercado de imóveis é mais aquecido, as vendas chegaram a 5.800 apartamentos em maio, o melhor resultado para o mês em 17 anos, quando o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) começou a fazer o levantamento. O recorde se deu após números mais tímidos em abril, marcado pelo pico do número de mortes pela covid-19 e pelas restrições de mobilidade, que impediram a circulação de pessoas aos estandes dos empreendimentos.

A demanda reprimida em abril representou apenas uma pausa para o mercado. No primeiro trimestre, antes do pico de casos em abril, as vendas de imóveis residenciais cresceram 27,1% em relação a igual período do ano passado, segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Com a reabertura da economia e com o avanço da vacinação, a expectativa é de crescimento mais acelerado no segundo semestre.

Até porque a economia brasileira já tem surpreendido positivamente nos últimos meses, apesar da segunda onda. Após os agentes do mercado financeiro começarem 2021 com a percepção de que o pior da pandemia já havia ficado para trás, uma segunda onda de casos gerou uma nova frustração, com o número de mortes voltando a bater recordes em abril. Com isso, as expectativas para a economia se acomodaram à nova realidade, e o mercado passou a rever suas estimativas para baixo.

Os últimos meses, contudo, demonstram que a atividade econômica tem sido resiliente ao novo choque causado pela covid-19. O cenário se beneficiou principalmente de um ambiente global mais favorável, com a vacinação em processo mais rápido nas economias mais desenvolvidas, e a disponibilidade de crédito no sistema financeiro, em meio ao nível baixo das taxas de juros. Estes dois fatores acabaram por compensar a piora das condições financeiras desde o começo de 2021.

Com isso, o mercado volta a ficar mais otimista com o desempenho do PIB no ano. O Itaú Unibanco, por exemplo, estima crescimento de 5,5% para o PIB em 2021, enquanto Bradesco e Santander projetam, respectivamente, 4,8% e 4,85%.

Por outro lado, a inflação ainda preocupa e tem forçado o Banco Central (BC) a acelerar o passo no processo de normalização da política monetária, com o avanço da Selic, que chegou a 4,25% e caminha para atingir o nível de equilíbrio, ao redor de 6,5%, conforme sinalizado pelo próprio BC. Ainda assim, a taxa básica de juros segue em patamar baixo, se comparada aos níveis históricos do Brasil, que se acostumou a taxas de dois dígitos.

Portanto, o mercado imobiliário não deve ser prejudicado pelo aumento dos juros. Pelo contrário, a expectativa é que a reabertura da economia e o avanço da vacinação continuem destravando a demanda e gerando novos negócios.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL