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2024, um ano de oportunidades para o turismo

Olhando para os últimos 12 meses, é inegável que 2023 foi um ano de recuperação para o Brasil, que deve voltar a figurar entre as dez maiores economias do mundo de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Após um período de intensas mudanças, causadas principalmente pela pandemia, parece que finalmente estamos conseguindo nos ajustar a uma nova realidade.

O ano foi marcado por intensos debates em torno do controle do endividamento por meio do novo arcabouço fiscal. Já o BC mostrou empenho na redução da taxa de juros, que teve seu primeiro corte depois de três anos anunciado em agosto e seguido de outro em novembro, quando chegou a 12,25% ao ano.

A Bolsa brasileira também deu sinais de recuperação, operando em torno de 126 mil pontos no final de novembro. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em outubro o mercado de capitais seguiu a trajetória de crescimento observada nos meses anteriores e movimentou R$ 46,1 bilhões em emissões, o terceiro maior volume do ano.

Os principais volumes no mês dentre os títulos registrados foram de debêntures, Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs) e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Entre janeiro e outubro, a captação acumulada foi de R$ 337,3 bilhões.

Já o saldo de recursos estrangeiros na Bolsa de Valores em novembro foi o maior deste ano, bem como o maior para o mês desde 2020. A virada foi induzida pelo alívio com o cenário dos juros nos Estados Unidos, sazonalidade e fatores internos. Ainda assim, é difícil repetir no curto prazo o rali que vimos entre 2019 e 2021, principalmente por conta de fatores externos como a guerra na Ucrânia e o recente conflito em Israel.

Para 2024, estimativas apontam que a Selic deve seguir seu ciclo de queda, aproximando-se cada vez mais da casa dos 10%. Com a diminuição do custo de capital, deve ocorrer um aquecimento do consumo e incentivo aos investimentos, tanto para o investidor pessoa física, quanto empresas.

Nesse cenário, um dos setores que mais sofreu com as restrições impostas pela pandemia e que vem dando sinais claros de recuperação é o turismo. Entre janeiro e setembro de 2023, o setor cresceu 7,9% em relação ao mesmo período de 2022, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo IBGE. As principais altas foram registradas em Minas Gerais (17,5%), Bahia (13,9%), Paraná (12,9%), Rio de Janeiro (11,8%) e São Paulo (6,3%).

Já o levantamento da Embratur mostra que o país recebeu 4,8 milhões de visitantes ao longo do ano, o maior fluxo desde 2020. A verdade é que os players que sobreviveram aos desafios da pandemia saíram mais prontos para aproveitar a retomada e crescer.

Segundo dados do Relatório de Impacto Econômico, produzido pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor deve arrecadar US$ 145,7 bilhões em 2023, 5% acima do registrado em 2019, o equivalente a 7,8% do PIB nacional. Aqui vemos que ainda há muito espaço para crescimento, especialmente para um país rico em belezas naturais e eventos mundialmente conhecidos, como o Carnaval e o São João.

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Outra boa notícia é a divulgação do ranking de países mais seguros para viajar em 2024 publicado pela Berkshire Hathaway Travel Protection. De acordo com o levantamento, o Brasil está em 15º lugar, uma escalada de 27 posições desde o ano passado, quando estava em 42º lugar. Mas será que nossas cidades estão preparadas para um fluxo crescente de visitantes? Locais como Gramado (RS), Caldas Novas (GO) e Olímpia (SP) vêm se firmando cada vez mais no cenário turístico nacional, com a criação de festivais, eventos e parques em complemento aos seus atrativos naturais.

Outro fator importante para a atração de visitantes, especialmente os de maior poder aquisitivo, é o investimento em um imobiliário turístico de alto nível. Aqui entram hotéis, resorts, bem como as multipropriedades, modelo que ganha cada vez mais notoriedade no país.

Segundo dados do estudo Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil, publicado pela Caio Calfat Real Estate Consulting, existem atualmente 180 empreendimentos nesse modelo em todas as regiões do país, aumento de mais de 15% em relação ao registrado em 2022. No período entre abril de 2022 e abril de 2023, o Valor Geral de Vendas (VGV) do mercado da multipropriedade no Brasil alcançou R$ 59,9 bilhões, uma alta de 45,38%.

Em um país onde o turismo é um luxo para grande parte da população, esse modelo de desenvolvimento turístico-imobiliário pode viabilizar o acesso a hotéis e resorts, sendo uma opção inteligente para quem gosta de viajar e busca custo-benefício na aquisição da experiência de férias em destinos cobiçados, a maioria longe dos grandes centros. Outra vantagem é a possibilidade de geração de renda extra por meio da locação ou ainda o intercâmbio das cotas.

Vale lembrar que o investimento isolado no imobiliário turístico não é suficiente para um desenvolvimento de longo prazo da atividade turística no país. Para poder atender um fluxo cada vez maior e contínuo de turistas locais e internacionais, é importante que haja investimentos significativos em infraestrutura (incluindo acesso, segurança, sistemas de saúde e saneamento locais) e na qualidade dos serviços oferecidos.

É um passo importante iniciativas como o Novo Fundo Geral de Turismo (Fungetur), fundo especial de financiamento vinculado ao Ministério do Turismo para o financiamento de projetos, aquisição de bens para empreendimentos turísticos e a oferta de capital de giro à indústria turística.

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Com esse apoio financeiro, é possível melhorar a qualidade e a oferta de serviços de turismo, proporcionando uma experiência mais atrativa para os visitantes de um destino. Nesse cenário, acreditamos que 2024 será um ano de oportunidades para investidores, com espaço para todos prosperarem.

Opinião

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