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OPINIÃO

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Construção civil: como estão as empresas do setor e qual se deu melhor?

ilkercelik/iStock
Imagem: ilkercelik/iStock
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Research do PagBank

19/05/2022 04h00

Muitas empresas do setor de construção civil já reportaram seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2022. Com isso, é possível entendermos, em detalhes, o quanto elas foram afetadas pela inflação e pela alta na taxa de juros.

O setor foi impactado negativamente pelo aumento nos custos de construção, o que pressionou a margem da maioria das construtoras e incorporadoras. Como a inflação segue alta e a taxa de juros deve sofrer um novo aumento por parte do Banco Central, a situação macroeconômica deve seguir desafiadora para as empresas do setor.

Os destaques positivos ficaram com Cury, Melnick, Mitre e Eztec. O foco das empresas Melnick e Eztec está nos empreendimentos de alta e altíssima renda, que são menos sensíveis à variação de preços e a alta da taxa de juros, dado que seus consumidores possuem melhor poder de compra. Isso permitiu a essas companhias realizar um maior repasse na alta dos custos de produção, mantendo assim as suas margens em níveis saudáveis.

Enquanto a Cury — mesmo tendo presença na baixa e média renda — executou uma estratégia diferente, focando nas faixas mais altas do programa Casa Verde Amarela, que também é menos impactado pelo movimento de aumento na taxa de juros, uma vez que as taxas contratadas pelo comprador são fixas e não são ligadas às alterações da Selic. Além disso, as faixas mais altas do programa incluem clientes com melhor poder de compra.

Já as demais empresas tiveram desempenho aquém do esperado, sendo impactadas pela alta nos custos de produção e pela não-capacidade de repassarem integralmente esse custo para os consumidores — na maioria dos casos por causa do foco nas camadas de baixa renda, que são mais impactadas pelos aumentos de preços e possuem índices de inadimplência maior.

Nossa preferência, como PagBank, para o setor é a Eztec (EZTC3), empresa focada em empreendimentos de alta renda nas grandes regiões metropolitanas do estado de São Paulo e que possui um excelente banco de terrenos. As ações da companhia acumulam uma queda de 10,78% no ano de 2022 e 43,48% nos últimos 12 meses.