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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Petrobras e construção civil: o que você precisa saber antes de investir

O relator da MP, senador Marcos Rogério (DEM-RO), quer incluir dispositivo para obrigar a Petrobras a devolver uma quantia bilionária à União - Bruno Domingos/Reuters
O relator da MP, senador Marcos Rogério (DEM-RO), quer incluir dispositivo para obrigar a Petrobras a devolver uma quantia bilionária à União Imagem: Bruno Domingos/Reuters
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Felipe Bevilacqua

10/06/2021 08h45

Hoje vamos conversar sobre a possibilidade da Petrobras (PETR3/4) ser obrigada a devolver quantia bilionária aos cofres públicos e sobre dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) que mostra aquecimento desse mercado.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os leitores de UOL Economia+. Conheça os recursos do serviço de orientação financeira UOL Economia+, para quem quer investir melhor.

Petrobras: uma canetada nada agradável

A Medida Provisória que, entre diversas questões envolvidas, tem como foco principal a capitalização da Eletrobras (ELET3/ELET6), pode trazer uma "pegadinha" que afeta negativamente a Petrobras (PETR3/PETR4).

O relator da MP, senador Marcos Rogério (DEM-RO), quer incluir dispositivo para obrigar a Petrobras a devolver uma quantia bilionária relativa às vendas de gasodutos para a iniciativa privada. A proposta já foi levantada em 2019, mas não prosperou.

O argumento é de que o valor recebido pela Petrobras leva em conta um método incorreto de avaliação. A companhia teria recebido muito mais do que deveria, porque a venda ocorreu antes do vencimento dos contratos dos gasodutos, que seguem ativos.

As transações seguiram as regras de concorrência e foram aprovadas por diversos órgãos reguladores, incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU).

O valor a ser devolvido à União seria utilizado na criação do fundo de estabilização de preços de combustíveis, que vem sendo discutido desde a saída de Roberto Castelo Branco da presidência da Petrobras. O governo federal quer estabilizar os preços dos combustíveis porque os recentes aumentos são altamente impopulares para o presidente da República.

A eventual aprovação da medida seria um balde de água fria no ânimo dos investidores, que esperam continuidade da transparência e independência da Petrobras. A companhia vive um momento operacional fantástico em termos de rentabilidade, produtividade e geração de caixa.

Com dólar alto e preços internacionais do petróleo em ascensão, é quase impossível estabilizar preços internos sem intervenção estatal, com aportes de recursos. Aparentemente, os recursos serão retirados novamente da margem de lucros da estatal, como ocorreu entre 2013 e 2015.

Se a proposta for aprovada, o impacto negativo nas ações da Petrobras (PETR3/PETR4) será inevitável, ante o temor de reviver os períodos de prejuízos bilionários e endividamento quase insustentável.

Avanço em lançamento de imóveis

O setor de construção civil mostra sinais de recuperação. O número de lançamentos de imóveis avançou cerca de 39% no primeiro trimestre de 2021, ante o mesmo período no ano passado. O destaque ficou para o segmento de imóveis de médio e alto padrão, que apresentou alta de 65% (7,8 mil unidades lançadas). No segmento Casa Verde Amarela, a alta foi de 31% (18,8 mil unidades).

As vendas também se mostraram mais aquecidas, com aumento da quantidade de unidades vendidas em cerca de 21% no ano contra ano, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Nesse caso, o destaque ficou para o segmento de mais baixa renda, com alta de 26% (29.600 unidades) contra queda de 5% no segmento médio e alto padrão (4.500 unidades)

O presidente da Abrainc, Luiz Antonio França, disse estar otimista quanto à recuperação do setor tanto em 2021, tanto em lançamentos quanto em vendas, com estimativas de crescimento de 40% e 30% respectivamente. Segundo França, as taxas atrativas de juros ajudam a impulsionar o setor.

França ainda se mostrou otimista quanto ao aumento de custos de construção. Há uma tendência de estabilização de preços, com o dólar em queda trazendo mais previsibilidade para os segmentos.

As notícias são positivas para as companhias do setor, devendo impactar positivamente os preços de suas ações CYRE3, EVEN3, EZTC3, MRVE3, MTRE3 para o curto prazo.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL