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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsa oscila forte com crise política: veja o que fazer com suas ações

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Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/09/2021 04h00

O que aconteceu no mundo dos investimentos logo após as declarações antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas manifestações de 7 de setembro? Bolsa em queda. O Ibovespa despencou quase 4% na quarta-feira (8). No dia seguinte, em carta escrita com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro recua e diz que falas golpistas se deram no calor do "momento". Resultado: a Bolsa sobe 1,72%.

O mercado financeiro já antecipou o período de eleições e o investidor pode estar se perguntando: com tanto sobe e desce, é o momento de entrar ou sair da Bolsa? O assunto foi abordado no programa Investimento Ao Vivo, do UOL feito em parceria com a casa de análise Levante Ideias de Investimento. Veja abaixo o que disseram os especialistas.

O programa Investimento Ao Vivo é transmitido quinzenalmente na página inicial do UOL, e na página de Investimentos, mas fica disponível para consulta. O vídeo é exclusivo para assinantes.

Ajustes na carteira são comuns

O economista Rafael Bevilacqua e a especialista em investimento Julia Reis disseram que o reflexo na Bolsa no dia seguinte ao 7 de setembro mostrou um clima de nervosismo por conta da escalada do embate entre os Poderes. Mas os investidores devem "manter a calma", segundo os especialistas.

"É comum a gente fazer ajustes na carteira. O cenário esquentou um pouco e está um pouco tenso? Aproveite para reduzir o risco", afirmou o analista Rafael Bevilacqua.

Segundo ele, os grandes investidores são os responsáveis por fazer ajustes nas suas carteiras.

Movimento assusta investidores iniciantes

Julia Reis disse que esse movimento de muita volatilidade na Bolsa acaba assustando os investidores que estão chegando à renda variável.

"Mas isso é algo normal no mercado. No Brasil, a gente sempre tem esse risco político, inflação alta, taxa de juros mais elevada. Então, isso acaba impactando, mas não é algo novo no mercado", afirmou ela.

Para Bevilacqua, o investidor tem que aprender a conviver com essa dinâmica. "O mercado passa por essas tensões o tempo inteiro."

Ruído ou mudança estrutural?

Julia Reis disse que é preciso saber "separar o que é um ruído do que é alguma mudança realmente estrutural".

"A gente tem que pensar nessas quedas. Aquela empresa realmente deixou de valer o que vale? Ela vai deixar de existir? Às vezes o ativo é precificado dessa maneira, mas não é algo próximo à realidade. É mais uma movimentação de curto prazo", disse.

Segundo Bevilacqua, o preço de uma ação está "refletindo o nervosismo do dia a dia". "Ele não reflete, de fato, o que aquela empresa vale", afirmou.

Os analistas disseram que, além do cenário político, o mercado vem sofrendo outros impactos, como pandemia, inflação, taxa de juros, crise hídrica, etc.

"Mas tudo isso já está precificado nos ativos. Faz muito mais sentido a gente entender os fundamentos da empresa", disse Rafael Bevilacqua.

Um ponto a ser considerado é a retomada da economia que, mesmo que de forma gradual, já está gerando resultados positivos nas empresas. No segundo trimestre, boa parte das empresas listadas em Bolsa apresentou lucro e recorde de crescimento.

"Temos que considerar tudo isso na hora de olhar os ativos e perguntar: essa empresa vai deixar de existir? O Magazine Luiza, por exemplo, vai deixar de existir?", declarou Julia Reis.

Viés emocional na Bolsa

Rafael Bevilacqua disse ainda que os investidores têm um viés emocional em relação à Bolsa.

"Quando a Bolsa cai, as pessoas ficam cautelosas para comprar ações, e quando os preços sobem, elas ficam otimistas. É um viés emocional. O movimento tem que ser o contrário", disse.

Para Julia Reis, esse sentimento pode ser uma falta de entendimento do investidor do que está acontecendo.

"Às vezes, a queda de uma ação é justificada por alguns motivos. Mas nem sempre. É preciso entender o porquê de aquilo estar acontecendo. E aproveitar a abertura de oportunidades", afirmou.

A decisão de investir não pode ser emocional, tem que ser racional, disse Rafael Bevilacqua.

Vale entrar ou sair da Bolsa?

Os analistas foram unânimes: é o momento de investir na Bolsa. "Quando você vê boas oportunidades na Bolsa, é hora de fazer novos aportes", disse Rafael Bevilacqua.

Mas eles alertam: não são todos os ativos que valem a pena. "Existe uma questão de ciclo, de momento. Existem empresas que são muito boas, mas estão com um valor um pouco mais esticado, valendo além do que deveriam, sem potencial de valorização", disse Julia Reis.

Segundo eles, os setores que valem a pena investir no momento são varejo têxtil, bancário e commodities.

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL