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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Grupo Pão de Açúcar vende Extra Hiper para Assaí: como ficam as ações

Conteúdo exclusivo para assinantes

Felipe Bevilacqua

15/10/2021 09h25

Hoje comentaremos a transação de lojas envolvendo Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí (ASAI3) e sobre a EDP Brasil (ENBR3), que foi vencedora do leilão da Celg Transmissão.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

GPA e Assaí fazem acordo de R$ 5,2 bilhões

Na noite desta quinta-feira (14), o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e o Assaí (ASAI3) anunciaram um acordo para a conversão de lojas Extra Hiper, atualmente operadas pelo GPA, em "cash & carry" (atacarejo), que passarão a ser operadas pelo Assaí.

Segundo o comunicado enviado ao mercado, a transação envolve 71 pontos comerciais espalhados pelo país, tanto lojas Extra Hiper hoje operadas em imóveis próprios quanto os contratos de locação para imóveis de terceiros. O Assaí ainda pode adquirir certos equipamentos utilizados nas lojas.

O negócio prevê o pagamento de até R$ 5,2 bilhões ao GPA, dos quais R$ 4 bilhões serão pagos pelo Assaí em parcelas entre dezembro de 2021 e janeiro de 2024. Ainda segundo o comunicado, o GPA acertou com um fundo de investimento imobiliário a alienação de 17 imóveis próprios do GPA, a serem vendidos por R$ 1,2 bilhão.

Simultaneamente, um acordo foi celebrado entre o fundo e o Assaí para a locação desses imóveis por um prazo de 20 anos, prorrogável por igual período. A transação é o famoso "sale-leaseback", por meio do qual a companhia vende o imóvel e continua utilizando-o mediante pagamento de aluguel ao novo proprietário. Neste caso, quem alugará os imóveis será o Assaí, que ainda será o garantidor do pagamento da venda ao GPA.

Esperamos uma reação positiva nas ações do Pão de Açúcar, com a companhia recebendo um alto valor por parte de suas lojas em relação ao seu valor de mercado atual (R$ 7,5 bilhões, considerando o fechamento do dia 14). O GPA possui, atualmente, 103 lojas nesse formato, e venderá 71.

A marca Extra Hiper será descontinuada e o restante das lojas será convertido em outro formato com maior potencial de rentabilidade. Agora o foco da companhia será na aceleração da expansão das bandeiras Pão de Açúcar, Minuto e Mercado Extra, além de reforçar sua liderança no e-commerce alimentar, o que deve trazer melhorias operacionais à empresa.

Já em relação ao Assaí, a expectativa é que a companhia converta as lojas adquiridas e melhore os resultados delas, além do importante crescimento inorgânico realizado com a aquisição. Antes do "spin-off" realizado entre GPA e Assaí, em março deste ano, a conversão da bandeira dos hipermercados era comum, com mais de 25 lojas convertidas desde 2016. Já no lado negativo da transação para o Assaí está a questão da governança, pois ambas as companhias são controladas pelo grupo Casino.

Considerando o valor potencial máximo da transação, o preço pago por loja é de R$ 73 milhões, ante uma estimativa de R$ 60 milhões por uma nova loja do Assaí. Esses dois últimos pontos podem fazer com que a transação não seja tão positiva para o Assaí como é para o GPA.

EDP Brasil vence leilão da Celg-T

A EDP Brasil (ENBR3) divulgou na quinta-feira (14) que foi a vencedora no leilão de 100% das ações da Celg Transmissão, pertencentes à CelgPar, por quase R$ 2 bilhões. A aquisição ainda está sujeita à homologação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deve seguir sem maiores problemas.

A Celg-T possui um portfólio de 755 km de rede e opera 14 subestações, que percorrem principalmente o estado de Goiás. A concessão tem prazo de duração até o período de 2043 a 2046 e apresenta Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 233 milhões no ciclo de 2021/2022.

A transação reforça o ciclo de crescimento da EDP Brasil, com ênfase nos segmentos de distribuição e transmissão, conforme apresentado na reunião com investidores em abril deste ano.

Nessa reunião, também ficou determinado que para os anos de 2021 até 2025, a companhia iria investir R$ 6 bilhões em distribuição, R$ 3 bilhões em energia solar e R$ 1 bilhão, em transmissão.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL