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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Empresas de construção estão em estado de alerta; crise irá se repetir?

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Felipe Bevilacqua

02/12/2021 09h52

Hoje comentaremos sobre os próximos leilões de saneamento e as perspectivas para o setor de construção civil.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Equatorial: leilões de saneamento para dezembro

Após grandes licitações no setor de saneamento ao longo de 2021, como a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro), em abril, da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento), em agosto, e da Caesa (Companhia de Água e Esgoto do Amapá), em setembro, o mês de dezembro traz mais uma série de leilões para o setor com a expectativa de contratação de até R$ 8,3 bilhões em investimentos.

Ao todo serão licitados seis projetos, sendo o primeiro em Dois Irmãos do Tocantins (TO), nesta sexta-feira (3). Nas semanas seguintes serão licitados demais projetos de menor porte, como Xique-Xique (BA), Goianésia (GO) e Teresópolis (RJ). A principal expectativa, no entanto, está nos leilões dos dias 13 e 29 de dezembro, que são projetos de Alagoas (bloco B e C) e Rio de Janeiro (bloco 3), respectivamente.

Neste contexto, a licitação de Alagoas, com investimento previsto da ordem de R$ 2,9 bilhões, deve atrair forte concorrência, com a participação de operadores privados tradicionais do setor, como Aegea Saneamento, Iguá Saneamento e Águas do Brasil, e novos entrantes, como a Equatorial Energia, que se sagrou vencedora do leilão de saneamento no Amapá, em setembro.

No caso do bloco 3, do Rio de Janeiro, a competição deverá ficar concentrada nos grupos que já operam no estado, caso da Aegea, Iguá e Águas do Brasil. Vale lembrar que as duas primeiras foram as vencedoras do último leilão da Cedae, realizado em abril, e que a Águas do Brasil já possui uma concessão, em parceria com a BRK, na zona oeste da capital fluminense - área que integra o bloco que será licitado.

Incorporadoras projetam encolhimento do mercado

As incorporadoras de imóveis começaram a ligar o sinal de alerta sobre o ano de 2022, que deve ser de encolhimento do setor, com a inflação e juros em alta reduzindo drasticamente o poder de compra da população.

No entanto, as companhias não acreditam que o cenário de 2007-2014 se repetirá. Executivos afirmam que a crise de covid-19 tende a ser menos acentuada. Os juros tão altos e os custos de construção pegaram o setor de surpresa, mas deveremos observar uma recuperação em dois ou três anos.

O segmento que mais deixou trauma no setor na última recessão foi o de média e alta renda, uma vez que não há um déficit habitacional tão severo como nas de baixa renda e não havia o suporte do programa Minha Casa, Minha Vida. No atual momento, parece que as classes mais altas tinham uma demanda reprimida maior e estão conseguindo atravessar a crise de maneira mais "tranquila".

Olhando para o setor de baixa renda, a inflação deve corroer grande parte da renda dessa parcela da população (vale ressaltar que a carga elevada dos impostos em produtos destrói a renda das camadas mais pobres em um cenário de inflação). Porém ainda há a questão do déficit habitacional e do financiamento pelo FGTS.

Vemos com cautela a visão de que a crise será menos intensa do que a passada, levando em conta a incerteza de como os efeitos da pandemia afetarão o país e a população. Por ora, a projeção é essa, mas ainda não temos a inflação controlada, os juros não se estabilizaram e uma nova variante acaba de ser descoberta.

Há um ponto importante a ser destacado que mostra uma diferença crucial entre o período de 2007-2014 e o atual: os estoques. Na década passada, a explosão de lançamentos foi mais duradouro, e as empresas lotaram seus estoques de unidades prontas que acabaram não sendo vendidas e até obras que nunca foram entregues.

Por fim, outro indicador importante que devemos ficar de olho é o nível de distratos das empresas, que são os apartamentos que foram vendidos, mas acabam sendo devolvidos pelos clientes. Não vemos por enquanto uma expectativa de aumento dos distratos, pela alta demanda reprimida e um nível menor de vendas em relação ao último período.

Além disso, houve uma mudança significativa na lei dos distratos, que antes possibilitava ao cliente receber até 90% do valor pago pelo imóvel, passando agora para restituição entre 50-75%.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL