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Como a alta dos juros ao redor do mundo afeta seus investimentos

Veja quai são os investimentos mais recomendados diante da disparada dos juros não só no Brasil - Getty Images
Veja quai são os investimentos mais recomendados diante da disparada dos juros não só no Brasil Imagem: Getty Images
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11/05/2022 11h00

O debate acerca da alta dos juros tem se intensificado em algumas das principais economias do planeta nas últimas semanas — especialmente nos Estados Unidos, onde a inflação já é a mais alta em 40 anos. Aqui no Brasil, as expectativas do mercado é de que haja, ao menos, mais uma elevação da taxa básica de juros (Selic) em 2022 — que já se encontra no patamar de 12,75%.

Mas por que há um movimento global de alta dos juros conduzido pelos principais Bancos Centrais do mundo? Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, responde a essa dúvida. Ele explica, ainda, como essa tendência global afeta o seu cotidiano e os seus investimentos.

O mito da inflação transitória

"Ao longo de 2021, figuras proeminentes da política monetária mundial, dentre as quais merece destaque Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), repetiram exaustivamente o mantra da 'inflação transitória', alegando que a alta dos preços logo arrefeceria", afirma Bevilacqua.

Entretanto, com a aceleração contínua da inflação em algumas das principais economias do planeta, especialmente nos Estados Unidos, segundo ele, logo ficou claro que os Bancos Centrais precisariam agir se quisessem conter esse aumento persistente de preços.

Após meses de relutância, o Fed deu início a um movimento de alta dos juros nos Estados Unidos em março, elevando a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto percentual, para o patamar entre 0,25% e 0,50% ao ano. "Naquele momento, Powell e seus colegas decretavam o fim do mito da inflação transitória", diz o especialista da Levante.

Causas da inflação

O que tem sido apontado como o principal motivo para a disparada da inflação entre 2021 e 2022 é o descasamento entre a oferta e a demanda de uma série de insumos e produtos nos mercados. O descompasso teria sido provocado pela pandemia da covid-19, que causou uma abrupta interrupção das cadeias produtivas globais.

"Em outras palavras, com o fechamento de fábricas, do comércio e do setor de serviços ao longo de 2020 e parte de 2021, houve uma interrupção das relações estabelecidas ao longo das cadeias produtivas, que conectam produtores de insumos básicos, indústrias e varejistas responsáveis por levar produtos ao consumidor final", declara Bevilacqua.

Assim, com a reabertura da economia ao longo do ano passado, a demanda voltou a crescer nos mais diversos setores, mas a indústria e o comércio não estavam preparados para voltar a suprir essa demanda repentinamente. Como resultado disso, a escassez de produtos aliada a uma alta demanda provocou a disparada dos preços.
Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

Um exemplo que ilustra esse fenômeno de maneira clara vem do setor automotivo, de acordo com o sócio-fundador da Levante. Os preços dos carros dispararam em todo o mundo no último ano, muito em função da indisponibilidade dos semicondutores, componentes eletrônicos imprescindíveis para a produção de automóveis.

Devido à escassez desses componentes, a indústria enfrentou dificuldades para retomar os níveis de produção observados antes da pandemia, o que fez com que a oferta de veículos se revelasse insuficiente para suprir a demanda, resultando em aumento de preços.

"Contudo, essa está longe de ser a única razão para a disparada da inflação global. Inúmeros fatores contribuíram para esse fenômeno, inclusive erros na condução da política monetária de algumas das principais economias do planeta", afirma.

Fed atrás da curva

Bevilacqua diz ainda que "outro fator que contribuiu para a disparada da inflação global foi a lentidão do Federal Reserve em retirar os generosos estímulos à economia implementados ao longo da pandemia e dar início a um ciclo de alta dos juros".

Para ele, o Fed se apegou à ideia de que a inflação seria transitória, e demorou para tomar uma atitude no sentido de conter a alta dos preços nos Estados Unidos.

"Um dos princípios básicos da política monetária é que as autoridades podem optar, caso julguem necessário, pela adoção de uma política expansionista — aquela que favorece o crescimento econômico e permite o aumento da inflação — pela ou política contracionista — que tende a conter a inflação às custas do crescimento econômico", diz.

Desde antes da pandemia, o Fed já mantinha uma política claramente expansionista, com taxas de juros baixas, compras de títulos públicos e hipotecários e expansão da base monetária, ou seja, aumento da quantidade de dólares em circulação.

Com a crise sanitária, houve uma forte intensificação dessa política expansionista, com aumento do volume de compras de títulos e o fornecimento de vouchers generosos para a população, acelerando a expansão da base monetária.

Tal movimento era, em parte, necessário, uma vez que a população precisava se sustentar durante o período de isolamento social.

Mas ele afirma que ficou evidente para o mercado que o Fed demorou a mudar sua postura e a adotar uma política um pouco mais contracionista. "Com isso, virou lugar-comum ouvir que o Banco Central norte-americano estaria 'atrás da curva'".

Correndo atrás do prejuízo

Com a inflação atingindo recordes na Europa, chegando ao nível mais alto dos últimos 40 anos nos Estados Unidos e gerando grande preocupação em economias emergentes como Brasil e Índia, banqueiros centrais ao redor do globo se mobilizam com o intuito de fazer com que os índices de preços convirjam para suas respectivas metas.

Devido ao histórico preocupante do Brasil, o BC (Banco Central) se antecipou e deu início a um ciclo de alta da Selic, a taxa básica de juros, ainda em março do ano passado, elevando gradativamente a taxa de 2% para os atuais 12,75% ao ano.

O Reino Unido, por sua vez, foi o primeiro país desenvolvido a subir os juros, quando elevou sua taxa básica de 0,10% para 0,25% ao ano, em dezembro de 2021. Atualmente, os juros no país se encontram em 1% ao ano.

Na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) já discute a possibilidade de elevação dos juros no segundo semestre deste ano.

Nota-se, portanto, uma tendência de aperto monetário não apenas no Brasil, mas em todos os países que vêm sendo afetados de forma mais severa pela disparada da inflação global.

Investindo com juros em alta

A mudança de postura dos Bancos Centrais tende a afetar drasticamente os rumos do mercado. Portanto, é imprescindível adequar seus investimentos a esse novo cenário, que cria uma série de oportunidades.

Tratando-se de renda fixa, Bevilacqua recomenda os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto com rentabilidade indexada à Selic, também conhecidos como Tesouro Selic. Ele afirma que são uma boa opção de investimento para quem quer se beneficiar do contexto atual.

"Com a Selic em alta, o juro real — ou seja, a rentabilidade dos investimentos menos a inflação — deve se manter em patamares atrativos no curto e no médio prazo, mesmo que a inflação fique acima da meta neste ano", declara.

Para quem preza por investimentos com alta liquidez, ou seja, aqueles que são mais fáceis de resgatar, os fundos DI, que têm como objetivo replicar o desempenho da taxa de Certificado de Depósito Interbancário (CDI) são uma opção interessante, embora potencialmente menos rentáveis que o Tesouro Selic.

Ele afirma que no mercado de ações, por outro lado, as coisas tendem a ficar mais complicadas. "Com juros em alta, os investidores passam a adotar uma postura mais cautelosa, e aqueles com perfil mais conservador acabam optando pela renda fixa", afirma.

Além disso, segundo o especialista, o crédito tende a se tornar mais caro em momentos de aperto monetário, o que prejudica as companhias que operam com um grau de endividamento mais alto.

Assim, ações de empresas com alto potencial de crescimento que dependem da emissão de dívida para financiar a expansão de suas atividades tendem a apresentar um desempenho mais fraco no curto prazo.

Para o investidor com visão de longo prazo, o momento atual pode oferecer ações de empresas sólidas que atuam em setores perenes a preços historicamente baixos.

Entretanto, ele alerta que é preciso compreender qual o seu grau de tolerância ao risco antes de investir nesses papéis, uma vez que mesmo essas companhias consolidadas e lucrativas devem oscilar no curto prazo.

Perspectivas de investimentos diante da alta dos juros

"O salto dos juros no mundo altera completamente o cenário de alta liquidez dos mercados, conforme observado nos anos que antecederam a pandemia, período no qual as empresas de tecnologia com seus modelos de negócios disruptivos e alto potencial de crescimento se mostraram bastante lucrativas como investimentos", afirma Bevilacqua.

O sócio-fundador da Levante declara que, pelo menos no curto prazo, os investidores devem ser mais cuidadosos na seleção dos ativos que entrarem para as suas carteiras, priorizando os menos sujeitos aos riscos do cenário atual.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre como a alta dos juros afeta seus investimentos.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.