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Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

A inflação não vai embora tão cedo: quais os melhores investimentos agora?

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Imagem: Getty Images
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20/04/2022 11h00

Os brasileiros estão tendo de lidar com preços cada vez mais altos, principalmente em mercados e postos de combustíveis. Afinal, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice oficial da inflação no Brasil, teve alta de 1,62% em março. Essa é a maior variação para o mês em 28 anos, desde 1994.

Mas o que leva à disparada da inflação no país? Como esse fenômeno afeta os investimentos? Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, responde a essas dúvidas e mostra quais ativos tendem a se beneficiar desse cenário de inflação elevada e juros em alta —sendo, portanto, opções para quem quer proteger o patrimônio.

A inflação não vai embora tão cedo

Após o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil, ter encerrado 2021 com alta acumulada de 10,06%, as projeções iniciais do mercado e do Banco Central (BC) indicavam que a disparada dos preços seria contida neste ano, se aproximando do teto da meta, de 5%.

"Contudo, mudanças significativas no tabuleiro geopolítico global, provocadas principalmente pela eclosão da guerra na Ucrânia, fizeram a inflação voltar a acelerar em quase todo o planeta — inclusive no Brasil", diz o estrategista-chefe da Levante.

Em janeiro deste ano, a inflação deu sinais de recuo, avançando 0,54% —com destaque para as altas de 1,82% do grupo artigos de residência, 1,11% do grupo alimentação e bebidas e 1,07% do vestuário.

No mês seguinte, em fevereiro, o IPCA voltou a acelerar. Houve alta de 1,01%, puxada principalmente pela disparada de 5,61% do segmento de educação.

Bevilacqua afirma que as altas mais expressivas de alguns grupos nos primeiros meses do ano já eram esperadas —em virtude da flexibilização das restrições impostas durante a pandemia.

"Com a volta da circulação das pessoas, a retomada do ensino presencial e a recuperação do setor de eventos, era natural que ocorresse um aumento dos preços nos setores de serviços, no varejo de moda, nas mensalidades cobradas por escolas e universidades, e outros segmentos severamente penalizados durante a crise sanitária", declara.

Todavia, em março deste ano ficou evidente que será muito difícil - ou praticamente impossível - fazer com que a inflação convirja para a meta em 2022.
Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

No mês, o IPCA avançou 1,62%, com destaque para as altas de 3,02% do grupo transportes e 2,42% do grupo alimentação e bebidas.

Os efeitos da guerra

"Observando os segmentos que apresentaram as altas mais expressivas no último mês, fica evidente o impacto exercido pela invasão russa à Ucrânia nos mercados globais", diz o especialista.

No caso dos transportes, a alta se deve à disparada da cotação do barril do petróleo no mercado internacional, uma vez que a Rússia é um dos principais exportadores da commodity.

O petróleo mais caro levou a Petrobras (PETR3/PETR4) a anunciar, no dia 10 de março, reajustes de 18,7% para a gasolina e 24,9% para o diesel vendidos nas distribuidoras.

No caso dos alimentos, a disparada dos preços já preocupava desde antes da eclosão do conflito. Mas com a alta dos preços dos combustíveis, aumentam os custos do agronegócio com logística, o que acaba tornando os produtos mais caros para o consumidor final.

Além disso, Rússia e Ucrânia são importantes produtoras de grãos, respondendo por cerca de 30% do trigo comercializado em todo o planeta e 12% de todas as calorias consumidas pela população global.

Com as fazendas ucranianas sob constante ameaça de ataques e com nações ocidentais cortando relações comerciais com a Rússia, especialistas projetam uma crise de escassez de grãos a nível global — o que tende a pressionar ainda mais a inflação dos alimentos.

"Também é importante ressaltar que ambas as nações fornecem grandes volumes de fertilizantes a outras potências agrícolas, dentre as quais o Brasil, e a interrupção dessa entrega pode resultar em colheitas mais fracas ao redor do planeta", declara Bevilacqua.

Preços altos, juros altos

Com a inflação em alta, é inevitável que os bancos centrais adotem uma postura mais dura, ou "hawkish", no jargão do mercado, o que implica na alta das taxas de juros e retirada de estímulos à economia.

No Brasil, o Banco Central já havia adotado tal postura em março de 2021, quando teve início o atual ciclo de alta dos juros. Desde então, a Selic — taxa básica de juros da economia brasileira — saiu de 2% ao ano para 11,75% ao ano, e deve subir ainda mais.

Nas economias desenvolvidas, por outro lado, a mudança de postura se deu mais recentemente, com o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) anunciando uma elevação de 0,25 ponto percentual dos juros, para o patamar entre 0,25% e 0,5% ao ano, na reunião de 16 de março.

Com juros ascendentes no Brasil e no mundo, notou-se uma abrupta mudança de tendência nos mercados globais, segundo o especialista.

[...] Migração de capital de investimentos mais arriscados, como ações de empresas de crescimento acelerado — mas que operam com margens de receita e lucros mais baixos — para alternativas consideradas mais seguras, como a renda fixa ou ações de companhias consolidadas que atuam em setores perenes, como o financeiro e o industrial.

De acordo com ele, isso ocorre porque a alta dos juros torna o crédito mais caro e eleva os rendimentos pagos por ativos de renda fixa, desestimulando o investimento em produtos que oferecem mais risco.

Como se proteger da inflação

"Por mais que seja inevitável lidar com a alta dos preços na hora de consumir produtos e serviços, é possível proteger seu patrimônio da inflação investindo nos ativos certos", afirma Bevilacqua.

Ao investidor mais conservador, que não gosta de correr grandes riscos, mas deseja obter rendimentos que superem a inflação, há uma série de opções em renda fixa, de acordo com o especialista.

Dada a natureza imprevisível da inflação que estamos experimentando atualmente, a melhor maneira de se proteger dela é investindo em ativos de renda fixa pós-fixados, ou seja, aqueles que têm sua rentabilidade atrelada a algum indexador como a Selic ou o IPCA.

Ao investir neles, a rentabilidade das aplicações acompanhará as oscilações do indexador escolhido.

"Assim, caso sua intenção seja apenas garantir a proteção contra a inflação, o mais indicado é o investimento em ativos indexados ao IPCA, como é o caso dos títulos públicos do tipo Tesouro IPCA+ disponíveis para compra no Tesouro Direto", diz o estrategista-chefe da Levante.

Para ele, contudo, é importante se atentar para os prazos de vencimento destes títulos, já que resgates antecipados podem resultar na perda de parte dos rendimentos.

Bevilacqua declara também que, apesar de os títulos indexados ao IPCA serem os únicos que garantem o repasse da inflação ao investidor, é importante levar em consideração o investimento em títulos indexados à Selic e ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

"Isso porque a alta da Selic cria uma interessante janela de oportunidade no curto prazo, uma vez que quanto mais persistente a inflação se revelar, mais intensa e duradoura deve ser a alta dos juros", afirma.

Assim, investidores que optarem por se posicionar em ativos cuja rentabilidade está atrelada à Selic ou ao CDI podem se beneficiar de retornos expressivos em 2022 e 2023, uma vez que as projeções para a inflação no curto prazo seguem abaixo das projeções para os juros.

Melhores investimentos

Levando esses fatores em consideração, Bevilacqua afirma que os melhores investimentos em renda fixa para proteger seu patrimônio na atual conjuntura são os títulos públicos do tipo Tesouro Selic com vencimentos curtos.

Ainda assim, os títulos do tipo Tesouro IPCA+ também são uma opção interessante, desde que o vencimento dos títulos esteja alinhado ao período no qual você pretende manter o valor aplicado.

Por fim, ele diz que, caso o investidor queira manter uma parcela de seu patrimônio alocada em investimentos com liquidez mais alta, os fundos DI, aqueles que buscam replicar o desempenho do CDI, devem ser levados em consideração.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre como proteger seu patrimônio da inflação.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.