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ANÁLISE

Magalu, Via e Renner perdem valor na Bolsa; o que está acontecendo?

Márcio Loréga

14/11/2022 04h00

O setor de varejo em bolsa vem amargando fortes baixas no preço de suas ações, nesse mês de novembro, mesmo sendo um período que sazonalmente é mais forte para o setor devido as datas comemorativas como a Black Friday e as vendas de Natal.

As ações da Magazine Luiza (MGLU3) já perderam cerca de 17,9%, enquanto as da Via (VIIA3) tiveram queda de 18,3%. A Lojas Renner (LREN3) está apresentando baixa de 19,9% e o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) queda de 11,7% e por fim o Carrefour Brasil (CRFB3) reduzindo no mês 13,5%, até o dia 10 de novembro de 2022.

Veja o que afeta as empresas de comércio e quais estão se saindo melhor nesse momento.

O que está derrubando as ações? O que vem afetando as ações das empresas do setor é o cenário macroeconômico, dadas as incertezas quanto à política fiscal e com seus principais condicionantes mais no terreno negativo.

Após três meses de deflação, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou avanço de 0,59% em outubro. O dado veio acima do esperado pelo mercado, que projetava alta de 0,49%.

Com o resultado do mês passado, o índice acumula alta de 4,70% no ano e de 6,47% em 12 meses. Isso afeta as ações das varejistas porque uma inflação mais elevada acaba por corroer o poder de compra dos consumidores.

Dívidas também afetam as empresas. Outro condicionante que vem apresentando piora é o índice de inadimplência. Observamos que os resultados dos grandes bancos estão sendo afetados por maiores provisões de devedores duvidosos e que o nível de inadimplência está subindo substancialmente.

O total de famílias endividadas atingiu recorde em setembro, e o número de inadimplentes também teve novo ápice, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo a CNC o total de lares brasileiros com dívidas a vencer chegou a 79,3% em setembro, o terceiro aumento consecutivo, enquanto a fatia de famílias com contas em atraso alcançou a marca histórica de 30% no mês passado. Vale salientar que o aumento no endividamento em setembro foi provocado pela maior contratação de dívidas entre consumidores de renda média e baixa.

Fora isso, ainda estamos vivendo momentos de taxas de juros elevadas, com projeções de se manterem na casa de dois dígitos até o segundo semestre de 2023. Com um cenário macroeconômico piorando as companhias não vêm conseguindo promover reajustes de preços, afetando assim as suas margens e consequentemente os seus resultados.

Como as empresas estão reagindo? Destacamos que as companhias de varejo de bens de consumo estão sendo as maiores afetadas.

A Magazine Luiza divulgou seus números na sexta-feira, mostrando piora, revertendo lucro para prejuízo de R$ 166,7 milhões no terceiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo período de 2021, no entanto, a receita subiu 2,2%, para R$ 8,8 bilhões.

A Americanas também reverteu lucro para prejuízo de R$ 212 milhões e acabou tendo também uma piora em seu operacional, com queda de 13,4% em sua receita, finalizando o trimestre com receita de R$ 5,4 bilhões.

Enquanto isso, a Via o prejuízo líquido foi de R$ 203 milhões na mesma base de comparação, uma redução de 68% se comparado ao terceiro trimestre de 2021.

As companhias de vestuário vêm apresentando certo arrefecimento em seus números, mas ainda algumas empresas estão reportando bons resultados, como é o caso das Lojas Renner (LREN3) que teve elevação de 50% em seu resultado final, finalizando o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 257,9 milhões em comparação ao mesmo período de 2021, entretanto as suas ações também estão sofrendo na Bolsa.

O mau humor dos investidores advém do braço financeiro da empresa, com as provisões liquidas crescendo 20,4% no período e uma maior preocupação com o nível de inadimplência. Por outro lado, destacamos que a companhia permanece com caixa líquido e continua apresentando uma boa gestão resultando em maiores margens.

E qual ação pode se dar melhor? Continuamos bastante confiantes com os ativos da LREN3, principalmente para os próximos dois meses restantes do ano, haja vista que o evento Copa do Mundo, aliado à Black Friday e às vendas de Natal possam impulsionar suas vendas.

Do lado dos supermercados também estamos mais confiantes, principalmente com as ações da Grupo Carrefour Brasil (CRFB3). O Carrefour Brasil divulgou seus números, apresentando queda de quase 60% em seu lucro líquido nesse terceiro trimestre em relação a um ano antes, sendo pressionado pelos efeitos da alta da taxa de juros na dívida da varejista, ocasionado principalmente pela aquisição do Grupo Big, bem como dos maiores custos de conversões de lojas.

Por outro lado, o operacional da empresa ficou positivo, com a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado crescendo 14% ano contra ano.

Além de acreditarmos em uma melhora em seus números, esperamos que a marca Atacadão, seu principal ativo, deverá melhorar seus ganhos logo que finalizar a execução do projeto de integração das lojas Big para Atacadão, o que inclui a conversão de cerca de um terço das 374 lojas adquiridas, sem contabilizar as vendidas por determinação do órgão antitruste Cade.

Além da sazonalidade e da melhor gestão das companhias, principalmente das Lojas Renner e do Carrefour Brasil, vale acrescentar que as vendas do varejo brasileiro vêm apresentando certo avanço. Destacamos que em setembro teve elevação de 1,1%, ficando acima do esperado pelo mercado, que acreditava em uma leve alta no mês, 0,5%.

O IBGE ainda revisou para cima o desempenho do comércio em agosto, para uma alta de 0,1% (o dado anterior mostrava queda de 0,1%). Na comparação com setembro do ano passado, a alta é de 3,2%, e no ano o setor acumula crescimento de 0,8%, de acordo com os números da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

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