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Magalu, Americanas, Renner estão comprando empresas; suas ações vão subir?

Magazine Luiza é a empresa do comércio que mai fez aquisições neste ano  - Divulgação
Magazine Luiza é a empresa do comércio que mai fez aquisições neste ano Imagem: Divulgação
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/04/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Magazine Luiza, Americanas e Renner fazem aquisições para crescer e ganhar mercado
  • Segundo analistas, compras pode impactar valores de ações na Bolsa
  • Variação de ações depende de valor de negócios e impacto na estratégia de longo prazo

A onda de aquisições puxada por grandes grupos de comércio no Brasil, como Magazine Luiza e Americanas, está no radar do mercado que busca projetar o impacto desses negócios na Bolsa. Segundo analistas, essas aquisições devem gerar oscilações nas ações no curto prazo e potencial de valorização no longo prazo, mas dependendo dos valores pagos em cada operação.

Cada notícia de aquisição traz de imediato uma volatilidade [oscilação] ao papel porque depende muito de quem foi comprado, de quanto foi pago, do impacto financeiro na companhia. Por isso, é importante separar cada caso para dizer o resultado no preço da ação no longo prazo.
Danniela Eiger, analista de varejo da XP Investimentos

Confira como os analistas consultados pelo UOL avaliam esse movimento de aquisições do setor e o impacto nas oportunidades de investimentos.

Crescimento em várias frentes

Para Alberto Serrentino, especialista em varejo, o setor em que atuam Magazine Luiza, Americanas e Renner está passando por uma transformação que exige crescimento tanto na frente física como na digital. A companhia que implementar essa estratégia tende a ganhar mercados e, assim, ter valorização do negócio ao longo do tempo.

No mundo digital, os chamados marketplaces estão se tornando cada vez mais dominantes, com plataformas ampliadas por diversos serviços embarcados, com oferta de meios de pagamentos, de entretenimento e outros serviços. Nesse sentido, são importantes tanto as aquisições cirúrgicas, de negócio menores, mas que criam atalhos na curva de evolução do negócio; assim como também aquisições maiores, que acelerem a expansão das vendas do grupo.
Alberto Serrentino, sócio-consultor da consultoria Varese Retail

Magalu lidera a corrida pelas aquisições

O Magazine Luiza é uma das empresas de comércio que mais têm ido às compras. Só em março, a companhia adquiriu a Steal the Look (plataforma de conteúdo de moda), VipCommerce (plataforma de varejo alimentar), ToNoLucro (delivery de comida) e a GrandChef (gestão de restaurantes). Em abril, a empresa comprou a SmartHint (sistema de buscas) e o canal Jovem Nerd (de conteúdo para o público geek).

Essas aquisições, dizem analistas, são de valores baixos em relação ao tamanho da companhia, em termos de receitas, por exemplo. Por isso, o impacto nas ações tende a ser menor no horizonte de até um ano, por exemplo.

Mas olhando para estratégias de mais longo prazo, o importante é considerar o quanto cada negócio desses soma ao projeto de criar um grupo cada vez maior no mundo digital.

As aquisições de Magalu, de modo geral, são de empresas que fazem o grupo entrar em novas verticais ou reforçar a participação em novos negócios, aumentar o sortimento e melhorar a logística e otimizar a plataforma.
Marcelo Inoue, analista da Perfin Asset

Já para os analistas do BTG Pactual, essas aquisições fortalecem a posição do Magazine Luiza para ser um dos líderes no comércio eletrônico, que vai continuar crescendo a uma taxa superior a 99%, devendo ao menos triplicar de tamanho até 2025.

Segundo o banco, o mundo digital vai aumentar a penetração sobre as vendas totais no comércio, e esse negócio terá apenas alguns vencedores. Ou seja, poucos concorrentes restarão ao final do processo. O banco projeta um preço-alvo de R$ 23 para a ação do Magalu em 12 meses, com recomendação de compra.

Americanas expande negócios

A Americanas assumiu o controle da Shipp (plataforma de delivery) e anunciou nesta semana a compra do controle do Grupo Uni.co, que detém as marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands.

Para o analista de comércio da XP Investimentos, Gustavo Senday, a compra da Uni.co é positiva para as Lojas Americanas. O analista tem recomendação de compra para a ação da empresa, com preço-alvo de R$ 36 em 12 meses.

Estimamos que o valor pago pela companhia seja pouco para o balanço da Americanas. Entendemos que há potenciais positivos advindos da aquisição, como a entrada em novas categorias organicamente.
Gustavo Senday, analista de varejo da XP Investimentos

Renner está capitalizada e quer comprar

A Renner, grupo de comércio de moda, com sede no Rio Grande do Sul, ganhou espaço no noticiário sobre aquisições depois que levantou R$ 6,5 bilhões com venda de ações. Segundo analistas, esse capital vai ser usado para comprar negócios.

O alvo seria a Dafiti, forte no meio digital, que daria ao grupo do Rio Grande do Sul poder para brigar com força numa área em que a companhia ainda está devendo em relação à concorrência.

O movimento para Dafiti faz sentido estratégico, mas tem que ver o valor a ser pago. Se for R$ 10 bilhões, como chegou a ser comentado, a gente considera alto, já que estimamos um valor de R$ 3,5 bilhões pelo ativo.
Danniela Eiger, analista de varejo da XP Investimentos

A XP tem recomendação de manutenção para os papéis da Renner, com preço-alvo de R$ 50.

Já a Genial Investimentos tem preço-alvo de R$ 60 para a Renner, com recomendação de compra.

A Renner já tem uma posição de liderança na venda física em relação a C&A, Marisa ou Riachuelo, o que a empresa quer agora é crescer no digital, e a possível compra da Dafiti pode representar um grande passo.
Renan Sartorio, analista de varejo da Genial Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.