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Quais investimentos evitar com aumento dos juros e da inflação?

Juros e inflação em alta influenciam o rendimento de alguns investimentos. Veja quais - iStock
Juros e inflação em alta influenciam o rendimento de alguns investimentos. Veja quais Imagem: iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

08/06/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Inflação oficial em 12 meses já supera 6,6% e é a maior desde novembro de 2016
  • Para conter inflação, Banco Central começou a subir juros, e taxa básica pode ir até 6,5% ao ano
  • Com inflação e juros em alta, quais investimentos vão sair perdendo, segundo profissionais de mercado

O IBGE divulga nessa quarta-feira (9) a inflação oficial no Brasil, aquela medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), para o mês de maio. Mas até abril, esse indicador já bateu 6,76% no acumulado em 12 meses, o mais elevado desde novembro de 2016. Isso é mais do que a meta do Banco Central, que tem a obrigação de entregar uma inflação menor que 5,25% até o fim do ano.

Para cumprir esse objetivo e desacelerar a inflação, o Banco Central começou a usar sua principal arma, que é subir os juros. A taxa básica de juros Selic já subiu de 2% para 3,5% e, segundo economistas, pode ir até 6,5% ainda este ano.

Para o investidor, esse movimento combinado de alta de inflação e de juros precisa ser considerado na hora de escolher o melhor lugar para colocar o dinheiro porque algumas aplicações sofrem mais que outras com a alta dos preços e da taxa básica de juros.

Por que a inflação e os juros sobem?

O dólar passou muito tempo acima de R$ 5,00 e isso vem encarecendo produtos importados, matérias-primas e alimentos que são cotados em moeda estrangeira. Além disso, a reabertura da economia está aumentando as encomendas na indústria numa velocidade maior que o ritmo de aumento de produção das empresas. Tudo isso faz a inflação subir.

Aumentar os juros é uma arma do Banco Central para tirar combustível que alimenta a inflação. Com os juros mais elevados, as pessoas pegam menos crediário para consumir. Além disso, juros mais altos atraem investidores estrangeiros porque podem ganhar mais com aplicações em renda fixa.

A demanda está crescendo mais rapidamente que a oferta, um descompasso que provoca inflação porque abre espaço para que reajustes de preços sejam repassados para os consumidores. Essa inflação obrigou o Banco Central a começar a subir a taxa de juros mais cedo e de forma mais enfática. Vejo que a taxa de juros pode voltar para a casa dos 6,5%.
Sérgio Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital

Veja aplicações que devem sofrer mais no cenário de inflação e juros em alta.

Investimentos de renda fixa que sofrem com movimentos de alta

Títulos prefixados: se os juros vão subir, é melhor o investidor evitar títulos prefixados, aqueles que têm taxa de juros definida no momento da aplicação. Nesses títulos, o investidor já sabe quanto vai ganhar lá na frente. Mas se os juros estão subindo, o que foi acertado hoje pode ser menos do que a taxa que será paga nos próximos meses. Daí, dizem analistas, vale mais a pena apostar em títulos pós-fixados.

No Tesouro Direto, por exemplo, vale mais neste momento investir no Tesouro Selic, que vai acompanhar a alta da taxa básica de juros, ou mesmo nos títulos IPCA+, que acompanham a inflação.

O mesmo vale para quem quer investir em CDBs, LCIs ou debêntures, que são títulos emitidos por bancos e empresas.

Investimentos em títulos prefixados, em especial os de médio e longo prazos, de dois a sete anos, têm mais risco porque podemos ter surpresas com a inflação, subindo mais que o esperado.
Igor Cavaca, gestor de investimentos da Warren Investimentos

Investimentos de renda variável

Profissionais de mercado lembram que a alta dos juros é, em teoria, ruim para as aplicações em renda variável, como ações na Bolsa. Quanto mais elevados os juros, maior tem que ser a valorização das ações na Bolsa para compensar o risco maior nesse mercado.

Mas os mesmos especialistas destacam que a taxa básica de juros no Brasil ainda está muito baixa em relação ao histórico do país. E dizem que mesmo uma Selic de 6% ou 6,5% ao ano não representa um obstáculo para a renda variável, de forma geral, porque os ganhos das ações podem superar essas taxas de retorno.

Os analistas apontam entretanto que alguns setores da atividade econômica podem sofrer mais que outros com a alta dos juros e da inflação que está sendo projetada agora. E, por isso, são aplicações que precisam ser analisadas com mais cuidado.

Num ambiente de juros em alta, alguns negócios, como o setor da construção civil, podem ser afetados mais do que outros que não dependem tanto de crédito para crescer.
Sérgio Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital

Veja alguns exemplos.

  • Ações de construtoras: a alta dos juros encarece o crédito imobiliário, e isso pode prejudicar o ritmo de vendas das construtoras e incorporadoras. Além disso, a inflação eleva os custos de produção do setor de forma mais rápida que o ritmo do aumento dos salários das famílias. Ou seja, as empresas de construção precisam gastar mais e não conseguem repassar essa diferença com tanta facilidade aos consumidores. O que pode se transformar em redução de lucratividade.
  • Ações de bancos: os juros mais elevados até podem ajudar os bancos a ganhar mais dinheiro com a aplicação do caixa da instituição financeira, o chamado ganho de tesouraria. Mas por outro lado, o aumento dos juros também pode dificultar a vida dos clientes que têm dívidas. E isso pode se transformar em aumento de inadimplência, o que reduz a margem de lucro dos bancos. Além disso, a inflação em alta corrói o poder de compra das famílias, que fica com orçamento mais apertado para cobrir dívidas com cartões e cheque especial, por exemplo.
  • Fundos imobiliários: um contexto de juros em alta afeta aplicações que geram renda, como os fundos imobiliários, que precisam apresentar então um dividendo maior para continuarem sendo competitivos após a taxa básica de juros de uma economia ser elevada.

Num ambiente em que há alta de juros, alguns investimentos não têm fundamento muito positivo, como fundos imobiliários ou ações que se destacam por pagarem dividendos como renda. O fundamento não é muito favorável, mas para tomar a decisão, o investidor deve olhar o preço porque muitos desses ativos estão hoje descontados, ou seja, com preços baixos.
Guilherme Wertheimer, conselheiro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro

Analistas de mercado destacam ainda que vale o investidor prestar atenção no endividamento de uma companhia antes de aplicar em ações dessa empresa.

Empresas mais endividadas podem perder com a alta dos juros porque o custo do crédito vai aumentar e afetar a lucratividade da companhia.
Igor Cavaca, gestor de investimentos da Warren Investimentos

Cuidado na hora de trocar de aplicação

Profissionais de mercado destacam que o investidor deve evitar sair trocando de aplicação sem antes fazer as contas para ver se vale a pena. Isso porque o investidor pode perder dinheiro se resgatar antes do vencimento.

Os analistas destacam que os comentários que fizeram sobre investimentos que podem sofrer mais com inflação e juros em alta valem mais para quem está colocando dinheiro novo, ou seja, para ampliar uma carteira de investimentos.

Veja aqui cinco erros que o aplicador precisa evitar na hora de mudar de uma aplicação para outra.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.