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Quais investimentos no Brasil são mais afetados pela inflação dos EUA

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/06/2021 15h51

A inflação nos EUA, calculada pelo índice de preços ao consumidor (IPC), subiu 0,6% em maio e ficou, mais uma vez, acima do esperado pelos economistas. O número tem sido acompanhado com atenção pelos investidores porque pode sinalizar um aumento da taxa básica de juros pelo Fed, o Banco Central norte-americano, antes do esperado.

Por isso, o mercado de ações, que costuma antecipar eventos, é o primeiro a ser impactado pela alta da inflação na maior economia do mundo. As Bolsas no exterior abriram em queda com a inflação mais alta do que o esperado. O Ibovespa demorou um tempo para digerir o dado, abriu estável, mas depois passou a operar no vermelho. Neste momento (15h40) a Bolsa se recupera e opera em alta de 0,35%%.

Mas quais investimentos no Brasil podem ser afetados pelo aumento do indicador dos EUA? Confira abaixo os escolhidos pelos analistas ouvidos pelo UOL Economia+.

Renda fixa nos EUA pode ficar mais atraente para investidores

O Banco Central dos Estados Unidos pode surpreender subindo os juros antes do esperado. Essa impressão faz com que alguns investidores internacionais se antecipem, saindo de mercados emergentes, como o Brasil, e migrando para investimentos mais seguros nos EUA.
Romero Oliveira, chefe de renda variável da Valor Investimentos

Se os juros de fato subirem nos EUA, os títulos norte-americanos de renda fixa passam a dar retornos mais altos, com risco mais baixo.

E no Brasil, quais investimentos são afetados?

Na Bolsa, empresas em processo de expansão costumam ser as mais afetadas pela expectativa de alta de juros nos EUA, pois os empréstimos ficam mais caros, segundo analistas.

"São as empresas mais dependentes de capital. Com a prerrogativa de aumento de juros nos Estados Unidos, o custo de captação delas fica maior", diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Nesta lista, entram empresas dos setores de tecnologia, varejo e construção civil que podem ter o preço de suas ações impactado de forma negativa.

Por outro lado, siderúrgicas e mineradoras tendem à valorização, já que o aumento da inflação está ligado a um aquecimento da demanda do mercado importador.

Nos BDR's norte-americanos, certificados que representam ações listadas em bolsas estrangeiras, o impacto da alta da inflação e um possível aumento da taxa de juros nos Estados Unidos é praticamente neutro, dizem analistas.

Se por um lado o valor da ação lá fora é impactado pela aversão ao risco, aqui no Brasil essa queda é amparada pela valorização do dólar que também é favorecido pela busca por ativos mais seguros.

Inflação nos EUA afeta indiretamente renda fixa no Brasil

Os investimentos em renda fixa não são diretamente afetados pela inflação dos Estados Unidos, mas uma alta de juros na maior economia do país poderia ser acompanhada por um novo ajuste da Selic no Brasil.

Por aqui o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), indicador que representa a inflação oficial do país, avançou 0,83% em abril, também acima do esperado.

No Brasil, esse cenário se repete e repercute em como o Copom irá se posicionar. O mercado já aguarda o aumento da Selic em 0,75% para a próxima reunião e projeta a Selic para 2021 em 5,75%.
Eliz Sapucaia, analista da Terra Investimentos

Os títulos de renda fixa indexados à inflação absorvem essa alta de imediato. Quem acaba perdendo nesse sentido são os títulos indexados à Selic, pois passam a ter rendimento menor que a inflação.
Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.