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Smart Fit na Bolsa: veja se vale investir na empresa, segundo analistas

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/06/2021 04h00

A Smart Fit está retomando o seu processo para entrar na Bolsa, três anos depois da primeira tentativa de abrir capital. Em 2018, a operação não emplacou porque foi rejeitada pelos acionistas, que preferiram esperar melhores condições de mercado e de preço para fazer a oferta. Agora tudo indica que agora ela abre capital.

A empresa divulgou nesta semana que pretende distribuir 100 milhões de ações a um preço que pode variar entre R$ 20 e R$ 25 por ação. Com isso, a rede de academias Smartfit poderia levantar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em seu IPO (oferta pública inicial de ações). O conselho de administração da empresa ainda vai bater o martelo sobre o valor definitivo do negócio, e ele pode variar de acordo com o apetite do mercado.

No prospecto arquivado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que vai analisar a oferta, a Smart Fit se apresenta como líder de mercado no segmento fitness na América Latina e quarta maior rede de academias do mundo em número de clientes. Mas sofreu bastante com os impactos da pandemia da covid-19. O UOL Economia+ ouviu analistas para entender se vale a pena o investidor entrar nesse IPO ou esperar. Veja abaixo o que eles disseram.

Empresa reduziu número de alunos

No final de março do ano passado, a Smart Fit contabilizava 2,8 milhões de clientes ativos. Um ano depois, esse número despencou para 1,9 milhão. A receita do grupo acabou recuando mais de 36% em 2020 na comparação do ano anterior.

Com os recursos captados no IPO, a empresa pretende investir na expansão de sua rede de academias. Um movimento que já está em curso. Na semana passada, a empresa anunciou a compra de 100% do capital social da concorrente Just Fit e levou as 27 academias do grupo no estado de São Paulo.

Investir ou não na Smart Fit?

O IPO deve acontecer antes das coisas voltarem definitivamente ao normal, por isso acho que faz sentido se posicionar antes da explosão de demanda nesse segmento. O exercício físico ajudou muitas pessoas ao longo da pandemia e acredito que a procura por academias vai ser muito grande quando essa fase passar.
Virgilio Lage, analista da Valor Investimentos

Segundo Lage, essa análise vale para todo o setor ligado ao 'fitness' como um todo, incluindo o segmento de comida saudável. Ele afirma que o IPO da empresa está com uma boa faixa de preço, principalmente levando em conta o objetivo de expansão da marca, que, para o analista, deve trazer crescimento no longo prazo.

Mas, para investidores iniciantes, o ideal é esperar maturar a empresa e o setor, que na Bolsa também é novo. O principiante pode não ter estômago para oscilações nos preços dos papéis, que são comuns logo depois de um IPO, e acabar saindo no prejuízo.
Virgilio Lage

Ricardo Jacomassi, economista-chefe e sócio da TC Partner, também acredita que o setor pode ser interessante para quem quer investir.

Os países que aos poucos estão voltando à normalidade experimentam agora uma retomada bastante robusta nesse segmento. Aqui no Brasil, no geral, foi um dos mercados que se mostraram mais adaptativos em todo esse período [da pandemia]. Mesmo com as aulas online, acredito que o presencial vai prevalecer e faz sentido essas empresas procurarem expandir.
Ricardo Jacomassi

Já para Ana Lúcia Soares, da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), empresas já listadas na Bolsa são muito mais tangíveis para quem está começando agora. Ou seja, elas têm um histórico de comportamento de preço, de pagamento de dividendos, de como se comportam em diferentes cenários econômicos. O que não acontece com companhias que estão abrindo capital agora.

Com a empresa nova não existe esse parâmetro, então não é possível saber como ela se comporta em momentos distintos, com crise ou sem crise, e isso pode gerar discrepâncias para quem é novo no mercado acionário e já chega num IPO. Outro risco é quando a empresa inaugura um segmento na Bolsa. Você não tem outras companhias do mesmo setor para saber como ele se comporta nesse âmbito.
Ana Lúcia

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.