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Com reforma tributária, que setores vão ter mais ganhos e perdas na Bolsa?

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/06/2021 04h00

Que empresas na Bolsa vão ganhar ou perder mais com a reforma tributária apresentada pelo governo na semana passada? Se o texto for aprovado como está, as empresas vão pagar menos imposto sobre o lucro. Mas o projeto de lei também tributa dividendos e acaba com os juros sobre capital próprio.

A eliminação desses benefícios deve atingir principalmente grandes empresas, que já não investem tanto em crescimento e distribuem o lucro entre os acionistas. Mas as companhias recém-chegadas à Bolsa ou aquelas que estão em processo de expansão podem se beneficiar. Elas reinvestem o lucro em projetos de crescimento e pagam poucos dividendos. Especialistas ouvidos pelo UOL Economia+ listaram os setores da Bolsa que perdem e ganham com a reforma tributária. Veja abaixo quais são eles.

Limite de isenção pode beneficiar consumo

O governo propõe que o limite de isenção do Imposto de Renda passe de R$ 1.903,98 para R$ 2.500 mensais. Com isso, o contribuinte teria mais recursos disponíveis para consumo.

Ações de varejistas, do setor de alimentos, empresas do agronegócio e prestadoras de serviço seriam beneficiadas por esse ponto da reforma.

"As pessoas estão sedentas pela retomada da economia e a isenção de IR aumenta a propensão de consumo das famílias", diz Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

Scott Hodgson, gestor da Galápagos Capital, não é tão otimista. Mesmo com um maior número de contribuintes isentos de imposto de renda, ele lembra que o setor ainda sofre com os impactos da pandemia.

"Acho que vai ser bem difícil perceber uma mudança material das pessoas gastando mais com alimentação ou bens de consumo", afirma Hodgson.

Reforma é positiva para empresas em crescimento

As empresas vão pagar menos imposto sobre os lucros, caso a reforma seja aprovada. A tributação, segundo a proposta, cai de 20% para 15%. Por outro lado, os dividendos que atualmente são isentos de IR seriam tributados em 20%. Os juros sobre capital próprio seriam extintos.

Desde que o projeto de lei chegou ao Congresso, investidores migraram das boas pagadoras de proventos para empresas em processo de expansão, segundo analistas. Nessa lista estão empresas menores, do setor de tecnologia ou que estrearam há pouco tempo na Bolsa.

"Essas empresas são mais beneficiadas porque reinvestem o lucro em crescimento. Mas o potencial de ganho delas vai depender de como esses recursos vão ser reinvestidos e se eles de fato vão conseguir expandir as operações mais para frente", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Empresas grandes sentem efeito negativo

As empresas que já estão consolidadas têm outro apelo para o investidor. Elas costumam ter fama de boas pagadoras de dividendos ou de juros sobre capital próprio (JCP). Por isso, a taxação de 20% sobre os proventos e extinção dos JCP diminuem a atratividade dessas companhias.

"Energia elétrica, saneamento e telecomunicações são setores que se encaixam nesse quadro. As empresas vão ter que se readaptar e possivelmente, em vez de pagar dividendos, terão que recomprar ações", afirma Simone Pasianotto.

Bancos, seguradoras e grandes empresas do segmento de consumo também entram nessa lista.

Com a recompra, a empresa diminui a quantidade de ações em circulação. Os investidores ganham bônus ao revender os papéis, e o preço da ação no mercado fica mais alto, beneficiando os acionistas que permaneceram.

"Outra opção é direcionar o que seria pago em dividendos para algum tipo de fusão ou aquisição", afirma Scott Hodgson, da Galápagos Capital.

Os analistas acreditam que construtoras e empresas ligadas ao setor de imóveis também podem ser impactadas pela proposta de tributação para fundos imobiliários. A reforma prevê a cobrança de 15% de imposto sobre o rendimento de FIIs. Com retornos menores, a perda de atratividade desses fundos poderia resvalar também no desempenho de empresas do setor.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.