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Quais são os investimentos certos para curto, médio e longo prazo?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/08/2021 04h00

Os ciclos políticos interferem diretamente no que é compreendido como curto, médio e longo prazo no mundo dos investimentos. Uma eleição presidencial, por exemplo, é o limite entre investimentos de médio e longo prazo, dizem as especialistas do mercado financeiro ouvidas durante o Guia do Investidor UOL, evento quinzenal e gratuito do UOL para quem quer aprender a investir.

Investimentos que têm prazo longo podem encarar problemas de um governo, já os investimentos de médio e curto prazo talvez não consigam segurar crises políticas que interferem no mercado. Essa capacidade de entender o que muda em dois, quatro ou 10 anos é importante para escolher uma carteira de investimentos. Veja abaixo quais os melhores tipos de investimentos para cada período, segundo as especialistas.

Curto prazo: até dois anos de investimento

Para Clara Sodré, professora da Xpeed e analista de investimentos da XP, o curto prazo está localizado abaixo de dois anos para a conclusão dos objetivos. Além de não tolerar oscilações dentro de um ciclo político, o investimento de curto prazo precisa de liquidez.

"O prazo é muito importante porque eu preciso ter acesso a esse dinheiro quando ele terminar", diz.

Ela afirma que todo investimento tem que levar em conta três variáveis: nível de segurança, liquidez (capacidade de retirar o investimento quando quiser) e rentabilidade.

"Mas, em um único ativo, a pessoa só vai conseguir dois deles, um vai ficar de fora ou ter um peso menor. Investimento de curto prazo é segurança e liquidez, a rentabilidade vai ficar um pouco à parte", diz.

Para esse tipo de perfil, mais seguro e com maior liquidez, entram na lista investimentos como Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária ou prazo de vencimento curto, por exemplo.

Médio prazo: de dois a quatro anos

O médio prazo é enquadrado, segundo Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, entre dois e quatro anos. Nesse tipo de delimitação de tempo, a liquidez é a variável menos relevante.

"De dois a quatro anos já é um investimento que você pode, mesmo tendo uma crise no meio do caminho, se recuperar. Então, você já consegue tomar mais riscos. Você não precisa tanto de liquidez e já consegue vislumbrar um pouco de espaço para a rentabilidade", diz.

Isso acontece, segundo Marília, porque as crises momentâneas já não pesam tanto sobre os investimentos.

"Você consegue investir em títulos de crédito, debêntures, CRIs, CRAs. Tentar uma rentabilidade um pouco acima dos títulos do governo, investir em títulos imobiliários. Tem uma gama enorme de produtos que você pode usar se tem um horizonte maior", afirma.

Para Clara, os riscos que transcendem os ciclos econômicos não devem ser colocados em carteira de médio prazo, mas se o investidor quiser aumentar as possibilidades de ganhos, é mais apropriado aportar mais capital em ativos de renda variável, mas só se você tiver a ciência de riscos.

"Ao colocar risco na carteira, você pode ter que adiar o seu objetivo", afirma.

Longo prazo: acima de cinco anos

No longo prazo, as possibilidades de fazer o capital render são ainda maiores.

"Com horizonte bem grande você consegue travar em uma taxa. Opções interessantes são as debêntures do setor de infraestrutura, apesar de terem também liquidez e de poder vender antecipadamente. Você não trava numa taxa específica", diz Marília.

Um ponto importante para carteiras de longo prazo é o ganho real, acima da inflação. Por isso, investimentos que estejam atrelados ao IPCA, índice oficial de inflação do país, podem garantir um retorno real ao investidor.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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