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Economia brasileira fraca em 2022 vai afetar poupança e renda fixa?

Veja como PIB menor ano que vem influencia investimentos em renda fixa - Getty Images
Veja como PIB menor ano que vem influencia investimentos em renda fixa Imagem: Getty Images
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/10/2021 04h00

Já é dado como certo pelo mercado que a economia do Brasil vai crescer menos em 2022 do que neste ano. Segundo projeções de instituições financeiras e consultorias apuradas pelo Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai crescer 1,40% em 2022, bem abaixo dos 4,97% que os mesmos economistas e consultores esperam para 2021.

A variação do PIB não afeta diretamente aplicações de renda fixa, como poupança, títulos do Tesouro Direto e fundos DI da mesma forma que influencia a renda variável. Mas a desaceleração econômica tem efeitos indiretos que já estão impactando negócios de renda fixa. E esse cenário vai continuar valendo ano que vem, dizem profissionais de mercado.

Veja abaixo por que isso acontece e o que recomendam especialistas ouvidos pelo UOL sobre o que fazer com o dinheiro na renda fixa.

Como o PIB fraco influencia a renda fixa

Nenhuma aplicação de renda fixa depende das atividades econômicas que compõem o PIB —como vendas de empresas, consumo das famílias, gastos do governo, exportações e importações. Esses fatores influenciam diretamente o desempenho das empresas e, consequentemente, as ações na Bolsa.

Mas o PIB mais fraco impacta a renda fixa através dos juros e da inflação, aponta o especialista em investimentos da Rico Investimentos, Lucas Collazo.

O rendimento das aplicações tradicionais de renda fixa é influenciado diretamente pelos juros e pela inflação. A poupança, por exemplo, rende 70% da taxa básica de juros, a Selic. O Tesouro Selic varia de acordo com a mesma Selic.

Além disso, algumas aplicações de renda fixa também acompanham o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação do país.

Juros e inflação em alta

O PIB será menor ano que vem porque a economia brasileira está sendo atrapalhada pela inflação elevada e pelos juros, que começaram a ser elevados pelo governo exatamente para conter a escalada dos preços.

Inflação: a inflação no Brasil vem subindo de forma constante desde junho de 2020 e já é uma das maiores do mundo. O IPCA acumulado em 12 meses até setembro é de 10,25%, o mais elevado em quase seis anos, segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Como algumas aplicações de renda fixa — como Tesouro IPCA+, CDBs e LCIs indexados ao IPCA — acompanham esse indicador, o rendimento nominal de parte das aplicações de renda fixa já melhorou.

Juros: desde março deste ano, o Banco Central vem elevando a taxa básica de juros, em uma tentativa de recuperar o controle sobre a inflação. A Selic já subiu de 2% para 6,25% ao ano, outra elevação deve ocorrer nesta quarta (27), quando o Banco Central conclui a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro.

Segundo projeções de mercado apuradas no Boletim Focus do Banco Central, a Selic vai seguir subindo até 8,25% este ano e, em 2022, sobe mais um pouco, até 8,75%.

O Banco Central toma a decisão de elevar os juros olhando para inflação e não para o PIB. Como inflação está alta, o BC deve seguir elevando juros. E juros elevados ajudam as aplicações de renda fixa, mas afetam o crescimento do PIB, que será menor em 2022.
Lucas Collazo, Rico Investimentos
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Preferência pelos pós-fixados

Segundo os profissionais de mercado ouvidos pelo UOL, os investimentos em renda fixa que já estão se destacando neste momento e continuarão assim ao longo de 2022 são os títulos pós-fixados.

Tesouro Selic e poupança são dois exemplos de aplicações de renda fixa que seguem a Selic. Também tem CDBs, LCIs e LCAs, além dos fundos de investimento DI, como produtos que se beneficiam da alta dos juros.

O sócio da Inove Investimentos, Igor Seixas, aponta ainda que esses títulos apresentam menor volatilidade, têm mais liquidez e, portanto, menor risco para o aplicador.

Tesouro Selic é o mais seguro. Se tem risco inflacionário, a gente vai ter que elevar juros. Não são longos e são os que garantem liquidez. Aumentar a posição em Tesouro Selic na carteira não faz mal.
Igor Seixas, Inove Investimentos

Para quem servem: esses papéis funcionam principalmente para aplicações de prazos mais curtos, para quem quer aplicar por aproximadamente um ano ou menos.

Proteção da inflação com os títulos IPCA

Investimentos em títulos que pagam uma taxa de juros prefixada mais a variação da inflação medida pelo IPCA também valem a pena, diz o gestor de investimentos da ParMais, Alexandre Amorim.

A variação do IPCA a patamares nunca vistos desde 2015 já vem puxando para cima os ganhos de produtos como Tesouro IPCA+.

As projeções de mercado apontam para uma inflação menor ano que vem, mas ainda existem muitas incertezas sobre até que ponto o IPCA pode seguir elevado.

Tem mais risco de a inflação surpreender para cima do que para baixo. E nesse cenário, é melhor comprar títulos atrelados ao IPCA.
Lucas Collazo, Rico Investimentos

Para quem servem: títulos atrelados ao IPCA são para quem quer proteger o capital da inflação em investimentos de médio e longo prazos, acima de dois anos.

E os prefixados não valem a pena?

Nesse ambiente de PIB em queda por causa de juros em alta para combater a inflação, as aplicações em títulos prefixados devem ser feitas com muito cuidado, apontam profissionais de mercado.

O sócio da Inove, Igor Seixas, aponta que os prefixados são mais indicados para momentos em que os juros estão em queda. O que não é o caso para o Brasil neste momento nem em 2022.

O prefixado pode neste momento ser opção se o rendimento oferecido superar a inflação com uma margem que permita ganho superior ao dos títulos atrelados à Selic e ao IPCA.

Na última quinta-feira (21), por exemplo, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2031 estava pagando 12,10% ao ano, ou seja, praticamente 1% ao mês. Mas a sessão foi marcada por muita volatilidade, que levou inclusive o Tesouro a suspender os negócios na plataforma.

Cuidado com a oscilação

O problema desses papéis, em especial os de longo prazo, é que a pessoa fica presa neles por muito tempo. Se quiser sair da aplicação antes, o investidor pode perder parte do rendimento ou parte do valor aplicador mesmo.

É importante a pessoa ter bem claro o objetivo do investimento porque isso é o que define o prazo do resgate. Sabendo disso, o investidor pode aguardar até o vencimento, e não precisa se preocupar em resgatar antes da hora e negociar no escuro, diz Lucas Collazo, da Rico Investimentos.

Por isso, dizem gestores de recursos, é mais prudente o investidor optar por esse papel quando pode ficar até o vencimento.

Para quem quer lucrar vendendo o título antes do vencimento, atuando como trader, é menos arriscado buscar vencimentos mais curtos, de dois a três anos.

É arriscado tentar ganhos de curto prazo apostando em títulos de longo prazo, ou seja, negociando antes do vencimento, porque a volatilidade agora está muito forte.
Alexandre Amorim, ParMais

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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