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Ela desistiu de estudar moda e virou dona de empresa no mercado financeiro

Carol Paiffer é fundadora e presidente da Atom S.A. - Divulgação
Carol Paiffer é fundadora e presidente da Atom S.A. Imagem: Divulgação
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/11/2021 04h00

Investidora, empresária, coach, especialista em educação financeira e uma das juradas do Shark Tank Brasil, reality show para empreendedores. O currículo de Carolina Paiffer, 33, é extenso, e os primeiros passos foram dados cedo, há cerca de 16 anos. Ela é fundadora e presidente da Atom S.A., empresa que trabalha com operações no mercado acionário por meio de traders.

Aos 17, logo após terminar o ensino médio, Carol, como é conhecida, cogitou estudar moda em Milão, cidade italiana tida como uma das mais tradicionais do segmento no mundo. Pelo sonho de empreender, desistiu e foi cursar administração de empresas. "Eu ia fazer moda, mas decidi por administração para a minha empresa não ir à falência. Conto que foquei na Bolsa [a de Valores] porque ela me dá outras bolsas", disse.

Carol Paiffer estará no próximo Guia do Investidor UOL para falar sobre o passo a passo para investir na Bolsa. O evento acontece no dia 9, às 11h, nas páginas do UOL, do UOL Economia e na página de Investimentos.

Educação sempre foi prioridade

Natural de Porto Feliz (SP), Carol sempre estudou em escolas particulares. Muito por exigência dos pais, que viam na educação a principal maneira de melhorar a sua vida e a dos irmãos, Joaquim e Maria Cecília. "Meus pais não tinham muita grana, mas eles trabalharam bastante para poder pagar. Educação sempre foi a prioridade número um", afirmou.

Durante a infância e na adolescência, a mãe insistiu para que ela fizesse diversos cursos. Assim, estudou línguas como inglês e espanhol, e aprendeu a tocar piano em uma escola pública da cidade.

Nessa época, também fez teatro como parte das atividades extracurriculares do curso de inglês. "O teatro me ajudou bastante, tanto na forma diferente de aprender uma língua, como até para subir em um palco. O que eu carrego em palestras e até no Shark Tank vem do teatro", declarou.

Primeiros passos e influência do irmão

Carol Paiffer ingressou no ensino superior em 2005, aos 17 anos. Aprovada na Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Araraquara (SP), optou por estudar, com bolsa, na Facamp, instituição privada em Campinas (SP).

O convívio com o irmão Joaquim Paiffer serviu de empurrão para que ela se jogasse de vez no mundo dos negócios. Ele também estudou administração e influenciou Carol a seguir carreira no mercado financeiro.

Esse caminho começou a ser trilhado logo no primeiro semestre da faculdade.

"Não era algo que estava no nosso radar. Um professor comentou com ele [Joaquim] sobre as oportunidades no setor de investimentos. Ele falou para todos os alunos, mas o meu irmão, que é curioso, decidiu ir para São Paulo estudar a respeito e acabou estagiando em uma corretora", disse.

Carol notou que as amigas se sentiam desconfortáveis em participar de eventos sobre finanças ao lado de homens, maioria no setor, decidiu que faria um grupo formado por mulheres para falar sobre empreendedorismo, finanças pessoais e investimentos.

"Em palestras de homens e mulheres, percebi que elas ficavam um pouco intimidadas. Mal sabiam elas que as perguntas eram sempre as mesmas, porque, de maneira geral, a gente não tem um grande conhecimento sobre educação financeira no Brasil", declarou a investidora.

Início como investidora e o aprendizado

A partir de palestras que foi fazendo, veio a demanda de potenciais clientes pelos serviços. Mesmo sem dinheiro, ela e Joaquim começaram como agentes autônomos —à época, não havia a exigência de testes de certificação, hoje necessária, para atuar no setor.

Foi dessa forma que nasceu a Paiffer Investimentos, negócio que teve início enquanto Carol ainda estava na faculdade, e que atingiu a casa dos milhares de clientes ainda no primeiro ano.

No final de 2007, com o início do que seria a maior crise financeira da história, escancarada um ano depois, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, os dois viram que era uma boa oportunidade para entrar em renda fixa e criaram uma área de desempenho para gerir ativos de investidores interessados nesse tipo de produto.

Dois anos depois, em 2010, surgiu a oportunidade de estabelecer uma parceria para tocar a área de varejo de uma corretora espanhola, a CM Capital Markets. Algumas divergências, porém, fizeram com que a empreitada não prosperasse.

"Eles não estavam acostumados à cultura do brasileiro. A partir daí, aprendi a ler melhor as cláusulas dos contratos", disse. "Foi muito bom [não ter funcionado] porque, se a parceria desse certo, talvez a Atom não existisse", disse.

Prazer em fazer o que gosta e ensinamentos

A Atom trabalha com operações no mercado acionário por meio de traders. Além disso, a companhia conta com um braço de educação, em que oferece cursos para agentes autônomos, gestores e analistas.

Os que mais se destacam passam a fazer parte do time de colaboradores. Em março, a Atom teve uma fatia de 34,78% comprada pela revista "Exame", que é controlada pelo BTG Pactual.

No segundo trimestre, o lucro líquido da empresa foi de R$ 6,57 milhões, redução de 8% sobre igual período do ano passado. Hoje Carol se diz realizada por atuar com algo que tem extrema afinidade.

"Eu trabalho, mas me divirto todos os dias. Esse é o segredo de qualquer carreira e negócio. Hoje, não é mais pela grana, mas por conectar e ajudar outras pessoas", declarou.

Dicas para investir melhor

Como dicas para quem quer investir, ela explica que há três passos primordiais: o primeiro é ter conhecimento para não ficar refém de analistas ou gerentes de bancos.

Em segundo lugar, ela recomenda trabalhar com oportunidades e ter uma mentalidade de longo prazo (principalmente em momentos de distorções de preços, como a pandemia).

O terceiro e mais polêmico aspecto é operar com day trade, a compra e venda de ações no mesmo pregão, algo desaconselhado por diversos especialistas.

Para Carol, mais uma vez, o problema é a falta de conhecimento técnico para investir dessa forma. "É possível aproveitar a volatilidade todos os dias. O erro clássico é operar sem conhecimento e com um volume alto no day trade", disse.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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